terça-feira, 12 de novembro de 2013

As Notícias Do Jornal Nos Dias De Hoje



Passava das dez da manhã de um belo domingo de sol. O sol rachava lá fora.
Os passarinhos cantavam felizes de galho em galho, as pessoas estavam com suas roupas folgadas e confortáveis para o momento. E eu, vendo tudo isso do quarto andar do meu apartamento.
Estava com ressaca e havia acabado de acordar.
Fui até a cozinha, Thiffany fazia ovos mexidos com bacon. Sentei, peguei o jornal, o abri, e comecei a lê-lo em voz alta as notícias.
"Podemos sim vivermos em harmonia dentro de nossas casas "
"As orlas das praias permanecem sujas em feriados prolongados"
"Rateios entre estudantes de universidades públicas são confundidos com arrastões"
"As novas leis em elevadores fazem ascensoristas protestarem"
"Crise financeira empurra famílias para a pesca de tucunarés no sul do pais"
Enquanto lia as notícias, Thiffany dizia que queria se divertir, sair um pouco, espairecer.
-Jô, vamos ao parque?
-Não, não !!
-Porquê não?
-Está muito quente para sairmos embaixo desse sol. Estou cansado!
-Então, vamos ao aquário da cidade?
-Não, também não!
-Porquê Jôô!?
-Não há graça nenhuma. Qual a graça de peixes nadando de lá pra cá?
Thiffany franziu a testa em repreensão ao que eu tinha dito mas continuou a fazer o meu café.
Folheei mais algumas páginas do jornal e parei em uma notícia que me deixou perplexo.
Comecei a ler a incidência e tendências de assassinato que acontecem nos lares. Constatei que 48% das merdas que acontecem nos lares são brigas entre casais e o resto dos por cento são homens que não levam suas esposas para passear de final de semana.
Isso me deixou curioso pois era algo que Thiffany me falava a semanas. Resolvi ler a notícia por inteiro.
Alí estava, a falta de compreensão entre casais, abuso de autoridade, a não divisão de bens, as estratégias de encobrir um assassinato....como por exemplo, o veneno disfarçado no almoço ou ao café da manhã.
Enquanto lia as notícias, afundava meu pão no copo de café com leite e o comia com vontade, mas sem ao menos perceber, Thiffany  me perguntou com uma cara marota e voz suave, porém matadora.
-Está bom o seu café da manhã, meu bem??
Antes mesmo de engolir, regurgitei em um só cuspe, todo o bolo que estava na minha boca para o copo.
-Como chama mesmo o lugar que NÓS vamos heim, meu bem? -Thiffany novamente perguntou com um sorriso no canto dos lábios.
Coisas estranhas boiavam no meu café com leite.
Eu olhava atentamente para as coisas não identificadas quando regurgitei. Procurava encontrar algum veneno...sei lá o que procurava. Meu coração começava a bater forte.
Terminei o café e fui ao banheiro rezar para que o menino jesus não me levasse.
Bem, No final do dia, fizemos um belo piquenique no parque da cidade.
Comecei a ler os jornais todos os dias, na coluna dos casais...além claro, de fazer as vontades de Thiffany!

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Vá Lá e Dê Aquela Aliviada





















Eu tinha uns vinte e poucos anos. Estava afim de uma garota.
Estávamos em um bar tipo Pub. Ela era muito G.O.S.T.O.S.A. e eu tinha que.....bem, entende?
Eu flertei com ela por quase a metade da noite.
Eu dizia coisas bonitas no ouvido, ela sorria, quando eu ia chegar, ela virava o rosto.
Eu era bom de papo, e falava do cabelo dela, do desenho dos seus lábios como combinava com os meus, depois de dar uma esquentada,
Eu dizia coisas bonitas no ouvido, ela sorria, quando eu ia chegar, ela virava o rosto.
 Isso permaneceu por um bom tempo.
Mas logo me estressei com essa porrinha mal comida.
Ela me dispensava com risadinhas mimadas.
Chegou uma hora que disse que ia ao banheiro.
Meu pinguelão quase saindo pela calça, não aguentava mais fui ao banheiro, e dei aquela aliviada.
Tive que fazê-lo.
Eu não queria ser preso, pois nem sabia a idade daquela porrinha mal comida e muito menos tinha grana para bancar uma profissional da área.
Quem ganhou minha noite, foi ela, a boca gigante branca. Estava lá, olhando pra mim sem parar....
Quando voltei, depois de alguns vários minutos, eu já estava bebendo a segunda dose.
Ela disse que queria ficar comigo....que tinha ficado sozinha a noite inteira....que nenhum homem tinha a compreendido como eu mesmo....que queria um drink para relaxar...
Eu sorrindo, disse NÃO.
Já estava tranquilo pois tinha me aliviado!
Ela permaneceu ali, em pé, sem entender nada.
Ela, como muitas outras, não sabem que podem ser facilmente trocadas pela sempre silenciosa e tranquila boca gigante branca.
Dei meia volta e sai sorrindo.
E outra, depois percebi que ela não era tudo aquilo.
Uma aliviada, as vezes, abre seus olhos e tira de você a culpa e a vergonha por ter escolhido tal porrinha.
Faz você ver as coisas como realmente são....nada espetaculares... 

Móveis Lustrados...

















  Thifany estava fora há algumas semanas e chegaria somente no final do mês.
Ela sempre me pegou no pé em limpar a casa enquanto estivesse fora e blá blá.
"Limpe a casa Jonas", "Quero ver essa casa brilhando quando eu chegar", "Me faça um favor, tire sua cueca do chão da sala" e outras coisas mais.
Lembrei desse sermão enquanto estava na cama de conchinha. Olhei para o relógio, já passava das duas a tarde. Só levantei, porque o sol ardente batia nas minhas costas pela janela de vidro.
Levantei, só troquei de camiseta, coloquei os chinelos e fui ao mercadinho comprar umas coisas para tentar arrumar o nosso ventilador.
Chamei o elevador, ele abriu e entrei.
Lá estava Dona Gertrudes.
Dona Gertrudes era uma senhora de setenta anos, usava um vestido branco com pequeninas flores cor violetas desenhadas. Era de estatura média, usava umas três presilhas no cabelo. Era de semblante calmo e feliz. Sua pele era enrugada. Talvez fosse filha de alemães.
Pela idade pré-avançada, a velha ainda não possuía muitos fios de cabelos brancos. Só alguns na lateral da cabeça.
-Olá Dona Gertrudes. - eu disse.
Ela olhou para mim e para o relógio.
-Olá meu filho. Boa tarde!
Do meu andar até o térreo, Dona Gertrudes me deixou ciente sobre seus problemas de saúde, seus remédios para comprar, a pobreza do mundo, sobre a falta de dinheiro...etc.
A velhinha sempre tinha o que falar.
Ao chegar ao térreo, me despedi de Dona Gertrudes e sai pela porta principal. Nem olhei pra trás para constatar se ela havia respondido.
 --
Eu já estava na fila para pagar minhas compras quando meu ombro foi tocado, era Dona Gertrudes.
-Olá Dona Gertrudes...a senhora de novo? - perguntei sorrindo.
-Sim, sou eu.
 Ela segurava, farinha de trigo, ovos e um litro de óleo.
Perguntei o que iria fazer com aquelas compras.
Um bolo, ela dizia.
Resolvi acompanhá-la até nosso prédio.
Ao subirmos do térreo até meu andar, ela novamente falou sobre seus problemas de saúde, seus remédios, a pobreza do mundo, sobre a falta de dinheiro...etc.
Quando o elevador se abriu, eu disse TCHIAU e dei o fora dali.
--
Dia seguinte, dois dias antes de Thiffany retornar. Estava eu encostado no balcão do bar do Loyd, imaginando como iria resolver o tal problema da limpeza da casa.
A casa estava em frangalhos. Roupas para lavar, meias para passar, louça para lavar, banheiro para higienizar, garrafas vazias para recolher, etc...
-Preocupado Jonas? - Loyd perguntou.
-Um pouco cara...tenho dois dias para aprender, e arrumar a casa...e nem sei por onde começar. Tô sozinho em casa esses dias, e não quero levar uma coça.
-Arrume alguém para te ajudar.
-Alguém?
-Sim, encontre um sobrinho ou primo seu para o trabalho pesado de arrumar uma casa.
-Boa ideia, Loyd....enche o meu copo, vai...
--
No dia que Thiffany chegaria em casa, ele me ligou na hora do almoço e num tom de ironia e precaução disse: "Estou chegando em casa hoje heim".
Como ela havia me acordado naquela hora, eu tentei ser monólogo..."aham",  "sim",  "tudo bem", "entendi"...mas ela se ligou que eu ainda falava com os olhos fechados. Tenho certeza.
Mas chegando em casa, Thiffany viu a casa num brilho total. Todas as coisas no lugar, o chão encerado, abajures sem teias de aranha, os sapatos em seus devidos lugares, as paredes sem as gotas de vinho, o lixo retirado e os móveis lustrados, etc...
Thiffany ficou surpresa.
-Jonas... como você conseguiu?? Que surpresa!!!
-Ahh não foi nada. Pra você meu bem. - eu disse.
Thiffany e eu fomos no quarto nos amar...
...Mal ela sabia que paguei umas notas para a velhinha de setenta anos do andar de cima dar uma geral na casa.
Thiffany estava feliz e ovulava na época, eu estava salvo da bronca mesmo não ter levantado um dedo e a velhinha feliz da vida por comprar seus remédios de pressão alta, arritmia, colesterol e diabetes.
...No final das contas, todo mundo ficou feliz....e é assim que tem que ser....


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Movido a Couro de Porco














 
"Este conto é dividido em três partes"
Pururuca, Contrações Intestinais e Dores de Cabeça.

**Nota do autor
Infelizmente, baseado em fatos reais.
Por motivos óbvios e contra a imoralidade alheia, o autor, escolheu por preservar a identidade da pessoa e zelar por sua desonrada vida, deixando-o no anonimato.

 Pururuca

Thiffany e eu assistíamos a novela juntinhos como um belo casal deve ser.
Eu acariciava seus cabelos, ela deitada em meu peito e todo nosso amor no ar, e, nosso novo amigo, nosso cãozinho, um Shih-Tzu branco. Ficava a nos olhar sentadinho incessantemente enquanto víamos a novela.
Eu não né, eu dava umas pescadas durante a novela. Quem assistia era Thiffany. O bom e o que importava, era que meu copo estava sempre cheio.
As vezes, quando minha bexiga estava a ponto de estourar lá pelas três da madrugada, ao me encaminhar até ao banheiro, lá estava o Pipoca sentadinho na porta. Quando eu saia, lá estava o Pipoca sentadinho esperando eu sair. Ele me seguia e abanava o rabinho. Ele tinha uma grande energia.
Eu imaginava o que ele estaria pensando em ver tudo aquilo...

(dias depois)

Eu segurava o Pipoca no colo quando entramos no apartamento. Voltávamos do supermercado.
Thiffany foi para cozinha colocar as compras em seus devidos lugares, eu coloquei Pipoca no chão e fui ao banheiro. Ele abanava o rabinho sem parar ao me seguir.
Dei uma mijada, balancei, limpei na calça, lavei as mãos, dei uma olhada no espelho, dei aquele sorriso forçado de lado a lado para procurar alguma sujeira  entre meus dentes amarelados, pisquei para mim mesmo, desliguei a luz e fui pra sala.
Liguei a tv, passava o jogo.
Pipoca brincava com todo fervor no tapete da sala. Mordia seus brinquedinhos de plásticos com vontade. Os roía de um lado a outro.
Sua baba estava por todos os lados.
Meus sapatos molhados e mordidos no canto da sala, minhas meias rasgadas na lavandeira para serem lavadas e as cadeiras roídas, no qual eu sentava. Pipoca era o dono da casa.
As vezes ele "transava" com sua almofada que ficava do lado de sua caminha. Ele encaixava as patinhas no almofadão, dava aquelas cinco ou seis bimbadas e depois se esparramava no almofadão com a língua pra fora, e lá ficava por uns dez minutos. Era um jeito dele se aliviar, já que não conhecíamos algum vizinho que tivesse uma fêmea.
Pipoca, comia sua ração, babava nos brinquedinhos, dava uma transada com o almofadão, caia por dez minutos e tudo recomeçava. Essa era a rotina do Pipoca.

Contrações Intestinais

Passado alguns dias, eu esparramado no sofá, já tinha secado umas duas garrafas de vinho e entre um arroto e outro, eu mandava pra dentro
tiras de couro do porco, conhecidos como pururuca. Com limão é um presente de Deus.
Assistia a um filme de Oliver Stone. Não me lembro o nome agora, mas o roteiro era daquele queixudo que fez Pulp Fiction.
Era um dos meus favoritos. É tiro pra tudo quanto é lado, além de ser um filme hétero, muito violento.
Já passava da meia noite. Thiffany já estava no décimo sono.
Havia Pipoca e eu na sala.
De uma cena a outra, eu pegava mais uma tira do saco e mandava pra dentro.
Quando o filme deu uma esfriada, olhei para Pipoca e percebi que estava imóvel.
Olhava para mim, olhava para minha mão indo até o saco...Olhava para mim, olhava para minha mão indo até o saco....Olhava para mim, olhava
para minha mão indo até o saco.
Bati algumas vezes no sofá, ele deu um pulo e ficou ao meu lado. O acariciei algumas vezes. Peguei um tira de couro de porco e dei para
ele. Ele quase levou meus dedos. Ele adorou, mastigava com vontade o corinho.
Quando o filme voltou com a pancadaria, eu simplesmente fiquei estarrecido com as cenas de ação, enquanto secava mais um copo, as vezes um
couro ficava na mão, pois não queria perder a cena. Eis que Pipoca se agilizava e comia o couro da minha mão.
Após o final do filme, fui cambaleando até o banheiro, dei uma mijada. Não dei a descarga e muito menos lavei as mãos. Estou além dessas
convenções.
Desliguei a tv, apaguei a luz e fui pra cama. Pipoca foi pra sua caminha.
Dia seguinte, pela manhã, Eu cortava um pouco de cebola, salsinha e tomates para fazer um omeletão mexicano.
Thiffany já tinha saído para trabalhar e eu ainda com o pijama com as manchas de vinho.
Tudo estava como sempre esteve, até Pipoca começara vomitar ao meu lado. Se retorceu, fez alguns gemidos e botô pra fora um bolo meio marrom, meio cinza. Deu umas fungadas para sua obra e se distanciou.
Fui ate a dispensa, peguei um pano e limpei a sujeira do meu amigo.
Terminei o omeletão e tomei meu café.
Pipoca não experimentou o omeletão. Cheirou, cheirou e nada. Passou toda a manhã deitado na sua caminha.
Durante o dia, Pipoca passou mal. Vomitou, teve diarréia, não queria comer e estava indisposto.
Dia Seguinte, Thiffany e eu, decidimos levá-lo ao veterinário.

Dores de Cabeça

Levei o bichano para o veterinário.
O doutor após me dar uma bronca homérica, como: "isso não se faz" ou "Como você pôde fazer isso com o pobre cãozinho?", "Onde estava com a cabeça?".
Abaixei a cabeça, e tive que concordar em silêncio que eu era um idiota.
Como Thiffany estava dormindo, ele ficou possessa quando descobriu que o diagnóstico foi não menos que 23 tiras de couro que u tinha dado ao Pipoca. Ela me xingou com belos nomes, mesmo na frente do doutor.
O veterinário recomendou, pílulas, conta gotas, tabletes, água especial para limpeza bucal e estomacal e algumas coisas mais.
Enquanto ele receitava, eu imaginava que ele estava me sacaneado em comprar tudo aquilo.
"Este doutor está me chamando de idiota na minha cara". Eu tenho um cãozinho, não um rinoceronte em tratamento.
Enquanto prescrevia, ele me olhava sob os óculos descansado pela face. Seu rosto era de repreensão à minha atitude.
Eu já começava a acreditar que quase matara meu cãozinho com o couro de porco.
Ao sairmos da consulta, Pipoca estava no colo de Thiffany, começamos a caminhar para o carro. O doutor me chamou de canto e disse:
-Não seja mais um idiota, ok?
-Tudo bem. - eu disse.
Fomos até a farmácia, e comprei toda aquela pilha de remédios para o Pipoca. Balinhas, cápsulas, gazes, líquidos para higiene, pílulas e afins.
Tive que desembolsar uma grana preta com o cãozinho. Fiquei com dores de cabeça durante o final de semana inteiro, por desembolsar essa nota.
Depois disso, Thiffany me repreendia a todo momento, Pipoca já estava melhorando, mas nem bimbava mais no almofadão e nem babava por toda casa, ficava jogado em sua caminha.
Para ajudar, Thiffany jogou todas as minhas bebidas pela privada, em repreensão à minha estúpida atitude. E eu sem dinheiro para reabastecer a copa. Fiquei com uma puta dor de cabeça nesses dias.
Não fui mais tão idiota assim.
Depois desse ensinamento, nunca mais dei couro de porco para o Pipoca, e percebi, como os filmes de Oliver Stone não são para qualquer um...

"Eu, o escritor, com toda certeza, garanto que, este pobre e indefeso animalzinho citado no conto acima, está vivo e bem de saúde".

Nome do filme citado no conto acima é:
(Assassinos por Natureza. Filme policial satírico de 1994 dirigido por Oliver Stone, com roteiro de Quentin Tarantino e estrelando Woody Harrelson e Juliette Lewis)
Fonte: Wikipédia

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

...Se Ao Menos Eu Tivesse Um Taco De Baseball...




..Se ao menos eu tivesse um taco de baseball...

Eu atacaria sua costela sem remorso....

..Se ao menos eu tivesse um taco de baseball...

Eu, sem piedade, arruinaria toda sua mandíbula....

..Se ao menos eu tivesse um taco de baseball...

Quebraria sua cara inteira....

..Se ao menos eu tivesse um taco de baseball...

Arrebentaria em uma só paulada a nuca dessa mocinha que não para de falar ao meu lado...

..Se ao menos eu tivesse um taco de baseball...

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Dona Maria, Espectadora Do Meu Copular





















Para Bee

Meu Chevelle '71 estava em primeira marcha. Eu o conduzia bem devagar pela rua semi iluminada para encontrar a casa da Beth. Casa amarela com o vaso de violetas na janela da frente.
Já passava das onze da noite de uma quinta feira. Dia seguinte seria um feriado, mas não sei de qual. Não me apego mais a essas coisas fúteis. Já sou um desocupado por opção. Você caro leitor, que lê este conto, você sim, deve se ocupar com feriados prolongados.
Ainda estava em primeira marcha, quando acendi a luz no teto do carro para conseguir ler o endereço no papel minúsculo que peguei do bolso da camisa. Comecei a comparar os números das casas.
98....não....115...humm, não.....123....também não....145....opa, achei!
Estacionei bem na frente da casa amarela com um vaso de violetas decorando a janela frontal. Do jeitinho que ela havia tido ao telefone.
Coloquei em ponto morto, desliguei o carro e pulei fora. O cinto de segurança veio junto.
Levantei, dei aquela esticada com os braços para cima, (como Rocky Balboa), só havia eu naquela rua semi iluminada.
Como estava um bocado frio, ao expirar, fumacinhas saiam de minha boca.
Joguei o cinto de volta, ele bateu no painel, tirou uma lasca. "Merda", eu disse.
Bati a porta e acionei o alarme.
Caminhando até a porta principal, tirei um drops de menta do bolso da calça e masquei. A fumacinha continuava a sair.
Em frente à sua casa, levantei um pouco as calças, pus os cabelos pra trás e toquei a campainha.
Segundos depois, Beth aparecia com seu vestido preto e seu decote em V com tudo aquilo saltando pra fora.
-Nossa Senhora!! você está espetacular mulher!! - disse ao  olhar de cima a baixo.
Beth pegou minha mão, me puxou ferozmente pra dentro de casa, quase não consigo mas fechei a porta com calcanhar.
Ela estava sedenta de prazer.
-Hummm...Hummm, vai com calma nenêm! - eu disse entre um beijo e outro.
Me beijava de todas as formas. Me puxava, me beliscava. Senti uma arranhada nas costas mas dei de ombros. Fomos de encontro ao sofá da sala.
Caímos no sofá de um jeito peculiar. Fiquei por cima.
Eu a beijava loucamente, seu pescoço cheirava rosas. Por toda parte, eu a pegava com vontade. Ela suspirava e ria ao mesmo tempo. Beth era espetacular.
Beth segurou meu colarinho, se distanciou do meu beijo, e sem hesitar, com o batom todo borrado nos lábios disse:
-Vamos AGORA para o quarto!
Claro! - disse.
Ela se levantou e se dirigiu até o segundo andar. No meio da escada ela parou e disse:
-Jô, pegue um vinhozinho para nós, enquanto subo para o quarto e te faço uma surpresa, ok?
Afirmei com a cabeça e fui até a cozinha.
Encima da mesa, havia uma garrafa de vinho tinto com duas taças.
Beth já deixara tudo pronto. Sempre me surpreendia.
Subi, fui até o quarto. Beth ainda estava no banheiro.
Abri o vinho com o abridor e servi as duas taças.
Enquanto isso, comecei desabotoar a minha camisa, tirei o cinto das calça, sentei na cama, tirei os cadarços dos sapatos. Só estava de cuecas e meias.
Me servi com o vinho e sentei na cama a espera de Beth.
Beth estava realmente irresistível com aquele espartilho completo negro.
Seu cabelo castanho encaracolado impecável me fazia desejá-la mais e mais.
Matei o que restava no copo, dei uma arrotadinha de canto de boca, enquanto ela vinha como uma tigresa até mim.
Nos deitamos, e depois de dez minutos de preliminares, eu a coloquei de quatro.
Após algumas bombadas, puxadas de cabelo, puxões, pegadas envolventes, ela se entregou de vez e acabou se soltando na cama macia modelo kingsize.
Dei mais algumas bombadas e a virei.
Ela de frente para mim, fazia eu enlouquecer. Ver seu rosto chegando ao ápice.
Comecei a bombar e a bombar. Estávamos com um puta tesão. O quarto pegava fogo. Nossos corpos começavam a suar naquele quarto de pouca luz, o desejo só aumentava.
Tudo ocorria naquele quarto com algumas velas para iluminar nossa paixão.
Me afogava naqueles cabelos castanhos encaracolados de matar.
Sem perceber, ao lado da cama, no criado mudo, reparei que havia uma Virgem Maria em uma base de madeira.
Era de porcelana, resina, gesso, sei lá. Ela estava virada para mim. Me olhava, sem parar.
Aquelas mãos juntas ao meio do peito e aquele rosto....e que rosto.
Por um momento, pensei que a Virgem Maria não pudesse ver tais coisas, que seria pecaminoso de minha parte. Minha atitude seria reprovada por ser um mal cristão.
Com certeza me castigaria por essa minha vontade somente carnal de possuir Beth. Mas Beth era responsável de hastear qualquer bandeira, sem exceção. E naquele dia, EU fincava minha bandeira!
Enquanto bombava e Beth gemia sem parar, olhei nos olhos de Dona Maria no criado mudo.
Era como se seu rosto dissesse a mim, "vai lá garoto, manda ver".
Em outras vezes, quando pegava nos cabelos encaracolados de Beth, e mandava vê de ladinho, seu rosto dizia, "Mas como você é pervertido".
Seu rosto dizia muitas coisas de diversas formas diferentes. Era difícil entender a mensagem divina.
"Homem horrível. Porque fazes isto com a moça?" Ela também dizia esse sermão.
Em outras posições, mais audaciosas, ela parecia dizer, "moçinho danado você heim?"
Beth era católica, devido aos quadros e inúmeras imagens por toda casa.
Será que ela é fanática? - Eu me perguntava.
Eu sei que estou além dessas coisas pré-concebidas, principalmente religiosas.
De qualquer forma, comecei a me incomodar com aquela situação entre a Dona Maria e eu.
Beth nem imaginava sobre nosso "estranhamento". Ela continuava a gemer e a enlouquecer. Seus cabelos encaracolados estavam me fazendo pirar, jogava seu cabelo de lá pra cá.
Eu estava enlouquecido e com toda aquela vontade.
Dona Maria, me observava sem parar.
Tentei por um momento fechar os olhos para não ter essa visão da Dona Maria, mas sem cogitação, Beth era escultural demais.
Sem aviso, puxei seus cabelos, ela veio até mim, e com seu rosto irresistível de desejo eu não hesitei.
-Vamos mudar de posição, benzinho-? - Perguntei lhe mordendo a orelhinha.
Beth virou-se e de joelhos mostrou-me toda aquela exuberância. Permaneci alguns instantes imóvel contemplando tal imagem. Mas logo, voltei a mim e com ferocidade coloquei pra dentro.
Fiquei por cima. Senti o calor, estava molhadinha.
Indo e vindo, pude ver toda aquela fartura bem na frente.
Sem ela perceber, peguei minha cueca que estava por ai e joguei encima da Dona Maria, além claro, de virá-la para a parede.
Não sei, se fiz certo ou não.
Minha querida vózinha sempre me ensinou a ter muito respeito pela Dona Maria e as imagens santas. Eu de certa forma, sempre temi aquela mulher imóvel no topo da estante.
Mas Beth estava lá, de costas pra mim, usando somente um arquinho de coelhinha e com toda aquela abundância disponível e eu só de meias. O que mais eu poderia fazer? O que você faria?
-
Logo depois da transa, Beth, com seus cabelos castanhos encaracolados foi ao banheiro tomar uma ducha.
-Já volto, Jô!
-Tudo bem, honey. - eu disse.
Ainda na cama, coberto pelo lençol, liguei a tv e troquei alguns canais. Olhei pro lado, e Dona Maria ainda estava com a cara pra parede e com aquele véu gigante na cabeça.
Voltei para tv e ri sem razão.
Aquela cueca era do dia e cheirava amaciante de roupas. Eu sabia o valor de toda aquela imagem. Eu jamais colocaria uma cueca de dias. Acredite, é sério.
Antes de Beth voltar pra cama, tirei rapidamente a cueca de cima de Dona Maria e a coloquei de frente.
Beth veio até mim com pulinhos de frio. Bati algumas vezes na cama pedindo que deitasse ao meu lado.
Na tv, passava um filme de ação, parecia ser bom...

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A Revista da Segunda Guerra





Hoje acordei cedo, lá pelas onze e meia. Tentei levantar mas percebi que estava travado de um lado. Minhas costas tinham ido pro bréjo.
Tentei levantar do outro lado da cama. Consegui.
Fui arqueado até a janela da sala para tomar um ar, mas quem disse que consegui.

"Ahh, tô na merda", quando percebi que não podia levantar os braços.

Me encostei na parede sem poder me mexer direito.

Estava sentindo a merda da idade acontecer pra mim. Sendo derrotado pela falta de cálcio ou não ter feitos exames de sangue no passado.
Deve ser o nervo ciático ou a lombar. Pensei

Tentei respirações profundas e quase engasguei. Virei o quadril de um lado a outro, mas uma vez já foi o bastante.
Até me sujeitei a "encaixar" a coluna no seu lugar esfregando minhas costas e minha bunda na parede. Sem sucesso.

Ao me esfregar na parede descascada, me começou a coçar as costas.
-Puta que pariu, hoje não.....maldição.... aí.....vai....mais um pouco.
mas o braço não alcançava.
 "Jesus, qualé.... me tire dessa". Dizia arrasado, as onze e trinta e oito da manhã.

Então, tentei uns alogamentos de pernas.
Eu sabia o que estava fazendo. Havia feito yoga nos tempos do guru dos Beatles.
Deu uma fisgada e destendi uma coxa.
"Mais que diabos", disse enquanto mancava só de um lado até o sofá.
Sentei com cuidado.
A cena era patética, ao me arrastar até meu caixão cor de vinho.

Sentei, me endireitei para trás e logo após um longo suspiro, fitei para o teto sem pintura e infiltração e me perguntei em voz alta: "porque senhor, porque eu?".

No criado mudo, ao meu lado, havia uma garrafa de vinho quase no fim.
A matei e permaneci com ela virada em minha boca com a esperança de que pudesse descer um pouco mais daquele suco de uva inofensivo.

Na mesinha da frente, havia uma revista do melhor da segunda guerra mundial.

Comecei a lembrar.
Na noite anterior, sonhei que estava na guerra. Havia tomado um tiro de raspão na bunda e outro no ombro. Estava sendo perseguido por dois doberman raivosos e sedentos por sangue.
Me esquivei no meio dos entulhos de alguma explosão local e permaneci imóvel até...
....bem, até acordar na mesma posição em minha cama.
os tiros na bunda e no ombro fizeram meus nervos das costas ficarem enrijecidos.
Éhh.... eu preciso parar de ler essas coisas a noite....me impressiono fácil.

Sir. Shakespeare, Me Tire Dessa!


















Pela milionésima tentativa, tento escrever um poema para minha amada. É dificil terminá-la, é difícil fazê-la.
Com umas, faço bolinhas de papel, com outras, simplesmente as rasgo e as jogo no meio do lixo.
Com outras, faço um aviãozinho daqueles que aprendemos no colégio, até elas cruzarem minha sala
e cair encima das minhas cuecas freadas.

Como será que os poetas fazem?
Queria que Shakespeare estivesse aqui para me dar uma mão
ou
Que Fernando Pessoa rabiscasse uma de suas piores linhas ou me desse uns macetes,
Isso já seria o bastante.

"Amor", "luz do meu viver", "desejos", "meu universo", "paixão" ?
Qual palavra usar? Como colocar tudo isso no papel?
Não consigo expressar em palavras o que sinto por aquela potranca,
E aí vai, mais uma folha para o cesto.

Faço um desenho na primeira folha, mas nunca fui desenhista,
Jogo mais uma fora.

Tento mais uma vez,
Palavras sutis e curtas. "Nada"!
Palavras complexas e longas. "Ahh Diabos"!
A caneta começa a falhar, a mão começa a doer,
E nada do poema para a potranca aparecer no papel.

Ahh, qualé Sir. Shakespeare,
Me tire dessa....

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Meus Adoráveis Chinelos




















Depois de acordar lá pelas onze e meia,
E com uma puta ressaca, me espreguiço de um lado a outro.
Fico como o homem vitruviano esparramado pela cama por alguns minutos.
É uma bela sensação, e nada me impede de soltar um peidinho de lado.

Sento na cama e olho em volta,
Todas as coisas ali no quarto, estão como deveriam estar.
Coloco meus chinelos e ainda bocejando, coço uma parte da bunda e vou até a sala.
Chego até a janela para puxar o ar poluído da cidade.

Do quinto andar, observo as coisas do alto.
As coisas de sempre, as coisas comuns do dia a dia,
Nada,
Acontece de espetacular lá pelas onze e trinta e quatro de um dia qualquer.

Lá de cima, olho para baixo.
Na rua, as pessoas andam descoordenadas umas das outras, parecem formiguinhas em torno de um formigueiro.
Os pombos fazem sujeira no telhado do vizinho da frente,
Ouço o som de um chihuahua latindo sem parar.

Um avião cruza o céu entre as nuvens,
Se forma imagens interessantes e engraçadas,
Tento até desvendar algumas delas, mas,
O sol arde minha cara, quando então, o tapo com uma de minhas mãos.

Me farto de toda aquela baboseira poética,
Me viro para dentro de casa,
O clarão ainda instalado em meus olhos,
Me faz tudo escuro por alguns segundos e tenho que esperar.

As paredes continuam descascadas.
A fechadura da porta por ser consertada.
Os lustres sujos pelo pó acinzentado,
e na mesa,
Garrafas vazias e os papéis rabiscados continuavam do mesmo jeito da noite anterior....
--
O comum, o fútil, se colocado no pedestal, tem algo a dizer.
Há de se prestar atenção ao comum, ao banal.
Quando olhar para ele, se mostrará à você de outra forma.
Tente!

Meu Boné Alaranjado Verde

 

Jack entrou no recinto e eu ja fiz cara de desaprovação.
É um cara que fala pelos cotovelos, fala muito, gosta de tirar vantagem, além de parecer ter a idade mental de uma criança de cinco anos.
Ele brinca com cada um de nosso grupo. Ele fala do chapéu de um, do óculos engraçado do outro, do bigode mal aparado do terceiro ou julga a sexualidade do quarto.
Chegando na minha vez da roda, ele aponta para mim, e com um olho aberto e outro fechado diz:
-"Éééhhhhh, Jonas Green"!!
Agora vou foder com você, prepare-se"!- em pensamentos.
-Falaí Jack, o que manda meu? - Pergunto com um sorriso amarelado e cansado na cara!
-Estou bem, estou bem. - Respondeu me tocando ao ombro.
Não sei porque há caras que ainda nos toca quando mostramos à eles desnecessários tais laços.
Começou uma piada ali mesmo, e que pela qualidade da mesma eu creio que ele deva ter inventado ali mesmo ou quando estava no
trono da estação de trem tentando ser engraçado.
E eu desboquei.
-Cara, se afaste de mim" -eu o empurrei. Você é uma dor nas bolas com as pernas mal cruzadas, cara!
-Ei cara, calma Jonas!
-Saia daqui, antes que eu lhe meta a porrada, e lhe tire o coro como bacon....Vamos. Saia!
Jack ficou com cara de assustado e se foi sem menos olhar pra trás.
Semana seguinte, estava com os amigos da roda secando uns copos quando Jack apareceu.
Brincou com cada um, do mesmo jeito...da mesma maneira de sempre.
Chegando próximo a mim, ele já ia tirar um sarro do meu boné laranja e meu óculos verde, quando somente sorriu deu meia volta e se foi.
Eu continuava de braços cruzados.
As vezes, você tem de dar um basta para a boçalidade em sua volta...

sábado, 13 de julho de 2013

Liberdade é...
















Já estou velho, e digo à você,
O que é a liberdade.

Liberdade é...

Quando você fala o que bem entende sem se importar da merda que acontecerá,
Quando seu coração não está pressionado pelo abismo da negatividade,
Quando seus intestinos ainda funcionam,
Quando você sabe quem se é,
Quando você encontra na geladeira uma última lata de cerveja atrás do frango,
Quando você esmaga na palma da mão o maldito pernilongo que pairava sempre na sua orelha,
Quando você acende seu charuto no meio do seu quarto e a fumaça expelida, turva sua visão enquanto você vê um belo filme de Hitchcock.

Não quero poder,
Não quero ostentação,
Não quero carro importado,
Não quero poltrona de ouro,
Não quero sobrado.

O que quero, é somente minha gaita, minha máquina de escrever, meu jogo de damas, meu whisky e umas tetinhas para chupar de vez em quando...
Essa, é a verdadeira liberdade!!

Sei bem como é a sensação de liberdade.
É você arrotar as tantas da madrugada no meio da sala e ouvir o eco estrondoso tomando conta do silêncio, até então impertubável,
É você andar pelo corredor do seu apartamento só de cuecas, enquanto você está prestes a soltar um daqueles, e você puxa a cueca para não freá-la,
É quando você degusta um belo charuto hondurenho em sua própria cozinha, enquanto esquenta a pizza no microondas.
É quando uma bela garota lhe fita os olhos e diz "eu te amo".

Isso é liberdade.
O resto,
É física nuclear para analfabetos!

O irônico, é que enquanto você ostenta poder, glórias e riqueza,
Sentado em minha cadeira de praia no meio da sala,
Vejo na minha tv de 14 polegadas, a noticía de você sendo sequestrado por malandros sedentos pelo seu sucesso.
Levanto o copo à você ... enquanto dou uma roçada nas bolas...


Imagem tirada do filme - Sonho de Liberdade
Tim Robbins e Morgan Freeman - 1994
Este filme mudará sua existência

terça-feira, 2 de julho de 2013

Giz de Cera




Quase sempre acontecem coisas bizarras em minha vida, na vida da Thiffany, na vida da chupadora de pinto de macaco e de qualquer bípede que tenha ou ainda ande nesse grão de terra suspenso no meio do nada.
Merdas acontecem, claro!
O que seria do mundo se não tivessem pintado a história com um pouco de merda?
Somente alguns admiram tal obra de arte.
Mas nada, chega perto da história que ouvi da querida Marie. Uma garota sensível, com belos melões, simpática e sem limites. Ela é minha vizinha no prédio. Seu fígado devia já estar na merda.
Eu que ensinei a beber.
Me deve muito essa pequena potranca.

Aconteceu dias atrás quando tive que encontrar meu editor no bar. Bebemos alguns copos e ríamos a toa. Assinei o contrato.
Com isso, já começava a entregar na próxima semana mais contos para as revistas de merda que nunca leio.
Meu editor bebe socialmente, então só conseguiu beber dois copos e logo se foi.
Levantei e fui até o balcão. Pedi meu Jack Daniels com duas pedrinhas de gelo e na jukebox coloquei uma boa música enquanto ia para o fundo do boteco comemorar mais uns meses de trabalho duro.
Se você caro leitor, quiser saber qual é a música que escolhi, abra em seu youtube enquanto se deleita no restante da história. ;-) "P.s. Deixe o som no repeat".
http://www.youtube.com/watch?v=k4VFFBCa5Aw

...estava eu no fundo do bar, quando tive o primeiro contato com Marie. Ela chegara toda torta, cambaleando pela porta da frente de um lado a outro.
Logo me avistou e veio até mim. Sentou ao meu lado.
-Olá, Marie, como está? -Perguntei.
Pedi uma vodka para ela.
-Ow, Jonas, obrigado pela vodka. -Estou bem, cara. Ela respondeu.
-Mesmo? Hummm...Não parece. Vai, desembucha.- disse.
Uma garotinha com belos melões de vinte e três anos não pode com um velho berebento de quase oitenta, né?
-Tá, tudo bem, Jonas, eu conto. -Ela arrotou e começou a contar a tal história.
-Final de semana fui ver meu namorado e já estamos a um bom tempo juntos e pensei em dar meu anelzinho pra ele, sabe?
-Hum. - dizia tomando mais um gole.
-Minhas amigas me deram a maior força e me disseram que isso não é o fim do mundo.
Decidi fazer isso, porque percebo que ele está descontente comigo, sabe? Ele parece não estar mais com vontade...não sei. Acho que sou eu, a culpada. Eu o amo e quero fazê-lo feliz. Então decidi dar meu anelzinho pra ele ficar feliz de novo.
-Hum. - dizia tomando mais um gole.
-Esse final de semana, nos vemos na casa dele. Estávamos só nós dois.
Começamos as preliminares na sala e logo já estava eu toda molhada e corremos para o quarto.
-Hum. -Loyd, mais um Jack Daniels, por favor. - Continue Marie.
-Mais uma vodka, Loyd. Obrigado.
-Bem, chegou uma hora, que ele bombava e bombava sem parar mas não gozava de jeito nenhum.
Percebi que aquela insatisfação havia chego. Ele continuava a bombar e a bombar, e nada.
Ele sabia que eu não gostava lá atrás, já havia dito algumas vezes, que eu tinha medo, e ele sempre me respeitou. Mas acho que tinha chego a hora de dar um presente para meu amor...e decidi dar lá atrás.
-Hum. - dizia tomando mais um gole.
-Enquanto ele tava até suando de tanto bombar, disse ao ouvido:
-Quer atrás, amor?
Ele olhou surpreso e disse:
-Sério, Marie?
-Sim meu bem, tudo pra animar você. - disse sorrindo.
-Meu deus Marie, eu quero. Quero sim.
-Então vamos meu bem. - Sorri novamente.
Ele levantou e foi até a sala. Pensei que ele iria pegar algum estimulante ou algo do tipo.
Mas ele começou a demorar e a demorar.
-Querido, tudo bem? -Perguntei receosa.
-Sim, sim. Estou procurando uma coisa pra nos ajudar... - Ele disse. -Aqui! Achei!
Eu estava animada, percebia a alegria na voz dele. Mas ele me apareceu com um estojo nas mãos.
"O que ele quer fazer comigo?" - Eu pensava.
-Hum. - dizia tomando mais um gole.
Mas não havia problema, eu o amava e faria qualquer coisa.
-E aê amor? Vamos fazer? -Perguntei passando minhas mãos em meu corpo.
-Sim, só um minuto. Só um minuto.-Ela respondia olhando fixamente para dentro do estojo cheios de lápis de cor.
-Sim amor. -Respondi.
Puxou um lápis amarelo do estojo e disse.
-Aqui, achei. - disse ao voltar para a cama.
-Tá...mas o que você quer fazer comigo com esse lápis, meu amor? - perguntei.
-Eu não...Você que vai fazer. - ele respondia com um sorriso estampado no rosto.
-O quê?- Perguntei.
Ele do nada, ficou de quatro na minha frente e disse.
-Toma, vai... pega esse lápis e enfia bem fundo.
Eu não podia acreditar, meu namorado estava com o cu apontado pra minha cara??
Balançava o lápis amarelo pra mim.
-Vamos.Vamos, benzinho. Vamos. - dizia com aquela vontade imensa.
Não sei o quê, como, ou porquê, mas peguei o lápis da mão dele, e então, introduzi  d-e-v-a-g-a-r, o lápis em seu ânus. Ele abraçava com fervor meu travesseiro da Minnie.
-Ahh, Marie...ow meu deus....enfia isso vai......Enfia tudo. Ahhh!! - Ele gemia como uma putana.
-Tá...tá bom...tô enfiando. - dizia sem conseguir entender o do porque estar ali fazendo aquilo.
-Ahhh...Marie...isso!!! Enfia esse lápis 8B em mim, vai....

(Dois minutos depois)

-Ai Marie, rápido. Pega aquele giz de cera ali...ui...ali, ali....o maior....no estojo do meu sobrinho, vai...huuu...esse aí, isso!

(Dia seguinte)

Todas minhas amigas estavam em volta de mim perguntando como tinha sido a noite anterior:
-E aê Marie, como foi?
-Você gozou?
-Você gostou lá atrás?
-Nos conte!!
-Eu olhava fixamente para elas e só podia responder uma coisa:
-Ele até pediu água! Usei a metade da caixa do giz de cera do sobrinho dele. -Respondi não tanto entusiasmada.
Todas elas estavam enlouquecidas.
-Nossssssa amiga!!! Tudo isso?!?
-Amiga, com você, nenhuma de nós podemos heim?
-Que sede ao pote, Marie!?
-Pra quem não queria liberar atrás, você se superou heim?
Dei um sorrisinho de canto e fomos para a aula.

Depois de Marie contar esta bela história e dormir na mesa do bar, subi para casa e escrevi este poema...

Inferninho














Eu estava entendiado. Thiffany estava na casa da engolidora de pirú já fazia três dias. Eu estava sem contos pra escrever e meu goró estava por um fio.
Precisava transar, sei lá...A punhetinha já não me servia mais...Até me prestava a essa boçalidade por algumas vezes mas quando chegava em certo ponto, eu me via em volta daquela cena patética e logo desistia como um fracassado. Me via naquele banheiro sozinho, e com o pirú na mão me sentia arrasado...sempre ficava no "se"....sempre no "se".... nunca tinha ânimo pra chegar ao cume da auto-satisfação.
Meus canais estavam entupidos e resolvi ir ao puguêro para liberar a tensão.
Estava afim de gelar o saco em algum muquifo por aí. No Inferno por exemplo. Havia várias queba pinto por lá.
Chegando no Inferno, de longe, reconheci uma amiga minha religiosa que estava parada no ponto de ônibus.
Um maldito ponto de ônibus bem do lado da casa do prazer. - pensei.
Não pude me esquivar, não havia nada que pudesse esconder a minha cara de putão e continuei a andar.
Quase consegui entrar, quando ela me chamou:
-Oi Jonas, tudo bem? Sou eu, a Elly!
-Oi, Elly, como está? - Respondi já olhando para o chão.
-Ótima, e você? Onde estava indo?
Ela olhava para mim com os olhos semi cerrados, pois o letreiro em letras garrafais escrito "INFERNO", praticamente a cegava.
-E...u?- Gaguejei para responder.
-Você iria entrar aí? - Ela apontava o dedo para a casa do prazer, enquanto sua cara de desaprovação me remetia ao mais tenso temor.
-Eu? Nãão...não...Vou pegar esse ônibus. - respondi já com uma sensação de ter feito merda.
-Ahh tá. Mas você não morava na zona norte? Esse ônibus vai para o extremo sul.
-Sim...não...é que eu me mudei.
-Ahhh, que legal. Qual bairro, Jonas?
-Bairro...?
Eu não sabia o que responder a ela. Suas perguntas estavam me cercando cada vez mais.
-Não lembro o nome Elly.
Ela me olhava com aquela cara de:

"Ei, qualé cara! Sei que você vai entrar aí para trepar. No mínimo, seja homem e diga que você é um frouxo e incapaz de conseguir garotas sem pagar".

Não sei como, mas conseguia ler tudo isso só de olhar pra ela....e o pior, e não sabia até então, que o ônibus dela só chegava de uma em uma hora.
O tempo passava e nada daquele maldito ônibus aparecer. Eu não sabia mais o que fazer.
Ficar? Entrar?
Tive uma ideia de chamar um táxi para ela, dizendo que seria um prazer ajudá-la, pois já estava um pouco tarde e blá, blá. Mas lembrei que meu dinheiro estava contado somente para meia horinha. Não poderia gastá-lo assim. Pois, só me restariam uma cerveja e umas passadas nas coxas, além dos papos furados....
...Mas isso foi o que aconteceu.
Ela se foi de táxi com meu dinheiro, enquanto me senti um total fracasso no meio das garotas mais belas do Inferno. Nem o capeta viria pagar minha brincadeirinha suja e libertina.
Não seria aquela noite que eu chegaria ao cume e fincasse minha bandeira em uma bela CASA DO CARALHO.

A Privada Desarranjada
















Eu dormia de bruços, e diversas vezes acordava com o zunido de um maldito mosquito que constantemente me atormentava. Virava de um lado a outro na cama mas de nada adiantava.
Ao se movimentar diversas vezes, percebi que estava sozinho na cama. Em pensamentos, fiquei feliz por não ter que permanecer só de um lado de conchinha. Ao contrário, me esparramei por todo o colchão.
Thiffany havia saído. Mas para onde? Não sei, e também nem estava preocupado. Meu sono estava muito mais interessante.
Estive com uma maldita insônia nas noites anteriores por causa de misturas ilícitas e medicinais que tive que misturar para terminar alguns trabalhos pela madrugada afora. Então, a única coisa que restava a mim, era uma boa e desejada noite de sono.
Além do mosquito, um barulho vindo do banheiro sempre me acordava.
Aquela privada estava com problemas e já fazia um bom tempo.
--
Já se passava do meio dia e eu ainda permanecia na cama, continuava com sono, mal conseguia dormir por causa da privada e o maldito mosquito que continua a me atormentar.
Então, sem nenhuma vontade, mas pela obrigação, me levantei e com a bunda arrastada pelo chão fui até o banheiro resolver de uma vez por todas essa merda.
Levantei a tampa, apertei umas duas ou três vezes, ela respondeu prontamente. Tirei a tampa da caixa de descarga, a bóia estava normal, o nível da água estava correto e nenhum barulho aparente.
Pensei por um instante que Thiffany devia ter arrumado. Pois bem, era uma coisa a menos para eu me preocupar.
Voltei rastejando até a cama e voltei a deitar.
Minutos depois fui acordado novamente, mas o som foi muito mais forte e mais perto.
Percebi então, que não era a privada que estava desarranjada, e sim o meu ronco que estava me acordando. "Mais que merda", pensei.
Eu roncava como um motor em ignição, devido a falta de sono das noites anteriores.
Então, resolvi colocar meu bucal para que meus lábios não ficassem frouxos.
Assim, voltei a dormir como um neném....
...Foi bom retornar ao sono olhando para o filho da puta do mosquito estraçalhado na palma da minha mão.

Uma Cagada Daquelas














Quando eu era mais garoto, uns cinquenta anos atrás, eu e meus amigos frequentávamos um boteco do bairro chamado O Pescador.
O nome desse boteco se dava pelo simples fato que havia diversas coisas que lembrava o mar.
Remos velhos e caindo aos pedaços pregados na parede, quadros em referência aos mares, uma foto em preto e branco de um velho barbudo que nem imaginava de quem seria, um quadro de uma baleia branca e um pôster bem em frente a sala de sinuca de o Lobo do Mar de Jack London, um romance sobre um ditador dos mares, temido até pelo seus piratas. Um grande clássico da literatura mundial.
Além claro, do senhor Maresia. O dono do boteco, que sempre estava com seu gorro verde.
O ambiente era agradável, bacana e fervia a partir das dez da noite. Mas uma coisa que ninguém aceitava e fazia jus ao nome que tinha, era a sua limpeza, ou melhor dizendo, a falta dela.
Parece que fedia a bacalhau aquele lugar. Dificilmente se usava o banheiro daquele lugar. Somente se tivesse que usar para o número dois. E esse era o grande problema.
Havia mendigos que usavam o banheiro do boteco em altas horas e faziam uma grande obra de arte por ali. Os bêbados de plantão também faziam sua arte.
Uma noite, um de meus amigos, chamado Dinho já um pouco alto, disse pra todos na mesa que iria usar o banheiro para fazer o número dois. Começamos a rir, mas logo paramos quando ele se levantou e foi para o fundo do bar à porta a esquerda.
Eu mesmo já visitei aquele lugar sombrio uma vez. Era um lugar que você tem de ser literalmente um ninja. Pois você precisa de destreza e coordenação para segurar a camisa para nao sujar de bosta,
segurar a calça para não se rastejar naquele chão imundo e pela lateral da privada, permanecer agachado sem encostar a parte posterior da coxa na na orla do vaso, segurar a porta quase em pedaços sem trinco com a cabeça e prender a respiração para aguentar todo aquele cheiro de merda no ar.
Minutos depois, aquele mesmo mendigo que sempre batia ponto no banheiro do boteco, se encaminhou até lá onde Dinho estava. Começamos a rir, pois sabíamos que daria merda.
Um de nossos amigos que estava do lado de fora, veio até nós e disse:
-Caras, o mendigo veio fazer o número dois. Falou para todo mundo lá fora. Disse que tá apertado.
De onde estávamos dava pra ver o mendingo tentando abrir a porta. A porta batia e voltava, batia e voltava.... e o mendigo tentava abrir com o ombro também... e dizia, "abre aê....abre aê..."
Eu sabia que Dinho de lá de dentro, recebia várias portadas na molera. Ele alí devia estar em apuros.
Ele tentou denovo, a porta batia e voltava, olhou para os lados sem entender nada, e não parava de dizer,  "abre aê....abre aê...quero cagar".
Logo depois, só podíamos ouvir Dinho gritando de lá do banheiro,
"EU TÔ CAGANDO, POOOORAAA"
O mendigo logo foi pra trás com o susto que recebeu.
Ríamos sem parar.
Quando Dinho saiu, o mendigo entrou no banheiro sem perder tempo.
Logo veio até nós e disse com a maior cara de pau:
-Cagaram feio naquele banheiro heim, caras!
Eu podia ver um rastro na camiseta dele quando sentou conosco, mas nem disse nada...na verdade, nem precisei , o cheiro logo começava a estalar.
Um minuto depois, já estávamos descendo a rua em busca de outro boteco, Dinho já estava sem a camiseta.

Dedicado à mudo

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A Merda do Panfleto no Bolso do Paletó














Ao chegar pela manhã em casa bêbado, cansado e desnorteado, joguei meu paletó no sofá e fui para a cama sem ao menos tirar os sapatos. Durmi como um urso em hibernação.
Como se tivesse passado dez minutos, Acordei com Thiffany aos berros.
-Que porra é essa Jonas???
 Sentei na cama, esfregando as mãos nos olhos sem saber o que fazer.
- O quê? Como assim? - eu disse.
Que panfleto é esse?
Thiffany fiscalizava os bolsos do meu paletó enquanto falava.
-Nada...! - respondi.
- Como assim nada? - Thiffany dizia puta da vida.
-Deixa eu ver...me dê!
-Não minta pra mim heim seu frouxo.
Comecei a lê-lo.
-Erhh...Patricia Bolt... sexta a noite no "All Big Pussy Club"... a partir das 23:00?
Fiquei em silêncio enquanto ela olhava paralisada para mim. Ela parecia que ia arrancar minhas bolas.
-Mas que porra é essa Jonas? Você está me traindo seu monte de merda?
-Calma meu bem.
-Calma é o cassete! Me diga que merda de panfleto é esse?
-Eu não sei.
-Como você não sabe? Encontrei essa merda de panfleto no bolso do seu paletó. Ontem, você disse que ia para uma entrevista de emprego
-Não...não é nada disso.
-Então que porra está acontecendo aqui? E não minta para mim Jonas. -Thiffany estava quase babando de tanta raiva. - Me conta tudo, porque senão, vou cortar algo que te fará falta pra sempre.
Pelo tom de voz, deduzi que ela faria algo parecido do que havia dito.
-Benzinho....que isso? Não faria isso né?
Thiffany me olhava com as sobrancelhas altas e com as duas mãos na cintura.
Ela não parecia estar brincando.
Então comecei a explicar.
-Não fiz nada. Estava em uma reunião com meu futuro gerente e um amigo dele, como havia te dito. Começamos a conversar e tal, ele me pagou uma bebida, fumei um charuto, o outro pediu um martini e o cara ficou a tomar vinho seco. Começamos a conversar sobre negócios, amor.
-Mas isso...não explica o panfleto em seu paletó, Jonas?
-Ahhh, querida...aquele amigo do meu gerente, é um empresário do sexo, ele tem vários móteis e casas noturnas pela cidade. Ele me explicou um pouco. Aquela moça fez um show ontem. Ele só me deu o panfleto e guardei no bolso do paletó benzinho.
-Mas....
-Mas o quê benzinho? - A silenciei dando-lhe um abraço acolhedor. - Escute baby. Estou cansado, vamos tomar uma ducha vai...Estou louco por um banho e quero você massageando minhas costas.
-Ah benzinho, ow... desculpe. vamos então!
Comecei a tirar a roupa e colocar no cesto de roupas, enquanto Thiffany já estava no chuveiro.
Mas percebi que eu estava sem cueca. Onde estava minha cueca?- pensei.
Entrei no box e comecei a dizer "ouw...esta quentinha".
Esfregando suas costas com a bucha de banho, tentava lembrar onde diabos tinha deixado minha cueca, e somente um lugar me vinha a mente.
"All Big Pussy Club".
A casa onde você esquece seus ovos e deixa para fritar em algum quarto pago por ai....


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Um Feliz Ano Novo










-Meia noite !!!
-FELIZ ANO NOVO!!
-Aêêê!!!
A galera está em êxtase. Todos gritam, pulam e se divertem com a virada de ano!
-Felicidades!!!
-"Feliz Ano Novo!!"- todos gritam.
Uma amiga abre uma garrafa e dá aquela bela golada.
Eu, abro uma garrafa de vinho e viro até a metade. Tudo para comemorar essa data.
A rolha da minha garrafa guardo em meu bolso.
-Porque você guarda a rolha no bolso, Jonas? -minha amiga pergunta.
-Para dar sorte, ué!
-Sorte?
-Sim, onde eu for, a rolha irá me guiar. Aprendi isso com meu velho pai!
-Ah, tudo bem. -Vamos abrir outra garrafa?
-Simmm. -Respondi.
Bebemos tanto, mas tanto, que meus bolsos já estamos cheios de rolhas.
A festa só tinha começado. Outras pessoas chegaram e trouxeram mais garrafas.
Bebidas que eu nem ao menos sabia identificar quais eram.
A festa estava tomada por pessoas insanas....e eu estava no meio.
Uns bebiam, outros vomitavam nas valas, outros se abraçavam em um amor quase fraternal, era quase uma suruba social.
Era lindo de ver toda aquela alegria entre estranhos e parentes de terceiro grau.
Eu tentava processar toda aquela situação mas meu cérebro estava lento. Desejava de todas as formas acelerar o processo, mas meus movimentos eram totalmente limitados....e era aí, que eu me perdia no que estava fazendo.
Estávamos festejando o ano novo, cara. Não tinha festa maior para celebrar. Não tinha o "não" em nossas vidas.
Pegamos o carro e as cornetas, fizemos barulho por toda a cidade.
Fiquei sem voz de tanto gritar pelas ruas frias da madrugada. A dor no pescoço, foi de tanto balançar a cabeça de um lado a outro.
Bebi tanto que apaguei antes de testemunhar o final da festa.

Buzinamos em lugar proibido, atrapalhamos a ordem pública, fizemos danos irreparáveis devido aos cacos de vidros das garrafas, além claro, de eu ter desacatado um policial.
Isso tudo, em minha primeira noite de um ano novo!
Isso foi o que me disseram quando me encontraram no dia seguinte. 

Mas antes disso, acordei da  maldita bebedeira.
É muito estranho acordar com os fogos de artifício e estar com uma puta ressaca e perceber que na realidade, você está dormindo no chão de uma cela de cadeia, todo mijado da cintura pra baixo e sem nenhuma perspectiva de saída, junto com outros vinte presos.
Isso é o que acontece quando você não tem limites, vinte anos na cara e sem um puto no bolso.

Esse pessoal da cadeia é realmente intrigante e perigoso, mas consegui distraí-los.
Graças ao meu pai que me ensinou mágicas com rolhas de garrafas.
As inúmeras rolhas do meu bolso, realmente me deram sorte em meu primeiro dia do ano.
Feliz Ano Novo!