quarta-feira, 17 de julho de 2013

A Revista da Segunda Guerra





Hoje acordei cedo, lá pelas onze e meia. Tentei levantar mas percebi que estava travado de um lado. Minhas costas tinham ido pro bréjo.
Tentei levantar do outro lado da cama. Consegui.
Fui arqueado até a janela da sala para tomar um ar, mas quem disse que consegui.

"Ahh, tô na merda", quando percebi que não podia levantar os braços.

Me encostei na parede sem poder me mexer direito.

Estava sentindo a merda da idade acontecer pra mim. Sendo derrotado pela falta de cálcio ou não ter feitos exames de sangue no passado.
Deve ser o nervo ciático ou a lombar. Pensei

Tentei respirações profundas e quase engasguei. Virei o quadril de um lado a outro, mas uma vez já foi o bastante.
Até me sujeitei a "encaixar" a coluna no seu lugar esfregando minhas costas e minha bunda na parede. Sem sucesso.

Ao me esfregar na parede descascada, me começou a coçar as costas.
-Puta que pariu, hoje não.....maldição.... aí.....vai....mais um pouco.
mas o braço não alcançava.
 "Jesus, qualé.... me tire dessa". Dizia arrasado, as onze e trinta e oito da manhã.

Então, tentei uns alogamentos de pernas.
Eu sabia o que estava fazendo. Havia feito yoga nos tempos do guru dos Beatles.
Deu uma fisgada e destendi uma coxa.
"Mais que diabos", disse enquanto mancava só de um lado até o sofá.
Sentei com cuidado.
A cena era patética, ao me arrastar até meu caixão cor de vinho.

Sentei, me endireitei para trás e logo após um longo suspiro, fitei para o teto sem pintura e infiltração e me perguntei em voz alta: "porque senhor, porque eu?".

No criado mudo, ao meu lado, havia uma garrafa de vinho quase no fim.
A matei e permaneci com ela virada em minha boca com a esperança de que pudesse descer um pouco mais daquele suco de uva inofensivo.

Na mesinha da frente, havia uma revista do melhor da segunda guerra mundial.

Comecei a lembrar.
Na noite anterior, sonhei que estava na guerra. Havia tomado um tiro de raspão na bunda e outro no ombro. Estava sendo perseguido por dois doberman raivosos e sedentos por sangue.
Me esquivei no meio dos entulhos de alguma explosão local e permaneci imóvel até...
....bem, até acordar na mesma posição em minha cama.
os tiros na bunda e no ombro fizeram meus nervos das costas ficarem enrijecidos.
Éhh.... eu preciso parar de ler essas coisas a noite....me impressiono fácil.

Sir. Shakespeare, Me Tire Dessa!


















Pela milionésima tentativa, tento escrever um poema para minha amada. É dificil terminá-la, é difícil fazê-la.
Com umas, faço bolinhas de papel, com outras, simplesmente as rasgo e as jogo no meio do lixo.
Com outras, faço um aviãozinho daqueles que aprendemos no colégio, até elas cruzarem minha sala
e cair encima das minhas cuecas freadas.

Como será que os poetas fazem?
Queria que Shakespeare estivesse aqui para me dar uma mão
ou
Que Fernando Pessoa rabiscasse uma de suas piores linhas ou me desse uns macetes,
Isso já seria o bastante.

"Amor", "luz do meu viver", "desejos", "meu universo", "paixão" ?
Qual palavra usar? Como colocar tudo isso no papel?
Não consigo expressar em palavras o que sinto por aquela potranca,
E aí vai, mais uma folha para o cesto.

Faço um desenho na primeira folha, mas nunca fui desenhista,
Jogo mais uma fora.

Tento mais uma vez,
Palavras sutis e curtas. "Nada"!
Palavras complexas e longas. "Ahh Diabos"!
A caneta começa a falhar, a mão começa a doer,
E nada do poema para a potranca aparecer no papel.

Ahh, qualé Sir. Shakespeare,
Me tire dessa....

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Meus Adoráveis Chinelos




















Depois de acordar lá pelas onze e meia,
E com uma puta ressaca, me espreguiço de um lado a outro.
Fico como o homem vitruviano esparramado pela cama por alguns minutos.
É uma bela sensação, e nada me impede de soltar um peidinho de lado.

Sento na cama e olho em volta,
Todas as coisas ali no quarto, estão como deveriam estar.
Coloco meus chinelos e ainda bocejando, coço uma parte da bunda e vou até a sala.
Chego até a janela para puxar o ar poluído da cidade.

Do quinto andar, observo as coisas do alto.
As coisas de sempre, as coisas comuns do dia a dia,
Nada,
Acontece de espetacular lá pelas onze e trinta e quatro de um dia qualquer.

Lá de cima, olho para baixo.
Na rua, as pessoas andam descoordenadas umas das outras, parecem formiguinhas em torno de um formigueiro.
Os pombos fazem sujeira no telhado do vizinho da frente,
Ouço o som de um chihuahua latindo sem parar.

Um avião cruza o céu entre as nuvens,
Se forma imagens interessantes e engraçadas,
Tento até desvendar algumas delas, mas,
O sol arde minha cara, quando então, o tapo com uma de minhas mãos.

Me farto de toda aquela baboseira poética,
Me viro para dentro de casa,
O clarão ainda instalado em meus olhos,
Me faz tudo escuro por alguns segundos e tenho que esperar.

As paredes continuam descascadas.
A fechadura da porta por ser consertada.
Os lustres sujos pelo pó acinzentado,
e na mesa,
Garrafas vazias e os papéis rabiscados continuavam do mesmo jeito da noite anterior....
--
O comum, o fútil, se colocado no pedestal, tem algo a dizer.
Há de se prestar atenção ao comum, ao banal.
Quando olhar para ele, se mostrará à você de outra forma.
Tente!

Meu Boné Alaranjado Verde

 

Jack entrou no recinto e eu ja fiz cara de desaprovação.
É um cara que fala pelos cotovelos, fala muito, gosta de tirar vantagem, além de parecer ter a idade mental de uma criança de cinco anos.
Ele brinca com cada um de nosso grupo. Ele fala do chapéu de um, do óculos engraçado do outro, do bigode mal aparado do terceiro ou julga a sexualidade do quarto.
Chegando na minha vez da roda, ele aponta para mim, e com um olho aberto e outro fechado diz:
-"Éééhhhhh, Jonas Green"!!
Agora vou foder com você, prepare-se"!- em pensamentos.
-Falaí Jack, o que manda meu? - Pergunto com um sorriso amarelado e cansado na cara!
-Estou bem, estou bem. - Respondeu me tocando ao ombro.
Não sei porque há caras que ainda nos toca quando mostramos à eles desnecessários tais laços.
Começou uma piada ali mesmo, e que pela qualidade da mesma eu creio que ele deva ter inventado ali mesmo ou quando estava no
trono da estação de trem tentando ser engraçado.
E eu desboquei.
-Cara, se afaste de mim" -eu o empurrei. Você é uma dor nas bolas com as pernas mal cruzadas, cara!
-Ei cara, calma Jonas!
-Saia daqui, antes que eu lhe meta a porrada, e lhe tire o coro como bacon....Vamos. Saia!
Jack ficou com cara de assustado e se foi sem menos olhar pra trás.
Semana seguinte, estava com os amigos da roda secando uns copos quando Jack apareceu.
Brincou com cada um, do mesmo jeito...da mesma maneira de sempre.
Chegando próximo a mim, ele já ia tirar um sarro do meu boné laranja e meu óculos verde, quando somente sorriu deu meia volta e se foi.
Eu continuava de braços cruzados.
As vezes, você tem de dar um basta para a boçalidade em sua volta...

sábado, 13 de julho de 2013

Liberdade é...
















Já estou velho, e digo à você,
O que é a liberdade.

Liberdade é...

Quando você fala o que bem entende sem se importar da merda que acontecerá,
Quando seu coração não está pressionado pelo abismo da negatividade,
Quando seus intestinos ainda funcionam,
Quando você sabe quem se é,
Quando você encontra na geladeira uma última lata de cerveja atrás do frango,
Quando você esmaga na palma da mão o maldito pernilongo que pairava sempre na sua orelha,
Quando você acende seu charuto no meio do seu quarto e a fumaça expelida, turva sua visão enquanto você vê um belo filme de Hitchcock.

Não quero poder,
Não quero ostentação,
Não quero carro importado,
Não quero poltrona de ouro,
Não quero sobrado.

O que quero, é somente minha gaita, minha máquina de escrever, meu jogo de damas, meu whisky e umas tetinhas para chupar de vez em quando...
Essa, é a verdadeira liberdade!!

Sei bem como é a sensação de liberdade.
É você arrotar as tantas da madrugada no meio da sala e ouvir o eco estrondoso tomando conta do silêncio, até então impertubável,
É você andar pelo corredor do seu apartamento só de cuecas, enquanto você está prestes a soltar um daqueles, e você puxa a cueca para não freá-la,
É quando você degusta um belo charuto hondurenho em sua própria cozinha, enquanto esquenta a pizza no microondas.
É quando uma bela garota lhe fita os olhos e diz "eu te amo".

Isso é liberdade.
O resto,
É física nuclear para analfabetos!

O irônico, é que enquanto você ostenta poder, glórias e riqueza,
Sentado em minha cadeira de praia no meio da sala,
Vejo na minha tv de 14 polegadas, a noticía de você sendo sequestrado por malandros sedentos pelo seu sucesso.
Levanto o copo à você ... enquanto dou uma roçada nas bolas...


Imagem tirada do filme - Sonho de Liberdade
Tim Robbins e Morgan Freeman - 1994
Este filme mudará sua existência

terça-feira, 2 de julho de 2013

Giz de Cera




Quase sempre acontecem coisas bizarras em minha vida, na vida da Thiffany, na vida da chupadora de pinto de macaco e de qualquer bípede que tenha ou ainda ande nesse grão de terra suspenso no meio do nada.
Merdas acontecem, claro!
O que seria do mundo se não tivessem pintado a história com um pouco de merda?
Somente alguns admiram tal obra de arte.
Mas nada, chega perto da história que ouvi da querida Marie. Uma garota sensível, com belos melões, simpática e sem limites. Ela é minha vizinha no prédio. Seu fígado devia já estar na merda.
Eu que ensinei a beber.
Me deve muito essa pequena potranca.

Aconteceu dias atrás quando tive que encontrar meu editor no bar. Bebemos alguns copos e ríamos a toa. Assinei o contrato.
Com isso, já começava a entregar na próxima semana mais contos para as revistas de merda que nunca leio.
Meu editor bebe socialmente, então só conseguiu beber dois copos e logo se foi.
Levantei e fui até o balcão. Pedi meu Jack Daniels com duas pedrinhas de gelo e na jukebox coloquei uma boa música enquanto ia para o fundo do boteco comemorar mais uns meses de trabalho duro.
Se você caro leitor, quiser saber qual é a música que escolhi, abra em seu youtube enquanto se deleita no restante da história. ;-) "P.s. Deixe o som no repeat".
http://www.youtube.com/watch?v=k4VFFBCa5Aw

...estava eu no fundo do bar, quando tive o primeiro contato com Marie. Ela chegara toda torta, cambaleando pela porta da frente de um lado a outro.
Logo me avistou e veio até mim. Sentou ao meu lado.
-Olá, Marie, como está? -Perguntei.
Pedi uma vodka para ela.
-Ow, Jonas, obrigado pela vodka. -Estou bem, cara. Ela respondeu.
-Mesmo? Hummm...Não parece. Vai, desembucha.- disse.
Uma garotinha com belos melões de vinte e três anos não pode com um velho berebento de quase oitenta, né?
-Tá, tudo bem, Jonas, eu conto. -Ela arrotou e começou a contar a tal história.
-Final de semana fui ver meu namorado e já estamos a um bom tempo juntos e pensei em dar meu anelzinho pra ele, sabe?
-Hum. - dizia tomando mais um gole.
-Minhas amigas me deram a maior força e me disseram que isso não é o fim do mundo.
Decidi fazer isso, porque percebo que ele está descontente comigo, sabe? Ele parece não estar mais com vontade...não sei. Acho que sou eu, a culpada. Eu o amo e quero fazê-lo feliz. Então decidi dar meu anelzinho pra ele ficar feliz de novo.
-Hum. - dizia tomando mais um gole.
-Esse final de semana, nos vemos na casa dele. Estávamos só nós dois.
Começamos as preliminares na sala e logo já estava eu toda molhada e corremos para o quarto.
-Hum. -Loyd, mais um Jack Daniels, por favor. - Continue Marie.
-Mais uma vodka, Loyd. Obrigado.
-Bem, chegou uma hora, que ele bombava e bombava sem parar mas não gozava de jeito nenhum.
Percebi que aquela insatisfação havia chego. Ele continuava a bombar e a bombar, e nada.
Ele sabia que eu não gostava lá atrás, já havia dito algumas vezes, que eu tinha medo, e ele sempre me respeitou. Mas acho que tinha chego a hora de dar um presente para meu amor...e decidi dar lá atrás.
-Hum. - dizia tomando mais um gole.
-Enquanto ele tava até suando de tanto bombar, disse ao ouvido:
-Quer atrás, amor?
Ele olhou surpreso e disse:
-Sério, Marie?
-Sim meu bem, tudo pra animar você. - disse sorrindo.
-Meu deus Marie, eu quero. Quero sim.
-Então vamos meu bem. - Sorri novamente.
Ele levantou e foi até a sala. Pensei que ele iria pegar algum estimulante ou algo do tipo.
Mas ele começou a demorar e a demorar.
-Querido, tudo bem? -Perguntei receosa.
-Sim, sim. Estou procurando uma coisa pra nos ajudar... - Ele disse. -Aqui! Achei!
Eu estava animada, percebia a alegria na voz dele. Mas ele me apareceu com um estojo nas mãos.
"O que ele quer fazer comigo?" - Eu pensava.
-Hum. - dizia tomando mais um gole.
Mas não havia problema, eu o amava e faria qualquer coisa.
-E aê amor? Vamos fazer? -Perguntei passando minhas mãos em meu corpo.
-Sim, só um minuto. Só um minuto.-Ela respondia olhando fixamente para dentro do estojo cheios de lápis de cor.
-Sim amor. -Respondi.
Puxou um lápis amarelo do estojo e disse.
-Aqui, achei. - disse ao voltar para a cama.
-Tá...mas o que você quer fazer comigo com esse lápis, meu amor? - perguntei.
-Eu não...Você que vai fazer. - ele respondia com um sorriso estampado no rosto.
-O quê?- Perguntei.
Ele do nada, ficou de quatro na minha frente e disse.
-Toma, vai... pega esse lápis e enfia bem fundo.
Eu não podia acreditar, meu namorado estava com o cu apontado pra minha cara??
Balançava o lápis amarelo pra mim.
-Vamos.Vamos, benzinho. Vamos. - dizia com aquela vontade imensa.
Não sei o quê, como, ou porquê, mas peguei o lápis da mão dele, e então, introduzi  d-e-v-a-g-a-r, o lápis em seu ânus. Ele abraçava com fervor meu travesseiro da Minnie.
-Ahh, Marie...ow meu deus....enfia isso vai......Enfia tudo. Ahhh!! - Ele gemia como uma putana.
-Tá...tá bom...tô enfiando. - dizia sem conseguir entender o do porque estar ali fazendo aquilo.
-Ahhh...Marie...isso!!! Enfia esse lápis 8B em mim, vai....

(Dois minutos depois)

-Ai Marie, rápido. Pega aquele giz de cera ali...ui...ali, ali....o maior....no estojo do meu sobrinho, vai...huuu...esse aí, isso!

(Dia seguinte)

Todas minhas amigas estavam em volta de mim perguntando como tinha sido a noite anterior:
-E aê Marie, como foi?
-Você gozou?
-Você gostou lá atrás?
-Nos conte!!
-Eu olhava fixamente para elas e só podia responder uma coisa:
-Ele até pediu água! Usei a metade da caixa do giz de cera do sobrinho dele. -Respondi não tanto entusiasmada.
Todas elas estavam enlouquecidas.
-Nossssssa amiga!!! Tudo isso?!?
-Amiga, com você, nenhuma de nós podemos heim?
-Que sede ao pote, Marie!?
-Pra quem não queria liberar atrás, você se superou heim?
Dei um sorrisinho de canto e fomos para a aula.

Depois de Marie contar esta bela história e dormir na mesa do bar, subi para casa e escrevi este poema...

Inferninho














Eu estava entendiado. Thiffany estava na casa da engolidora de pirú já fazia três dias. Eu estava sem contos pra escrever e meu goró estava por um fio.
Precisava transar, sei lá...A punhetinha já não me servia mais...Até me prestava a essa boçalidade por algumas vezes mas quando chegava em certo ponto, eu me via em volta daquela cena patética e logo desistia como um fracassado. Me via naquele banheiro sozinho, e com o pirú na mão me sentia arrasado...sempre ficava no "se"....sempre no "se".... nunca tinha ânimo pra chegar ao cume da auto-satisfação.
Meus canais estavam entupidos e resolvi ir ao puguêro para liberar a tensão.
Estava afim de gelar o saco em algum muquifo por aí. No Inferno por exemplo. Havia várias queba pinto por lá.
Chegando no Inferno, de longe, reconheci uma amiga minha religiosa que estava parada no ponto de ônibus.
Um maldito ponto de ônibus bem do lado da casa do prazer. - pensei.
Não pude me esquivar, não havia nada que pudesse esconder a minha cara de putão e continuei a andar.
Quase consegui entrar, quando ela me chamou:
-Oi Jonas, tudo bem? Sou eu, a Elly!
-Oi, Elly, como está? - Respondi já olhando para o chão.
-Ótima, e você? Onde estava indo?
Ela olhava para mim com os olhos semi cerrados, pois o letreiro em letras garrafais escrito "INFERNO", praticamente a cegava.
-E...u?- Gaguejei para responder.
-Você iria entrar aí? - Ela apontava o dedo para a casa do prazer, enquanto sua cara de desaprovação me remetia ao mais tenso temor.
-Eu? Nãão...não...Vou pegar esse ônibus. - respondi já com uma sensação de ter feito merda.
-Ahh tá. Mas você não morava na zona norte? Esse ônibus vai para o extremo sul.
-Sim...não...é que eu me mudei.
-Ahhh, que legal. Qual bairro, Jonas?
-Bairro...?
Eu não sabia o que responder a ela. Suas perguntas estavam me cercando cada vez mais.
-Não lembro o nome Elly.
Ela me olhava com aquela cara de:

"Ei, qualé cara! Sei que você vai entrar aí para trepar. No mínimo, seja homem e diga que você é um frouxo e incapaz de conseguir garotas sem pagar".

Não sei como, mas conseguia ler tudo isso só de olhar pra ela....e o pior, e não sabia até então, que o ônibus dela só chegava de uma em uma hora.
O tempo passava e nada daquele maldito ônibus aparecer. Eu não sabia mais o que fazer.
Ficar? Entrar?
Tive uma ideia de chamar um táxi para ela, dizendo que seria um prazer ajudá-la, pois já estava um pouco tarde e blá, blá. Mas lembrei que meu dinheiro estava contado somente para meia horinha. Não poderia gastá-lo assim. Pois, só me restariam uma cerveja e umas passadas nas coxas, além dos papos furados....
...Mas isso foi o que aconteceu.
Ela se foi de táxi com meu dinheiro, enquanto me senti um total fracasso no meio das garotas mais belas do Inferno. Nem o capeta viria pagar minha brincadeirinha suja e libertina.
Não seria aquela noite que eu chegaria ao cume e fincasse minha bandeira em uma bela CASA DO CARALHO.

A Privada Desarranjada
















Eu dormia de bruços, e diversas vezes acordava com o zunido de um maldito mosquito que constantemente me atormentava. Virava de um lado a outro na cama mas de nada adiantava.
Ao se movimentar diversas vezes, percebi que estava sozinho na cama. Em pensamentos, fiquei feliz por não ter que permanecer só de um lado de conchinha. Ao contrário, me esparramei por todo o colchão.
Thiffany havia saído. Mas para onde? Não sei, e também nem estava preocupado. Meu sono estava muito mais interessante.
Estive com uma maldita insônia nas noites anteriores por causa de misturas ilícitas e medicinais que tive que misturar para terminar alguns trabalhos pela madrugada afora. Então, a única coisa que restava a mim, era uma boa e desejada noite de sono.
Além do mosquito, um barulho vindo do banheiro sempre me acordava.
Aquela privada estava com problemas e já fazia um bom tempo.
--
Já se passava do meio dia e eu ainda permanecia na cama, continuava com sono, mal conseguia dormir por causa da privada e o maldito mosquito que continua a me atormentar.
Então, sem nenhuma vontade, mas pela obrigação, me levantei e com a bunda arrastada pelo chão fui até o banheiro resolver de uma vez por todas essa merda.
Levantei a tampa, apertei umas duas ou três vezes, ela respondeu prontamente. Tirei a tampa da caixa de descarga, a bóia estava normal, o nível da água estava correto e nenhum barulho aparente.
Pensei por um instante que Thiffany devia ter arrumado. Pois bem, era uma coisa a menos para eu me preocupar.
Voltei rastejando até a cama e voltei a deitar.
Minutos depois fui acordado novamente, mas o som foi muito mais forte e mais perto.
Percebi então, que não era a privada que estava desarranjada, e sim o meu ronco que estava me acordando. "Mais que merda", pensei.
Eu roncava como um motor em ignição, devido a falta de sono das noites anteriores.
Então, resolvi colocar meu bucal para que meus lábios não ficassem frouxos.
Assim, voltei a dormir como um neném....
...Foi bom retornar ao sono olhando para o filho da puta do mosquito estraçalhado na palma da minha mão.

Uma Cagada Daquelas














Quando eu era mais garoto, uns cinquenta anos atrás, eu e meus amigos frequentávamos um boteco do bairro chamado O Pescador.
O nome desse boteco se dava pelo simples fato que havia diversas coisas que lembrava o mar.
Remos velhos e caindo aos pedaços pregados na parede, quadros em referência aos mares, uma foto em preto e branco de um velho barbudo que nem imaginava de quem seria, um quadro de uma baleia branca e um pôster bem em frente a sala de sinuca de o Lobo do Mar de Jack London, um romance sobre um ditador dos mares, temido até pelo seus piratas. Um grande clássico da literatura mundial.
Além claro, do senhor Maresia. O dono do boteco, que sempre estava com seu gorro verde.
O ambiente era agradável, bacana e fervia a partir das dez da noite. Mas uma coisa que ninguém aceitava e fazia jus ao nome que tinha, era a sua limpeza, ou melhor dizendo, a falta dela.
Parece que fedia a bacalhau aquele lugar. Dificilmente se usava o banheiro daquele lugar. Somente se tivesse que usar para o número dois. E esse era o grande problema.
Havia mendigos que usavam o banheiro do boteco em altas horas e faziam uma grande obra de arte por ali. Os bêbados de plantão também faziam sua arte.
Uma noite, um de meus amigos, chamado Dinho já um pouco alto, disse pra todos na mesa que iria usar o banheiro para fazer o número dois. Começamos a rir, mas logo paramos quando ele se levantou e foi para o fundo do bar à porta a esquerda.
Eu mesmo já visitei aquele lugar sombrio uma vez. Era um lugar que você tem de ser literalmente um ninja. Pois você precisa de destreza e coordenação para segurar a camisa para nao sujar de bosta,
segurar a calça para não se rastejar naquele chão imundo e pela lateral da privada, permanecer agachado sem encostar a parte posterior da coxa na na orla do vaso, segurar a porta quase em pedaços sem trinco com a cabeça e prender a respiração para aguentar todo aquele cheiro de merda no ar.
Minutos depois, aquele mesmo mendigo que sempre batia ponto no banheiro do boteco, se encaminhou até lá onde Dinho estava. Começamos a rir, pois sabíamos que daria merda.
Um de nossos amigos que estava do lado de fora, veio até nós e disse:
-Caras, o mendigo veio fazer o número dois. Falou para todo mundo lá fora. Disse que tá apertado.
De onde estávamos dava pra ver o mendingo tentando abrir a porta. A porta batia e voltava, batia e voltava.... e o mendigo tentava abrir com o ombro também... e dizia, "abre aê....abre aê..."
Eu sabia que Dinho de lá de dentro, recebia várias portadas na molera. Ele alí devia estar em apuros.
Ele tentou denovo, a porta batia e voltava, olhou para os lados sem entender nada, e não parava de dizer,  "abre aê....abre aê...quero cagar".
Logo depois, só podíamos ouvir Dinho gritando de lá do banheiro,
"EU TÔ CAGANDO, POOOORAAA"
O mendigo logo foi pra trás com o susto que recebeu.
Ríamos sem parar.
Quando Dinho saiu, o mendigo entrou no banheiro sem perder tempo.
Logo veio até nós e disse com a maior cara de pau:
-Cagaram feio naquele banheiro heim, caras!
Eu podia ver um rastro na camiseta dele quando sentou conosco, mas nem disse nada...na verdade, nem precisei , o cheiro logo começava a estalar.
Um minuto depois, já estávamos descendo a rua em busca de outro boteco, Dinho já estava sem a camiseta.

Dedicado à mudo