sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Ser Sábio, Pra Poucos















Thiffany e eu, tivemos uma briga. Ela me expulsou de casa e disse que nunca mais queria ver minha cara novamente.
Estou no quinto copo de whisky, estou bêbado e desiludido. Peço mais um bourbon para o Loyd, o garçom.
-Tudo bem Sr. Green? - Loyd perguntava enquanto me servia mais uma dose.
-Sim, Loyd. Tuuudo uma maravilha. - Respondia com aquela cara de desaprovação pela pergunta.
Loyd sorriu seco e continuou seu trabalho.
Mas olhei para mim mesmo e aos berros mentais comecei a me repreender.
Não Loyd, não está nada bem. Estou na merda. Aquela felina me deixou. Acabou comigo.
Jogou meus trapos pela janela me despejou e fechou a porta com tudo.
Os gritos podiam ser ouvidos até do andar de baixo, enquanto eu descia as escadas do prédio.
Minhas tralhas estavam por todos os lados.
Estava com uma camisa social branca, calça social cinza e sapatos marrons sem engraxar.
Olhei para o céu e já estava esfriando. A noite começava a surgir.
Encontrei uma blusa no meio das tralhas. As mangas estavam em uma poça no canto da calçada. A peguei, passei a mão como se quisesse limpá-las e caminhei pela rua escura sem rumo.
Onde vou dormir? Pensava sem parar.
As vezes, em uma esquina e outra, encontrava alguns cães, que andavam sem pressa alguma pelas ruas. Eu os invejei por um momento. Pois não possuiam nada, estavam pelados e sozinhos e mesmo assim, com a cabeça erguida, com honra, esfregavam na minha cara toda a minha impotência.
Há muito o que aprender ao olhar para um cão.
Pelo meio da rua, caminhei...caminhei...caminhei...
Depois de muito tempo cheguei em um bar de esquina com neon vermelho piscante na entrada.
Entrei, pedi um scotch com gelo e sentei numa cadeira afastada. O garçom o trouxe, dizendo, Saúde!
Levantei o copo até a altura da testa para me descompressar. 
Apoiei um dos braços no balcão, virei o tronco e olhei em volta, a luz vermelha banhava o local onde estavávamos mas cerrava os olhos se quissêssemos enxergar do outro lado do bar.
As pessoas estavam ali.
Sentadas, sem razão uma com as outras, desanimadas, sem nenhuma perspectiva sobre nem mesmo aquela noite. Me senti um pouco melhor.
De repente alguém bateu em meu ombro.
-Jonas?
Era Adam, meu vizinho.
-Adam, o que faz aqui?
-Resolvi vir aqui ver o pessoal.
Ele começou a falar e a falar. De jogos de futebol, o noticiário da tv, assuntos fúteis de corredor de supermercados, a saúde que não andava bem, a sogra que nao valia nada, o fiél rogar que ele fazia todas as manhãs ao menino Jesus por sua vida, e que tudo no final iria dar certo.
Sem hesitar, disse:
- Cara, preciso ir, vou vomitar.
Fui correndo pelos corredores com a mão na boca. A ânsia subia cada vez mais pela minha garganta, o gosto amargo e azedo de vômito começava a me invadir. Encontrei facilmente o banheiro masculino devido ao formato de um marinheirinho em neon azul pregado na porta.
Tentei abrir mas a merda da porta estava trancada. - "Tem gente!!" - Eu ouvia de lá de dentro.
Ahhh, minha única camisa social branca, como ela ficou! Que pena.
Ao voltar para o hall principal do bar, todos me olhavam com desgosto tapando as narinas. Paguei e dei o fora dali.
Continuei a andar e a andar....mas não havia mais para onde ir. Estava sem roupas, sem dinheiro.
Então decidi. Só havia um único lugar para ir.
--
Acordei com Thiffany me dando uns bicos com o sapato alto.
- Vá. Entre! E quando eu chegar nos falamos.
Levantei do canto da porta, e todo vomitado, cansado, suado, mijado e fedendo a whisky barato disse:
-Thi, eu queria....
-Não quero ouvir nada. Entre...e
-Ok.
-... cuide bem dele!
-Dele??
Mas a porta se fechou antes que ela pudesse me responder.
Primeira coisa que fiz foi ir a cozinha abrir uma gelada e descansar meu esqueleto no sofá.
Logo entendi quem eu teria de cuidar. 
Pelo corredor vindo do banheiro, o Boris apareceu. O cachorro da minha sogra, aquela rampera.
Enquanto eu o observava, ele se aproximava devagar.
O cachorro começou a cheirar meu trabalho, as notas espalhadas na mesinha da sala, babar nas minhas meias, lamber meus sapatos no canto da porta e mijar fora do jornalzinho.
Thiffany iria trabalhar o dia inteiro. Então teria de ficar com aquele bicho até ela retornar. Se ela retornar.
E eu me perguntava. Não parava de me perguntar.
Enquanto eu secava mais uma lata, ele estava ali, bem na minha frente como uma esfinge. Lambendo os beiços ou as próprias patas. E eu não parava de me perguntar.
- Qual seu segredo? Como você consegue ficar tão.... a vontade e tranquilo? Me diga!!!
Éhh.... realmente eu tenho muito a aprender com um cão.

-
Leitor, caso queira conhecer Boris, veja neste conto.
http://manchadevinho.blogspot.com.br/2012/01/o-cachorinho-da-thiffany.html

Baú Cheio de Tesouros















Vejo os rostos das pessoas passando pela rua, pelo metrô, pelas praças, pelas calçadas.
Seus rostos informam cansaço, indignação, tristeza.
Mas seu peso está controlado, seu bronzeado ainda está na pele, e seu andar, sem nenhum mancar.

Cada um preocupado com seu mundinho particular.
Conhecendo seu mundinho tão guardado e cobiçado, veremos que é tão pobre, tão cheio de falta, e que a tristeza derrama por todos os lados.

Guardiões de seu baú de tesouros.
Nele há um imenso valor. Um baú cheio de riquezas.
Cheio de pedrinhas de argila, calcários e areia.

"Aos mortos vivos, que desperdiçam seus momentos únicos por sonhos ainda não alcançados".

domingo, 14 de dezembro de 2014

Um Velho Amigo














Andava tranquilamente pela calçada do meu bairro em uma tarde qualquer, quando um cara veio até mim e bateu em meu ombro.
Dizia ser um amigo de longa data, ficou surpreso ao me ver.
Pensei que a cirrose tivesse matado todos meus amigos.
Me impressionei o tempo que não nos encontrávamos, pelo o que ele falava. O quê? Décadas?
Ele me cumprimentou, disse meu nome, lembrou de Thiffany, da minha sogra, aquela macumbera dos cabelos brancos sem tingir e outras coisas mais que nem dava importância.
Ainda possuía cabelos, e o mais impressionante, é que ainda havia fios pretos.
Ele falava sobre muitas coisas, quase todas inúteis e fúteis. Não irei expor aqui quais assuntos. Ah, use a imaginação. Você sabe o que é ser amolado por assuntos extraordinariamente sem graça. Para mim, era falta de sexo.
Falava com emoção de pessoas queridas como filhos, netos, sobrinhos. Como a emoção em vê-los em aniversários, finais de semana, feriados, natal, eram agradáveis.Eu tentava fingir que estava interessado naquele assunto, dando risadas forçadas ou até levantando minhas sobrancelhas num gesto de surpresas constantes, mas claro, sem ele desconfiar.
Até consegui, foi fácil. Fui levando o papo.
Ele falava, falava e falava sem parar.
Então percebi que não lembrava seu nome. Não me lembrava de nada. Nem de onde o conhecia.
Enquanto eu o ouvia, tentava me lembrar mas parecia uma matraca, era impossível processar alguma lembrança ou imagem com todas aquelas informações vazias para mim.
Comecei a chamá-lo de nomes aceitáveis, como "você", "cara", "parceiro", em começos e términos de novos assuntos. Eu era bom nisso.
Ele, ao contrário de mim, em todas as sentenças me chamava pelo nome. Achei incrível. Nem mesmo eu lembrava o nome das pessoas.
Eu não lembrava mesmo. Estou ficando velho.
Acho que a vida é cheia de bobagens, e só com a idade você as vê nitidamente.
Acho que se ele me devesse dinheiro ou tivesse nascido com a bunda virada pra lua, e me ajudado em alguma situação, com certeza, eu o chamaria pelo seu nome e até pelo sobrenome, se quissesse.
É fácil quando precisamos da ajuda de alguém ou quando precisam da gente. Nos sentimos importantes.
Ele falou um pouco mais, mas logo nos despedimos pela mesma forma que nos vimos. Fui breve.
- Bom, foi bom te ver Jonas Green. Muito bom te rever mesmo. - Ele dizia.
Eu só podia dizer obrigado. Não imaginava da onde aquele cara me conhecia.
-Um abraço Jonas.
-Até um dia...amigo.
Voltei pra casa com passos largos e rápidos. Fazia frio.
Encontrei um chiclets, aqueles de caixinha, no bolso da calça. Era o último.
O peguei, joguei na boca e vim mastigando. Começava a chuviscar.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Desculpe Pela Confusão
















Norman tinha problemas de aceitação e amor próprio.
Brigara mais uma vez com Samantha. Era a quarta briga no mês.
Não conseguia fazê-la feliz...muito menos ele. Eles não se entendiam.

Deu um tiro em si mesmo na praça principal da cidade.
Os pássaros voaram para longe quando Norman a descarregou.

Menos de quatrocentos metros dali, Bob e John gargalhavam das piadas que Norman contara na noite anterior.
-Aiai....o Norman é muito engraçado, cara! - John disse ao secar os olhos na manga da camiseta.
-Com certeza, cara! Bob respondeu ainda tentando recuperar o fôlego.
-Ei Bob, falei com Samantha hoje. Ligou para o Norman pela manhã, mas ele não atendeu.
-Sério? - Bob perguntou atônito.
-Sim. Disse que iria se desculpar ou fazê-lo se desculpar...não sei. Vai pedí-lo em casamento.
-Nossa, sensacional! - disse Bob. - É isso o que ele quer.
-Sim. Mas eles brigam demais, cara. - John disse ao se recostar no sofá.
-Éh...
-Espero que eles se resolvam logo e parem de brigas. Isso não leva a nada. - Disse John.
-Éh...
-A vida é muita curta. Vai que acontece alguma coisa....
(pausa)
-...que você não pode voltar atrás, né?
- Tem razão, cara. - Disse Bob.
(pausa)
O telefone começa a tocar.....


quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Epifania da Minha Existência




A Revista "Good Feeling", havia me contatado alguns dias atrás para escrever uma matéria sobre a vida das pessoas. Os bons pensamentos, a boa saúde, sua rotina, como elas vivem, etc... pensei que fosse algo quase divino.
Bem, aceitei o trabalho e comecei a escrever.
Era uma quinta feira, umas três da tarde. Estava sozinho em casa.
Peguei uma gelada e fui pra sala escrever.
A paisagem do quadro Noite Estrelada do pintor Van Gogh, ou o Pescador de Tarsila do Amaral ou qualquer um do Reint Withaar, refletia em uma....NÃO. Nada refletia.
Comecei a escrever e a escrever.
Como perdemos tempo com bobagens.
Como perdemos tempo com amores não correspondidos.
Como perdemos chances de mudar de vida.
Como não nos livramos daquilo quens fazem mal.
Como não aprendemos quando ainda temos tempo.
E continuei a escrever.
Revisei o texto e percebi uma coisa.
Como o ser humano desperdiça sua vida e não aproveita o que lhe é dado em tempo hábil.
É como um balde cheio dágua que fica a gotejar sem parar, e o visse cada gota cair ao chão sem se preocupar, simplesmente rindo.
O seu tempo está a encolher cada dia mais e você continua a observar sem nada fazer.
Nessa hora, tive uma epifania da minha existência.
Ao entrelaçar os dedos atrás da nuca e se espreguiçar na poltrona para finalizar o texto, vi meu teto. O observei e com tudo aquilo que acabara de escrever pude finalizar o texto.
O mesmo teto com toda a pintura descascada a ponto de começar a desmoronar devido as goteiras criadas pelas fendas de um cano estourado que não dei a mínima de arrumar.

''Somos criaturas frágeis, choronas e mau-educadas, esperando nos darmos bem, somente nós.''
Mas essa última frase não enviei à revista. Ficou somente para mim.

sábado, 29 de novembro de 2014

Serlisa, A Médica





















Quando eu tinha meus vinte e cinco anos, fui ao hospital fazer uns exames de sangue e rotineiros. Aquele dia passei a manhã inteira indo de uma sala à outra. Foi bem cansativo, mas tudo foi compensador quando vi aquela médica, linda, maravilhosa, vestida de branco, com seus longos cabelos castanhos, belo e suave rosto e seu lindo sorriso.
De um exame a outro, eu sempre chegava próximo à ela para conversar.
Falava da rotina do hospital, o que eu fazia, há quanto tempo ela estava por lá, e muitas outras coisas. Ela respondia sempre com um sorriso, que me fazia ter ainda mais confiança que aquela médica seria minha.
Ela usava um crachá com seu nome. Se chamava Serlisa. Doutora Serlisa. 
Que nome lindo para uma bela garota. Nome imponente.
O estranho, é que ninguém a chamava pelo nome. As pessoas são muito mau educadas. O nome da pessoa no nariz delas e elas não chamam a pessoa pelo nome. Lamentável.

Bem, após vinte e tantos minutos do meu último exame sair, o peguei na recepção, e fui até Serlisa, agradecer a boa conversa. A procurei em um, dois corredores, a achei.

- Dra. Serlisa...oi....- Disse ao correr até ela.
-Pois não? -Ela me fitou com indiferença.
- Obrigado Dra. Serlisa pelo bom papo. Seu nome é muito bonito. Parabéns. Posso te encontrar uma hora dessas para nos conhecermos melhor?
-Oi...Doutora? Serlisa?? Não estou entendendo, senhor.
-Ué, Você está de branco e no seu crachá está escrito seu nome, Serlisa, não?
-Não senhor, me chamo Eduarda.
-Mas está escrito aí no seu crachá, Ser-li-sa.
Sim, mas Serlisa são as siglas para, "Serviço de Limpeza Sanitária"....e não sou médica.
-Ahh....Éh....Hummm...
Eduarda saiu furiosa enquanto as pessoas em volta riam dela.
E foi aí que, desisti de dar em cima de "médicas" em hospitais.


Em Uma Mesa de Bar



Eu jogava cartas com um amigo. Estávamos no bar de sempre, o bar do Loyd.
Depois de uns cinco ou seis copos de cerveja para Sullivan, e uns quatro copos de whisky para mim, Sullivan ao embaralhar as cartas e o cigarro queimando no canto de sua boca, disse.
-Ei, Jonas, vamos ver uns peitinhos, no "Girls, Girls, Girls"?
-Não, Sullivan.
-Porquê compadre?
-Não dá cara. Eu sempre me apaixono por elas. 
-Ahh....
-Éhh....
-Mas que diabos.
Continuamos a jogar cartas.
Enquanto jogávamos, ao fundo, tocava essa música, não sei o nome, mas gostei.



sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Minha Rotina Matinal

















Depois te ter escrito alguns contos para a revista SexMachine na noite anterior até as três da matina e dormido esparramado no sofá da sala, acordei lá pelas nove, na verdade, até me surpreendi quando vi o horário no relógio pendurado na cozinha. Sempre desperto as duas da tarde.
Virei, dei aquela espreguiçada e permaneci de conchinha alguns segundos até levantar e por de pé essa carcaça velha.
Ao me encaminhar até o banheiro, bocejei profundamente como se quisesse tirar todas as tensões que sustentava nos dias anteriores e também uma certeza de tirar a moleza. Meu corpo sentiu uma breve arrepiada.
No banheiro, levantei a tampa, desci a braguilha, coloquei meu monstro pra fora e dei aquela mijada interminável que me fez arrepiar pela segunda vez. Um tranco involuntário senti, e com cuidado o direcionei para que o jato não molhasse fora do vaso, como também o lixinho ou até quem sabe talvez, o rolo de papel. Dei uma balançada e o guardei.
No espelho fui dar uma boa olhada nessa minha cara safada. Virei o rosto de um lado a outro. Testemunhei minhas rugas, minha barba de semanas por fazer, remelas, papada de pescoço e muitos pelos saindo da tal saliência da parte externa da orelha.
Cerrei os dentes, dei uma olhada de lado a lado e constatei que os mesmos estavam amarelados. Entre meus pré-molares estavam amarronzados, mas isso não me preocupou tanto. Claro, era devido a idade. Eu nem mais fumava tanto como antes. Hoje, eram só dois maços por dia e litros de café para aguentar minha rotina excitante. Era a idade, com certeza.
Enquanto mexia nas bochechas massageando-as, constatei que...aprendi massagem facial em uma vídeo-aula que assisti alguns meses atrás...era sobre massagens japonesas. Aquilo era para dar uma aliviada no stress, mas creio também que seja pela idade.
....Constatei marcas do sofá impressas em minha testa. -  O sono foi bom! - pensei.
Averiguando um pouco mais, perto da maça do rosto, sobrancelhas, encontrei um cravo bem no canto do nariz. - "Hummm, então você está ai seu malandro, estava te procurando". - Sussurrei para mim mesmo ouvir.
O espremi de tal força, que vi pular pra fora da pele uma mini cobrinha amarelada toda retorcida. Fiz cara de pouca dor e observei em meu dedo indicador e com um sorriso maroto no rosto, disse "olá garotão, então você está ai!?". Limpei na camisa social amarela clara. Nela havia varias manchas, de diversas situações.
Enquanto procurava algo mais estranho em minha pele, soltei um peidinho prolongado sem som, que me fez ter a sensação que o odor logo se alastraria pelo banheiro inteiro chegando até minhas narinas, e desaprovando-me como autor de um péssimo hábito. Mas não, não havia cheiro! Chateei, pois um peidinho sem o mínimo de cheiro, não vale a pena sair.
Passando as mãos pelas costas, senti um pelo encravado, o arranquei com tal força que me fez chamá-lo de "filho da puta". Na verdade, não sei porque usei tal expressão, pois se trata de algo sem sentido, mas, bem, creio que pela dor que senti, dizer tais palavras fez-me sentir bem melhor. Como uma válvula de escape.
Terminada a higiene pessoal do dia, fui até meu quarto, abri o guarda-roupa, e ali, estavam duzias de calças e camisas. Os sapatos já estavam do lado do criado mudo esperando a serem calçados.
Escolhida a calça, a coloquei em cima da cama, sentei e levei as meias que estavam guardadas no fundo dos sapatos até meu nariz. Estavam um bom cheiro, dava pra usar mais uns dois dias.
Ah sim, escovar os dentes, limpar os ouvidos com cotonetes, assoar o nariz e lavar as mãos? Ahhh não. Não tenho mais tempo para inutilidades.
Ao colocar a calça social marrom, prendi o cortador de unhas junto à ela, sentei para amarrar os sapatos sem graxa, coloquei uma camisa branca com listras azuis meio surrada que encontrara em cima da cômoda, não podia esquecer meu pente e óculos no bolso da frente da camisa. A carteira enfiei no bolso esquerdo da calça. Estava pronto.
Ao trancar a porta com a chave, sai pelo corredor. Iria comprar umas garrafas e cigarros que estavam em falta, mas antes tinha uma reunião com meu editor.
Vi o elevador à minha espera, mas o dia estava tão bonito, já passava das dez da manhã de uma quinta feira e resolvi descer pelas escadas. Atravessei o hall principal do prédio, acenei ao porteiro ao dar bom dia, e me dirigi a padaria do bairro para tomar meu pingado que só o senhor Luiz sabia fazer..
O mundo já estava atrasado, como todos os dias....



Uma Viagem Entre Gênios
















As 5:30 h da manhã de uma quarta feira qualquer, lá estava eu dentro de um ônibus indo ganhar mais um dia da minha extraordinária existência. Não havia nada que eu pudesse fazer naquele ônibus, a não ser ficar em pé, já que não havia mais assentos e ouvir o que as pessoas falavam, e em voz alta.
As pessoas conversavam como se fossem duas da tarde de um domingo de páscoa.
Elas estavam ao celular. A tecnologia à sua disposição e facilitando suas vidas.
A conversa era entre uma mulher com ....realmente não sei. Deviam ter três linhas cruzadas naquele celular. Porque parecia que ela conversava com várias pessoas ao mesmo tempo.

"Tu vai dormir na casa do marido dela"?
"Eu avisei à ela, eu avisei".
"Mas a outra não tem marido".
"Ela não jogou o lixo fora, ela é rica".
"Só ele que quer ser o bom? Eu disse à ele: Me respeita!".
"Como aquele povo é, viu?!
"Ai, essas pessoa.... não sabe respeitá. Nóis somo póbre mermo.
 "Filha, o que você ta fazendo? Tá, então levanta que seu pai vai aí te buscar.

Quando olhei ao relógio, já passavam das 6h, e o ônibus continuava parado no engarrafamento em uma avenida principal...
...mas olha, eu sou uma pessoa feliz, sério!




Mais Alto...
















"Admiro sua forma de se prostrar pelos outros.
Admiro como você se submete a variações de comportamento escolhendo sempre as dos outros. Admiro a sua sensibilidade em ajudar à todos, deixando você para trás.
Admiro sua total incompetência".

-Disse o homem que escorria ego pelas beiradas para aquele que estava de joelhos....


Como é Triste...





















Como é triste viver num mundo onde a sua raça é a responsável por toda infelicidade existente que faz você ficar triste.
Como isso cansa.
O tempo não passa. O fim não chega....



terça-feira, 19 de agosto de 2014

Colônia de Férias (Frustradas)














Finquei o guarda sol na areia, pus a cadeira de praia em frente ao mar, sentei e respirei fundo para aquela vista.
Já passava das dez da manhã e mesmo assim, já havia bundas, biquínis para todos os lados.
Abri uma lata e dei uma golada. Estava estupenda. Ao final da golada dei aquela famosa expressão com um bom e  alto "Nahhhhhh" em frente aquele mar maravilhoso.
Nas noites anteriores como estive em barracas, feirinhas, ateliês e afins com Thiffany e o pessoal, vi todo o tipo de pessoa perambulando pelas ruas estreitas do litoral. Mas uma em particular, ficou na minha cabeça. Uma bela moça. Que visitou quase todas as lojas que estive ontem. Usava óculos escuros e um boné da NY. Uma bela garota com seus vinte e poucos anos, cabelos castanhos longos até a cintura e um belo corpo, bem distribuído e torneado. Ela com certeza seria minha.
Na verdade, acho que é ela alí...alí na segunda ondinha da praia. Sim, é ela mesma.
Eu a reconheci de onde estava.
Levantei, me inspirei , estufei o peito e fui até ela.
Ela brincava com uma garotinha no rasinho. Poderia ser sua priminha ou até quem sabe sua filha.
Eu estava indo de encontro à ela.
-Olá, quero te conhecer belezinha!
-Eu te conheço? -Ela perguntou ríspida.
-Não...quer dizer, nos vimos ontem, não lembra? Eu olhava você sem parar, e você também.
-Não. Não sei quem você é. Me deixe em paz!
Sua resposta me deixou confuso. Pois no dia anterior ela simplesmente me fitava, e agora está com essa atitude.
-Quero ficar com você baby. Quero te conhecer.
-Tá, mas eu não quero te conhecer.
-Que isso gatinha, não se lembra de mim, de ontem? Na lojinha de gravar nomes nos arrozinhos?
-Não.
-Que isso. Te vi também no Ateliê de blusinhas coloridas, na loja bem em frente.
-Não, não me lembro de você...e além do mais, você está me irritando. Irei gritar para o meu namorado se não se afastar.
-Oww...que isso gatinha. Não precisa disso. Só vim aqui porque estava de olho em você. Fiquei interessado.
-Adeus escroto.
E lá se foi aquela mulher abençoada. Com tudo em cima e com nada faltando.
Dei tchiau àquela rabo de altas proporções e de perfeitos genes e o vi ir embora.
Voltei então para meu lugar, meio triste mas convicto que toda aquela situação embaraçosa que havia passado, logo passaria em talvez dois ou três minutos no máximo. O mundo está de cabeça pra baixo.
E não muito tempo depois, me surge do nada, uma moça feia de doer e sem perder tempo diz:
-Oi, vi você ontem na lojinha de gravar nomes em arroz e no ateliê das blusinhas coloridas. Gostaria de te conhecer.
-Hummm, desculpe, mas não vai rolar.
Merda. Ali, constatei que o mundo não estava de cabeça pra baixo só para mim.
Somos fantoches, e alguém está tirando uma com nossas caras, não é possível. - Pensei, ao dar mais uma golada e ver uma onda quebrar no meio das rochas....


Colônia de Férias - Parte 4

















Mais um dia na praia. Ontem foi muito cansativo. Tive que ir em todas as barracas e ateliês de todo litoral para as meninas comprarem suas coisinhas.
As garotas descansavam ainda no apartamento, Martin foi à cidade comprar não sei o quê, e eu resolvi ir à praia e relaxar mais um dia de sol.
Peguei a toalha, calção, chinelos de dedo, e... o protetor solar, e me encaminhei até lá.
Dez minutos depois, já estava no balcão do mesmo quiosque de ontem bebendo um drink. Estava na sorte de encontrar a tal morena do biquíni branco, quem sabe?
Fiz amizade com Beth, a garçonete que me trazia os drinks e sempre sorria para mim. Muito simpática. Aquela dos 105 de quadril.
Observei em volta. A praia ficava cada vez mais lotada.
Sem eu perceber, chegou uma mulher, que beirava seus trinta e cinco anos, biquíni rosa, cabelos castanhos pra baixo do ombro, segurava a mão daquele que parecia ser seu filho. Ela chegou no balcão pediu um suco de uva e uma cerveja. Escolheu uma mesa e sentou com seu garoto. O garoto brincava com seus brinquedos, como pá e balde para areia.
Enquanto bebia meu drink, eu a observava.
Parece que a conheço de algum lugar...não sei! - pensava.
Com seus óculos de sol, ela prendia os cabelos, soltavam os cabelos, tomava sua cerveja, cruzava as pernas.
Seu corpo era deliciosamente gostoso para falar a verdade. Um corpo macio, escultural, gorduras nos lugares certos e bronzeado na medida certa.
Meu drink já estava no fim, quando alguém se aproximou de mim e disse.
-Você não me ligou.
Virei pelo assento giratório e dei de cara com a morena do biquíni branco. Fiquei deslumbrado ao vê-la.
-Oi...Nossa, que surpresa! É você. - Exclamei pegando em sua mão.
Venha até aqui na minha mesa. Disse depois de uma piscadinha.
Levantei e fui até sua mesa. A criança brincava na construção de um castelo de areia.
-Oi....bem, como você está? - Perguntei enquanto aqueles lindos olhos castanhos me miravam.
-Muito bem, obrigado. - Ela riu.
O pequeno ficava a me observar sentadinho no chão. "Oi garotão", eu disse. Ele voltou a atenção aos brinquedos.
Fiz sinal ao garçom para trazer mais um drink para nós.
Estranho, Beth e nem a loirinha com sardas no rosto estavam lá.
Mais que depressa estendi minha mão já dizendo meu nome.
-Jonas.
-Sophia.
-Prazer, Sophia.
-Prazer em conhecê-lo, Jonas.
-Me diga, e o pai dele? - Perguntei.
-Não deu certo conosco. As vezes, as coisas não é como idealizamos - Dizia olhando para o mar.
-Os homens de hoje não sabem mesmo o que vale a pena, não é mesmo?
-Com certeza, Jonas!
O garçom trouxe os drinks, nos servimos, e brindamos.
- E o que você faz aqui, Jonas?- Sophia perguntou.
-Vim relaxar um pouco, relaxar...é o que preciso. - Disse ao dar um gole.
-Como assim?
Sou escritor. Preciso de inspirações. Nada melhor que estar aqui testemunhando tais belezas naturais para continuar meu trabalho de forma mais sólida.
-Você escreve, sobre o quê? - Sophia perguntou indireitando-se na cadeira.
-Ah, escrevo sobre a hipocrisia. Escrevo sobre minhas próprias vivências. Escrevo sobre assuntos que as pessoas se queixam mas ninguém tem coragem de falar. Escrevo para algumas revistas, tiras de jornais, essas coisas. Sou um anti-herói.
Dei uma golada.
-Que interessante!! -Disse ela.
Meus pés tocaram os dela. Ela riu, pôs os cabelos para trás.
Eu a encarei e me apoiei em meus braços na mesa.
-Não faça isso, pequena!- Eu disse.
Ela me encarou e chegou próximo a mim.
-Porquê, Jonas?
-Quero você pequena! Só você.
Ela riu. Mordeu seus lábios entre os dentes.
-Hummm, você me quer? - Sophia suspirou.
-Sim pequena, vamos agora para seu apartamento?
-Não posso Jonas, desculpe!
-Ah, mas porquê Sô? - perguntei com feições de desilusão vindo à tona.
-Porque não. É melhor não.
Hummm, ela dizia aquilo, mas me encarava com aquele seu olhar que não negava. Irresistível. Além de se remexer na cadeira e soltar e prender os cabelos. Ela está blefando. - Eu pensava.
-Vamos lá, quero fazer você ter prazer e dar o que você precisa Sô. - Disse ao me aproximar ainda mais dela.
-Mostre-me então. - Respondeu de imediato.
O resto somente nós dois sabemos....

Colônia de Férias - Parte 3

















Depois de ontem que torrei a parte da frente ao dormir na areia da praia, hoje, os casais, vamos para a praia tomar uns drinks e passear. Thiffany, eu, Martin e Beca.
Thiffany e Beca foram passear na praia, enquanto Martin e eu, ficamos no quiosque para degustarmos uma bebidinha e conhecer se esse litoral está na lista dos melhores. Pedimos uns drinks e sentamos sobre o balcão.
Eu observava o ambiente. Estava um sol de rachar, eu ainda ardia da burrice de ontem. As garçonetes vinham de lá pra cá. Não paravam sequer um minuto. Isso era bom, pois elas vestiam shortinhos curtos, decotes e seus lindos cabelos eram presos de uma forma muito sexy.
Haviam quatro. Mas somente uma, tinha peito suficiente para chamar aquilo de decote. Uma bela morena, Com seus 105 e tantos de quadril, cabelos castanhos escuros lisos, rosto uniforme, olhos castanhos e boca carnuda. Fazia meu pedido somente à ela.
Martin se afeiçoou com uma loira magrinha com sardas no rosto. Era bonitinha e usava aparelho. Parecia ter dezesseis anos.
A praia estava lotada, muita gente já estava por lá.
Começamos a beber e conversar. Martin falava, eu mais ouvia e concordava.
Depois do terceiro copo, não tinha como não perceber. Avistei uma mulher caminhando até o nosso quiosque. Ela caminhava com elegância. Vestia um vestido florido curto, estava de óculos de sol cor marrom e um grande chapéu que a protegia do sol, como aqueles de mexicanos.
Longos cabelos castanhos brilhavam à luz do sol.
Ela se aproximou do quiosque, retirou seus óculos e pediu uma cerveja para a garçonete magrela com sardas no rosto. Sentou ao meu lado.
Ela vestia um biquíni branco embaixo do vestidinho. Ela tinha belas marcas de bronzeado.
Depois de alguns goles, com o copo perto da boca, olhei para o lado sem mover a cabeça, ela me fitava.
Eu disse "oi", ela sorriu, e também disse "oi".
Martin não parava de falar. Concordava com tudo mesmo sem ouví-lo.
Eu nem sabia mais quantos copos já havia bebido.
A garota do biquíni branco começou a esfregar as pernas nas minhas, sutilmente. Ela roçava de lá pra cá no banco rotatório. Não havia reação entre ambos. Mas sabíamos o que estava acontecendo.
As vezes, eu levava o copo até a boca, dava uma golada e logo fitava suas belas e bronzeadas pernas. As vezes, eu só fitava.
Ela não usava aliança. Olhei para baixo como se testemunhasse alguma reação dela, então rocei minhas pernas na dela.
Martin não parava de falar.
Percebi que ela iria chamar o garçonete magrela com sardas no rosto, então a toquei no braço e disse:
-Olá moça, bom dia! Eu gostaria de lhe pagar uma bebida. - disse com uma voz afável.
Ela inclinou a cabeça para o lado e com aquele sorriso cheio de dentes maravilhosos disse:
-Ahh, que gentil da sua parte, obrigado!
Bem, tenho que dizer que me perdi naquela visão, naquele rosto, naqueles dentes. Me perdi totalmente. Por alguns segundos fiquei paralisado.
Só voltei a mim mesmo, quando Martin tocou meu braço pedindo minha opinião sobre algum assunto chato que falara.
A garçonete morena com os 105 de quadril nos trouxe a bebida, brindamos e começamos a beber.
Ignorei Martin e começamos a conversar.
Perguntei se estava de férias no litoral, se estava gostando daquela praia, quantos dias ficaria por lá.
Ela não só respondia todas minhas perguntas com uma graça tremenda, como ao responder olhava para minha boca e olhos diretamente. A morena me comia de desejo sobre aquele balcão.
Seus olhos diziam, "Quero você!"
- Quero seu telefone. - eu disse.
Ela riu. Bateu as mãos em suas pernas, jogou a cabeça pra trás e com suas mãos em volta da boca fez uma cara que não acreditara no que acabara de ouvir.
-É sério? - disse.
Pegou do bolso do vestidinho um cartão e disse:
- Me liga!
Nessa hora, Thiffany e Beca chegaram. Usavam cangas, chapéus, óculos de sol e seguravam alguns presentinhos.
A moça do vestido branco, roçou pela última vez suas belas pernas nas minhas, pagou a bebida e se foi para o mar.
Thiffany e Beca começavam a nos contar o que haviam feito pela praia. Eu dizia "aham",  para quase todas as questões e afirmativas. Martin estava adorando. Começou a falar mais ainda.
Ao olhar para o mar, eu sabia que reencontraria novamente a tal moça do biquíni branco.

Colônia de Férias - Parte 2















Acordei cedo, e da janela da sala, o sol ardia lá fora. O formato do meu corpo estava desenhado no sofá, achei hilário, mas estava grudando.
Fui então, tomar uma ducha e não me demorei mais que alguns minutos.
Entrei no quarto com cuidado e peguei minhas roupas mesmo no escuro. Thiffany ainda dormia tranquilamente. Coloquei meu calção de banho, chinelos de dedo, toalha e fui para a praia.
Uns dez minutos de caminhada até a praia.
Ao atravessar a avenida principal, dei de cara com a praia. Praia linda e charmosa.
O sol irradiava o céu azul. O ar puro fazia com que meus pulmões ardessem pela maldita nicotina.
Ao pisar na areia fofa branquinha e ver toda aquela imensidão, me senti liberto. As montanhas ao fundo, dava um toque em sua harmonia geral.
As ondas cintilavam-se através da luz do sol que se oponha entre as nuvens rasas, fazendo com que a imagem vista fosse um presente, um paraíso para minha pequena e fútil vida.
Deitei na areia de barriga pra cima, pus a toalha em meu rosto e relaxei.
Como estava com o sono atrasado, dormi ali mesmo. Era umas nove da manhã.
Quarenta e cinco minutos depois acordei bruscamente. A parte de baixo e de cima do meu corpo ardia como urtiga no ânus.
-Ai, cassete, como arde! Puta que pariu, que isso? - Exclamei.
Foi aí que me lembrei. Esqueci da merda do protetor solar na mesinha da sala.
Resolvi dar um mergulho para aliviar aquela queimação. Puta que pariu, como ardia. Isso que dava ser branco como um queijo.
Fui chegando cada vez mais próximo da água, e com grandes saltos para não ser pego pela maré que já batia em minha coxa, mergulhei de uma vez.
-Aiiiiiii, cassete!!! - Gritei ainda submerso quando senti a água bater no corpo inteiro inflamado. Logo voltei e fiquei de pé.
-PUTA QUE PARIUUUUU. EU TÔ QUEIMAAAANDO, PORRA!! ARGHHHH!!! -Gritei entre as ondas sem me importar com quem pudesse ouvir.
Voltei a margem devagar, e com pequenos movimentos tentava amenizar a dor de queimação, nos braços, barriga, ombros, coxas em todos os lugares.
Naquela cena bizarra, só havia dois protagonistas, eu e o grande oceano.
-Aiiii, como aaaarde!


Colônia de Férias - Parte 1




Até que enfim chegou o verão...as férias estão aí.
Resolvi ir à praia com Thiffany e nossos amigos, Martin e Beca.
Preciso de férias. Só trancafiado naquele apartamento velho, sem ventilação, mofado, só escrevendo contos, não é vida. Se sua vida não tem curtição, loucura e agitação, você vive uma vida de merda.
Quero ver uns biquínis passando na minha frente. Eu tô animado pra porra. Faz um bom tempo que não visito o litoral, que não piso em uma areia fofa, que não dou um mergulhada na água salgada, que não apago  bêbado e durmo na areia, que não vejo mulheres de biquínis com gordurinhas nos lugares certos, enfim... mas isso irá mudar hoje.
Aprontamos as malas e resolvermos sair de madrugada.
O caminho até lá, foi um pouco cansativo. As garotas foram dormindo no banco de trás do carro. Eu estava no banco do passageiro. Martin dirigia e não parava de falar. Eu dava umas pescadas e ele alí querendo minha atenção. Falava, falava e falava.... e me acordava.
Era um saco aguentar aquilo por duas horas e meia sem parar, estávamos no meio da madrugada.
-Martin, por favor, preciso dormir. - eu disse me acomodando no banco do carro.
-Oh, desculpe Jonas, estou ansioso! - ele dizia.
-Ansioso? Você tá parecendo um virgem no primeiro encontro. Aquiete o cú e deixe-me dormir, porra!
-Desculpe, Jonas, irei ficar em silêncio.
-Obrigado sim. -Respondi.
Daria tudo para estar no meio das garotas ali no banco de trás. - Pensei.
Mas logo Martin começava tudo de novo. E essa situação de merda se estendeu até chegarmos ao litoral.
Puta que pariu!!
Ao chegarmos no hotel, Martin estacionou o carro próximo ao nosso apartamento e disse que iria ver o motor. Abriu então o capô e começou a fuçar naquilo. Eu por minha vez, abri a porta, sai e dei aquela esticada de recolocar tudo no lugar. Já passava das onze da noite.
Abri a porta de trás e acordei as garotas.
-Vamos lá meninas, hora de acordar.
-Oquê? Já chegamos?- Beca perguntou bocejando e com as mãos nos olhos.
-Sim. Vamos lá! - respondi.
Thiffany continuava jogada no canto da porta.
Ao entrarmos no quarto, começamos a desfazer as malas na sala. Era um quarto bem mobiliado e distribuído. Com dois quartos, banheiro no centro dos quartos, uma bela de uma sala grande, cozinha e uma simples, mas limpa área de limpeza. Para mim estava mais que o suficiente.
Vão vocês primeiro. Tomo uma ducha depois. - Disse a todos.
Sabe como é né? Queria que as garotas fossem logo pra cama, e que Martin, bem, fosse logo dormir para que eu não tivesse de ouví-lo.
Permaneci na sala passando os canais, propagandas, filmes, entrevistas, mas deixei mesmo nas notícias.
O mundo tá uma merda mesmo.
Acabei adormecendo no sofá. Culpa do matraca do Martin.
Fui o primeiro a acordar e também o mais suado devido ao clima. Estava um sol de rachar.
Esqueci do banho.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

...Se Ao Menos Eu Tivesse Um Taco De Baseball... Parte 2














... Acho que o taco de baseball não resolverá minha atual situação....
...Bem,
Estou aqui, novamente.
Senhor,  me ajude a não levantar com tudo e com uma cotovelada certeira arrebentar esta cara estragada e amassada.
Faça que eu não seja irado o bastante em me levantar e com uma joelhada lhe afundar a maça do rosto.
Sua voz é irritante, fala-se alto, é impertinente.
Seus comentários são futilmente boçais.
Sua tosse ininterrupta me faz torcer para que suas cordas vocais arrebentem, tal é o grau de irritabilidade que a mesma nos apresenta. Tosse de três meses? Que doença do diabo sem cura é essa? A doença de chamar atenção?
Seus cabelos há dias não recebe um shampoo. Faz o puro óleo surgir dos fios lisos, e pior, rígido, como se as raízes fossem criar dreadlocks...

... Acho que o taco de baseball não resolverá minha atual situação....

terça-feira, 15 de julho de 2014

Ar Puro

 

Sabe o que é você entrar num banheiro em um ambiente público onde você conhece todos ali presentes para dar aquela aliviada ou até dar uma mijada que faz seu corpo inteiro arrepiar de uma forma que se você não tomar cuidado o jato pode escorrer ou pelo chão ou pelos seus sapatos, ou até mesmo você querer dar uma penteada naquele seu adorável e frondoso mustache?
pois é, você entra no banheiro, e lá, em umas das repartições, sentado na privada, há um par de pezinhos. E o mais engraçado é quando você reconhece aquele pé.
Você dá aquela respirada de leve, e instantaneamente você sente o cheiro maldito de gás metano instalado na porra toda.
Você inala pela boca por uma ou duas vezes, mas você não quer que essa merda tóxica inflame talvez, quem sabe, suas cordas vocais ou até seu esôfago, então você prende a respiração.
Só que você tem que fazer alguma coisa, porque se você entrou ali, você entrou por uma razão.
Então, você vai ficando roxo, enquanto você pega um ou dois papéis, abre a torneira, assoa o nariz, bate o pé, faz um gargarejo, só para que a pessoa que está sentada tranquila e relaxada naquela porra de privada sendo a protagonista dessa merda toda, entenda que você entrou para alguma razão, e não entrar e sair apressado, pelo menos não deixar uma tossida por ali.
Finalmente, quando você ficou tempo suficiente para enganar satisfatoriamente o grande cagador, você sai daquela prisão mefistofélica e só resta o último suspiro. É como se você estivesse saído debaixo do oceano atlântico até a superfície. Você fica aliviado. Você se sente salvo, um novo homem! Nem querer dar uma cagada você quer mais. Cagada? Só amanhã a noite!
Tem uma coisa muito melhor em mãos! Volto a respirar ar...Ar Puro!
Você está vivo! Brindemos à isso !
Logo depois, constato quem é o cagador...sapatos não mentem.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Maldita Paixão













Hoje pela manhã acordei com ela em meus pensamentos.
Ela já estava em meus sonhos dias atrás e quando acordei, lá pelas duas da tarde, lá estava ela novamente em meus pensamentos.
Levantei, ainda dominado pelo sono, tropiquei em um sapato que estava no meio do caminho, e quase escorreguei em uma camiseta manchada de vinho que estava no rodapé da porta. Latas de cerveja vazias rolaram de um lado a outro e uma aranha tecia sua teia próximo a minha cortina.
Fui até o vitrô da sala e a vida acontecia lá fora, em sua forma comum e normal.
O tempo estava nublado e começava a cair pingos sobre o vidro.
Ela ainda permanecia em meus pensamentos.
Maldita paixão...

A Bela Sensação do Macho Alfa

















Quando a coloquei de costas na cama e coloquei fundo, ela sabia que daquele momento em diante eu não estava brincando.
Ela gritava meu nome e intercalava gritos de prazer a toda hora.
Ela era loira. Seu nome era "Fanny  a loira". A loira mais linda do bairro. Devia ter uns vinte e cinco anos. Pele branquinha, Boca carnuda, quadril largo e uma bunda maravilhosa. Seus peitos não eram ingleses, e sim indianos. Pequenos.
Depois que gozei, sai de cima dela, nós dois acendemos um cigarro, olhamos um para o outro e começamos a rir no meio da madrugada. Passava das três da manhã.
-
Dia seguinte, eu já estava com a moreninha safada. A sobrinha da minha vizinha, que toda vez que me via, mordia os lábios inferiores e fazia movimentos ininterruptos com os cabelos.
Quando voltei do mercado, ela estava no corredor conversando com a tia.
Nos olhamos, ela se insinuou, abri minha porta, fiz um movimento com a cabeça para ela entrar, ela consentiu e tranquei a porta.
Lá dentro fizemos tudo aquilo que há tempos já queríamos.
Ela era uma selvagem.
Seu nome era Camily. Morena, sorriso largo com dentes lindos e brancos. Baixinha, com nenhuma alteração em suas curvas. Mas mesmo sendo aparentemente "pequena", aquela moreninha safada não cansava, jamais.
Tive que usar minha língua para ajudar em seu prazer. No final, ela me chamou de gostoso e disse que há tempos não sentia tudo aquilo.
Virei pro lado e dormi, com aquela sensação de dever cumprido.
Ela me balançou e acordei. Quando me dei conta, estava eu amarrado na cama, Camily com uma faca na mão e na outra segurava meu celular que lia uma mensagem de texto de Fanny, e ela insistia em me perguntar:
- Quem é essa Fanny, a lorinha? Quem é essa Fanny?
-Ninguém, ninguém benzinho! Ninguém! - eu respondia pasmo.
-Ninguém é?
-Ninguém, amorzinho!
Sem perceber, ela cravou a faca em meu peito.
Gritei, e acordei no meio da noite.
Respirei fundo umas três vezes e me dei conta que toda aquela selvageria com duas fêmeas, fora somente um sonho.
O anel da loirinha do bairro se foi, e a massagem com as mãos da moreninha fora só uma ilusão.
Constei que uma única coisa havia se dado bem, tive que trocar a cueca.
ÉÉhhh, a vida não é como planejamos....foi em sonho, mas eu comi.


Dedicado e inspirado em um grande amigo.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Não Ultrapasse A Faixa





















Era engraçado de ver como as pessoas se preocupavam com suas próprias vidas. De como elas corriam de um lado a outro em busca da felicidade sem mesmo chegar a lugar nenhum. Promessas eram feitas em finais de ano ou em alguma data marcante e sempre protelavam em tudo.
Sem disciplina aparente, no final de tudo, pediam ao altíssimo que traria à elas o milagre pedido.
A inconsciência esfregada na minha cara, fazia com que eu duvidasse da nossa própria evolução.
Era engraçado de ver como elas criavam seus próprios problemas e não conseguiam sair de suas fantasias e ilusões.
De como o temor da morte as espreitava em cada esquina que passavam, e de como uma rebelião por uma melhoria social/econômica faziam suas crenças serem dominantes a ponto de criarem uma guerra entre eles mesmos.
Tudo isso era o ser humano. Sua forma estranha e peculiar de ver e se portar perante a vida.
Eu mesmo era um deles....e isso me entristecia, mas só cinco minutos do meu dia.
A outra parte do dia, eu extrapolava em minha loucura quebrando regras e limites...


Malditas Repetições Diárias













...E de todo aquele circo eu já estava farto.
Acordar, trabalhar, interagir com pessoas vazias, foder e dormir.
Aquela encenação diária trivial repetidas inúmeras vezes começava a me deixar intranquilo.
Para onde iríamos? O que encontraríamos no final dessa labuta de merda?
Tudo isso para terminar em um caixão florido com as mesmas pessoas vazias?
Por favor, tampem minhas narinas ao me vestir com aquele terno cinza ridículo, sou alérgico a pólen.
Espero que seja num dia ensolarado...


sábado, 10 de maio de 2014

Uma Vida Nova, A Partir De Hoje




















Ao abrir o registro do chuveiro, a água começou a cair sobre meu cansado e velho corpo. Logo, me senti especial...não sei...comecei a planejar e ter ótimas idéias sobre o futuro, sobre ser alguém, sobre mim.
Pensava no que poderia ter me tornado se tivesse feito escolhas diferentes. Me repreendi algumas vezes, me agradeci em outras. Conversei comigo mesmo de uma forma séria e sem rodeios. Prometi mudar-me em muitas coisas.
Falava sozinho no banheiro, já tomado pela nuvem de ar quente.
Ao desligar o registro, peguei a toalha, me sequei, coloquei minha sandália, uma roupa leve e voltei pro sofá. Passava o jogo do time regional. Abri uma gelada, e aquilo tudo, já era o suficiente....


Deus, Vai Uma Mãozinha Aí?














Hoje quase cometi um assassinato.
Quase matei a raça humana pela sua banalidade e superficialidade em ditar seus achismos mal resolvidos e opinar por melhorias egoicas.

Eu até tentei conversar e ajudar Deus para facilitar as coisas pra ele, em ficar ouvindo preces vazias de pessoas infantis que só querem status e prestígio para satisfazer seus próprios egos...mas ele não me respondeu.

Creio que ele tenha estourado os tímpanos e cegado seus olhos.
Estar morto, acho improvável.
Acho que ele se escondeu para que ninguém o questione sobre sua criação...


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Melany, Fique Um Pouco Mais!











Melany estava deslumbrante. Corpo escultural, curvas perfeitas. Mulher sensacional.
Ela se mostrava pra mim com todo seu talento, enquanto eu, só de cuecas e meias, ansiava pelo show que iria começar.
-Oi garota, você quer falar comigo? - Eu a provocava.
Ela vinha devagar, com aquela calça jeans branca, bem justa. Fazendo que seu "popôti" ficasse redondinha. Ela usava aqueles saltos meia pata. 
Melany....difícil colocar em palavras. 
Meu amigo se expressou de antemão. Era como se quisesse sair pra fora da cueca e assistir também todo aquele espetáculo.
De frente para mim, Melany jogava as roupas na minha cara. 
-Vou te castigar! - Ela dizia. 
Eu fingia que doía e fazia cara de dor. Ela ria.
Tirou todas as partes, até ficar somente com o espartilho.
-Agora, senta na cama! Ela dizia com ar de comando.
Aquele conjunto de espartilho preto, me fazia bater a nuca diversas vezes no encosto da cama.
Aquele cabelão loiro até a cintura, sendo jogado de lá pra cá, me fascinava.
Suas mãos passavam por todo seu corpo escultural e desejado.
Quando o show acabou, ela me puxou e disse:
-Faço tudo que você quiser por cem, garotão!
Ahhh...eu devia saber! Toda aquela dança, charme e exibição, eram só para me deixar louco de vontade e com água na boca. Melany sabia das coisas. 
-Cem? Não é vintão? - Perguntei perplexo.
-Não. Eu vou embora!
Melany, começou a recolher sua roupa e já foi dando o fora. Melany era decidida e rápida em suas decisões. 
Deve ser também pelo fato do hotel de quinta categoria que resolvi me encontrar com ela. Acho que ela não apostou muito em mim.
-Ei, Mel! Qualé? Volte aqui! Fique por vintão. Eu te pago uma bebida.
-Que me paga uma bebida o quê, seu sujo!
Com a mesma rapidez que Melany abriu a porta, fechou com toda força. Nem ao menos olhou para trás.
A raiva que estava de mim, descontara na porta. 
Menos mal! - pensei.
Alguns segundos depois, Mel voltou.
Pensei que iria cortar o meu saco fora e dar de comer aos cachorros da rua, ou até dar mais uns beijinhos de despedida ou até desculpas.
Sem hesitar, eu disse:
-Venha Mel...venha aos meus braços. Eu te perdoo.
Melany, só voltou para pegar seu sutiã que estava próximo a mobília e novamente bateu a porta com tudo e se foi, sem mais voltar.
Eu continuava sentado na cama com a luneta apontando ao norte....e com os vintão na mão.


terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Baby, Seu Drink Amargo Com Uma Pitada De Culpa Está Pronto!
















Veja agora,
Como suas provações diárias, fazem-na debater em seu sofá em pleno domingo ensolarado.
O desperdiçando em demasia.
E se colocar na posição de reverência sobre minhas ações do passado,
Tanto, aquelas que, você não as compreendia, muito menos aceitava.

Aceito e me coloco como espectador, de sua nova vida.
Aquela vida que tanto tu quisera,
Por desejar a tal liberdade,
Mas que hoje, prova o gosto amargo de não ser mais a garota número 1.

O tempo passou, e hoje, ele te cobra, através de suas responsabilidades,
E você não percebeu isso, há tempo.
Mesmo com as inúmeras atitudes e avisos meus, que refletiam em um futuro desagradável, caso seguisse essa sua linha,
Foi inevitável acontecer com você!

É como se você estivesse dentro de um navio,
Destino? A qualquer lugar no mundo.
Porém, você permanece em um porão escuro,
Acorrentada nas algemas de suas próprias escolhas.

Qual é o gosto de tudo isso, heim querida?
Permaneço aqui, gargalhando
E tendo a certeza, que,
Um dia você gritará meu nome e finalmente entenderá o que já devia ter entendido,
Há muito tempo...


"Aquilo"














Me sirva com as mais belas fantasias e sensações que só você pode oferecer.
Meus desejos são muitos, e minha maneira de ver "você", parece estranho à maioria de todos.

"Aquilo", me rejuvenesce e me envaidece.
"Você" sabe como ninguém,
Como fazer "Aquilo" se multiplicar por si.

Quero agora!! Que você permaneça aqui....isso...assim, ótimo!

"Aquilo" nos envolve, nos prepara,
Mas nos cansa as vezes.
É como assistir um filme diversas vezes.
O final já está consumado!!

Por muitas vezes, queremos que "Aquilo" se afaste de nós, pelos nossos próprios votos de confiança,
Mas não acontece assim.
Ela nos procura. Ela deseja nossa atenção.
Tal é, sua força para chegar até nós.

E sua insistência nos nutre de tal forma,
Que é inevitável, que pelo menos uma vez, em nossa vida,
Ela tenha vencido,
Pela desistência de forçar o seu desejo sobre nós mesmos.
Somos fracos demais...


sábado, 11 de janeiro de 2014

Um Brinde à Vocês!




















Quero dizer à todos os moralistas,
Que torço por vocês
Serem capazes de verem suas próprias genitálias!

Faço um brinde à vocês,
Com um copo de vinho em uma mão,
Enquanto roço as bolas com a outra.

Como Não Saberei ?



Leio literatura russa, falo três idiomas e tenho canudo superior....
....Como não saberei tratar bem os idiotas??
Como não saberei ?