terça-feira, 25 de dezembro de 2012

A Carta para o Papai Noel
















Meu Diário
Autor: Jonas Green
Idade: Oito anos
Ano: 1943
Local: Minha casa, em meu quarto
Data: 26/12
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Quero expressar aqui, tudo o que ele representa para mim e o que sinto por ele.
Essa é minha carta para o Papai Noel.

"Eu adoro o Natal, pois é o nascimento do menino Jesus. Ele é muito importante para mim. De tudo aquilo que ele proporcionou em ensinamento e amor entre os seres, é muito gratificante, mesmo depois de dois mil anos de sua morte...
...Mas preciso dizer uma coisa, humm....junto dessa dádiva toda, sempre tem de vir algo para estragar nossa noite de celebração. Esse tal de Papai Noel.... esse gordo aê... não vou com a cara desse velho.
Antes que digam que ele é um bom velho que traz presentes para as criancinhas, eu direi:
Ele é um seletivo social, péssimo por sinal...tem um péssimo mal gosto.
Em sua lista de presentes, só estão as criancinhas ricas.
Esse papo, que ele traz presentes para as criancinhas que se comportam bem o ano inteiro ou que respeitam os mais velhos, não passa de uma mentira, é balela, groselha.
Vejo por mim, que sempre me comportei bem o ano inteiro. Nunca briguei na rua por bolinhas de gude, nem ao menos com meus irmãos ou nem fugi de casa...e nunca, nunca, recebi um presente sequer desse velho gordo seboso.
Mesmo quando em três "natais" seguidos eu fiquei acordado sentado em minha cama até as tantas da madrugada esperando esse velho pançudo. Esse velho gordo nem ao menos bateu na porta ou jogou pedrinhas na minha janela para me visitar.
Ou quando em um natal, coloquei minhas meias, minhas únicas meias que tinha, do lado da árvore pedindo um brinquedo para ele. Ele foi tão filho da puta que além de não trazer meu brinquedo, o gordo safado ainda levou embora minhas meias, minha única meia. Passei uma temporada inteira com frios nos pés.
Porque ele usa um uniforme vermelho, pergunto eu?
Chega ser hipócrita em alto grau da parte dele. Ele quer dar uma de moralisa, de comunista pra cima de mim? Quer mostrar que seu amor é totalitário para todas as criancinhas?
E as crianças que não tem nem o que comer no mundo? Onde ele enfia aquele saco gordo dele?
Olha aqui seu Papai Noel, Eu já estou de SACO CHEIO disso tudo. Eu te chuto essa bunda gorda heim?
Irei construir uma lareira mais estreita para que sua pança entale em minha chaminé, caso você venha descer aqui e vou rir muito da sua cara!
Não venha mais aqui. Não venha. Está proibido de descer aqui e fazer essas peripeças comigo.
Devo imaginar o menino Jesus em seu túmulo se desdobrando e se perguntando:
"O aniversário é meu, e vocês que ganham presentes?  E quem ganha os créditos?
Esse gordo fedido e obeso?"
Papai Noel faça um favor para mim e todas as criancinhas?
Vá para puta que o pariu, conhecida mais como Pólo Norte. Conte seus incontáveis elfos mágicos por quinhentas vezes até se cansar, assim como fiz com as ovelhas toda noite quando estava com insônia por esperar você, depois que minha mãe enchia minha barriga de leite quente para poder dormir.
E suas oito ou nove renas voadoras? Jogue bumerangues para elas até você emagrecer, seu velho gordo".
Com amor à indignação,

Jonas Green

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A Péssima Anfitriã














"Em meus quase oitenta anos de idade. "Essa", foi a pior noite da minha vida."

Eu escrevia um artigo para a revista "Diary Flow Post", sobre Confiança das Relações, Traições Amorosas e essas baboseiras sentimentais. Faltavam apenas dois dias para a entrega.
Estava sozinho no conforto do lar, enquanto Thiffany estava no trabalho.
Após terminar o conto, acendi um cigarro e comecei a entrar dentro de mim. A única coisa que se movia naquela sala silenciosa além de meus pensamentos, era a fumaça acinzentada e densa de meu cigarro que queimava por si só, e que estava prestes a queimar a ponta de meus dedos.
Passava das nove. A manhã estava úmida. O sol começava a esquentar a nós todos da cidade.
Enquanto viajava mais e mais em meus pensamentos, sem perceber, lembrei de um fato grotesco e ridículo que ocorreu em minha vida. Não me lembro bem ao certo que década que isso ocorreu, mas foi há muito tempo atrás.
Eu era jovem, estava em casa, sem fazer nada em um sábado a noite.
Meu telefone tocou, e quem estava do outro lado da linha, a anfitriã.
Fui convidado para uma festa em sua casa, insistiu que minha presença fosse necessária já que ela sempre disse que me considerava.
Naquela época, como eu era jovem e meu fígado mais ainda, eu podia me proporcionar muitas horas  a mais de bebedeira.
Mesmo sendo muito tarde, aceitei o convite mesmo não tendo vontade nenhuma de comparecer. Sempre fui sedentário e preguiçoso. Além de não possuir automóvel na época.
Quando cheguei, a festa estava no ápice. Haviam muitas pessoas no recinto, uma mais estranha que a outra. Havia muita bebida e comida para todos, a música estava alta para que todos se divertissem.Como eu era muito mais jovem, então bebi todas.
Depois de quatro horas de festa, as pessoas começaram a se movimentar. Uns iam embora, outros dormiam no corredor, outros bebiam na garagem.
As cinco da manhã, haviam somente quatro pessoas na casa acordadas.A anfitriã, um casal e eu.
Ela se dirigiu a um quarto e se trancou lá, passou alguns segundos, fui até a cozinha abrir mais uma gelada.
Quando retornei, o casal já estavam no rala e rola. Eu não poderia ficar por ali, seria frustrante de minha parte ver tal cena, não acha? Tosco! Então, me encaminhei até o quarto. A porta continuava trancada, bati diversas vezes, tentei abrí-la mas nada adiantou. Eu não sabia o que fazer. Então tentei outro quarto, também trancado. Eu REALMENTE não sabia o que fazer.
Resolvi ir para a cozinha, a bagunça tomava conta daquele lugar....mesa, pia, lixo no chão. Haviam inúmeras coisas fora de lugar. A galera tinha feito "A festa" naquele ambiente.
Puxei a cadeira, sentei. De um lado a outro, procurei algo para apoiar minhas costas, encontrei uma almofada no chão, bati para tirar o excesso de pó, a coloquei no apoio entrelacei as mãos, os pés, abaixei a cabeça e tive "aquela" bela noite de sono. Vide a foto do "urso panda" (nota do autor).
Acordei com o destrancar da porta, mas até ai pensei que alguém iria me chamar para ter uma noite digna ou explicar que diabos estava ocorrendo.
A porta se fechou novamente e continuei sentado, a esperar.
Depois de vinte minutos, pela dor intensa em meu pescoço e as costas enrijecidas, fui obrigado a me levantar e ver o que ocorria naquele cômodo. Coloquei os sapatos e fui até a sala, lentamente.
Ao chegar, fiquei surpreso, pois não havia ninguém na sala, somente copos e mais copos de bebidas, jogadas por toda a parte.
Não havia ninguém, mas havia um baixo e intenso sonzinho vindo do quarto, dava para perceber pelo silêncio da manhã em uma rua tranquila. Ao me aproximar na porta do quarto, percebi que dali, vinha diversos ruídos que dava para entender o que acontecia por lá. Até imaginei que os três pudessem estar lá dentro.
Me senti como um pedaço de papel molhado no canto da pia, ou um bolo de pó no rodapé da sala.
Desiludido, voltei à cozinha mas antes fui ao banheiro para urinar.
Não dei descarga e nem lavei as mãos, estou muito a frente dessas convenções sociais e morais, muito menos naquele lugar e naquela hora.
Finalizando os fatos em minha mente do que havia ocorrido e do estava acontecendo, pensei que os três estavam no quarto, e eu ficara literalmente na mão.
Imagine você nesta situação, caro leitor.
(Não é um chute no saco, e sim, uma bica nas bolas).
Me senti um tanto quanto enganado, usado, minha presença foi usada para outros motivos e consequências, estive a beira da insanidade, foi um soco no baço.
Tudo isso, me fizeram questionar até a minha existência como ser importante para este mundo.
O plano era outro para a noite.
Só restava uma coisa a fazer, voltar para a cozinha e dormir. Mas não conseguia mais.
Dois minutos depois, a porta se abre novamente e percebi que alguém se aproximara. Eu estava de braços cruzados e olhava incessantemente para tal pessoa que se aproximava. Mas a pessoa não foi à cozinha, ela entrou no banheiro, uma porta antes.
Me levantei e fiquei ao pé da porta, intacto.
Era o rapaz. Tranquilamente, ele lavava o rosto, e ao secar se virou e me viu de pé na porta.
Sua cara se resumia a descarrego da tensão e álcool.
Ele percebeu que eu não estava com a melhor das caras. Fomos até a sala, expliquei tudo à ele. Ele não acreditara no que ouvia.
Eu estava exausto. Já passava das sete da manhã.
Não tive prazer, não tive conforto, não tive nem uma boa noite de sono.
Meu pescoço estava dolorido, minhas costas estavam duras pelo enrijecimento dos nervos devido ao grande esforço que fiz durante as horas que fiquei sentado no meio da cozinha. A dor de cabeça era tão intensa que cortava minha testa.
Em minhas últimas palavras à ele, disse:
-Foda-se este lugar, vou embora dessa merda.
-Mas você não conhece nada por aqui Jonas. Você está do outro lado da cidade.
-Ahh, não quero saber. Eu vou andando.  Não poderia piorar minha situação. Ao menos se eu ficasse por lá.
O portão estava fechado, eu queria sumir daquele lugar o quanto antes.
Antes de pular o portão, pois não encontrava as chaves em nenhum lugar, passei pelo corredor e os cachorros ainda dormiam tranquilamente em suas casinhas. Tal era o sono de ambos.
Subi correndo pela rua e ao olhar a direita, dei de cara com um táxi no fim da rua. Corri e corri até ele, expliquei a situação de merda que eu me encontrava e ele disse "entra aí".
Eu não sabia onde diabos estava, o taxista me deixou em uma condução e segui viagem até minha casa.
Durante a viagem, eu não podia dormir nem ao menos cochilar, pois qualquer sono leve que poderia ocorrer, eu descansaria a cabeça para fente e faria meu pescoço contrair em dor. Era uma dor insuportável. Eu também, poderia perder o ponto de descida.
A dor nas costas aumentavam cada vez mais. Meu pescoço estava enrijecido, comecei a delirar naquele ambiente. Estava exausto, muito exausto. Durante todo o percurso, algo me consumia, me consumia de verdade. Queria saber, como tudo aconteceu, como tudo foi esquematizado pela anfitriã.
E ao pensar incessantemente, só havia uma forma dela ter planejado tudo.
Quando ouvi o primeiro destrancar da porta, ela saiu do quarto e foi para o quintal, (o rapaz me contou isso enquanto estava no banheiro horas depois), logo após, o casal foi para este quarto e por sua vez, se trancaram para ter uma bela noite de amor. A anfitriã então, retornou do quintal, abriu a porta do outro quarto e se trancou por lá, dormindo tranquilamente até as tantas, me deixando a mercê de toda a merda que me aconteceu.
Isso explica a sala vazia e os pequenos ruídos que eu ouvira, logo depois de sair da cozinha e procurar saber o que acontecia.
Estava com muita raiva, frustração, dor física e psicológica. Nada de bom, me acontecia neste dia.
Além, claro da inveja...muita inveja...
...Mas não do rapaz, que teve um belo encontro com a garota, ou da anfitriã que dormiu tranquilamente em sua cama, e deixou os convidados na merda, mas sim, dos dois cachorrinhos que os vi dormindo tranquilamente em suas casinhas de madeira com almofadas.
Nesta noite, dormi na pior das proporções, foi a pior noite da minhavida.
Exposto as mais diversas atrocidades possíveis. Desprovido de qualquer condição humana.
Depois de quarenta anos, eu nunca mais falei com tal pessoa, nem a vi mais. Passou-se muito tempo desde então...

Resolvi apagar o conto que tinha escrito para a revista e postei o conto da anfitriã.
Meu editor me informou que eu havia recebido muitos elogios pelo artigo.
Obrigado anfitriã, ganhei uma promoção.

Para a anfitriã

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

No Banco da Igreja











Eu estava mal. Estranho pra burro. Andava meio perturbado com meus sentimentos. Não sabia o que poderia ser. Isso me afetava de várias maneiras. Me deixava estressado.
Thiffany disse diversas vezes para eu ir até a igreja, rezar para o rapaz da sunga e me libertar.
Ela dizia que seus braços abertos na cruz simbolizavam "o amor pelo mundo, "o abraçar o mundo", o seu amor" e blá blá blá....que ele me salvaria e blá blá....mas eu não conseguia ver assim.
Como abraçar o mundo, se o mundo o matou? -Eu pensava. -Ele deve ter feito algo. Só há punição para aqueles que infringim leis. Acho que ele infringiu uma grande lei, a lei das leis.
Ele tentou mudar o homem a sair da punição, e isso o punidor não pode aceitar.
Eu recentemente tinha fechado acordo com uma grande revista com abordagem na vida social.
O acordo era escrever em uma coluna semanal. Não parecia, mas era muito cansativo, pois escrever em um coluna semanal sobre assuntos do cotidiano, era deprimente. Um dos assuntos que eu abordava em minhas dissertações eram: "Mulher assassina guaxinim em extinção por pensar de se tratar de um gambá", Assalto a mão armada em um estabelecimento, leva guarda de guarita fingir estar dormindo para não ser refém", "Direitos femininos na ala norte da prisão x, "Confronto entre heterossexuais acaba mal em balada GLS".
Era bem dinâmico e cruel este trabalho. O mundo nos dá boas vindas e nos mostra tudo o que ele tem a oferecer. Entre um trabalho e outro, decidi dar um passeio na cidade para estabelecer uma conexão com o mundo cru e truculento. Passeava pela rua e ao observar os acontecimentos, meu senso crítico ficava mais e mais apurado.
Eu continuava mal, muito mal.
Nessa hora passei por perto de uma igreja, lembrei o que Thiffany havia dito:
"Seus braços abertos na cruz simbolizavam "o amor pelo mundo, "o abraçar o mundo"...
Achei aquilo de tal poesia e humano para um morimbundo prestes a morrer que decidi entrar na igreja e pedir seu auxílio.
Entrei, vi o hall imenso na minha frente, o grande senhor pregado de sungas sujas, estava ali bem na minha frente. Escolhi um lugar reservado do lado direito e sentei no banco.
Sentei, cruzei os braços e comecei a conversar comigo mesmo olhando para os lados, para o senhor da sunga suja, para as pinturas no teto, para um lustre sem lâmpada, para o senhorzinho que limpava as estátuas, etc...
Conversava, perguntava, respondia, criava vínculo com o grande senhor da sunga suja em meus pensamentos.
Descansei os joelhos no assento, fechei os olhos e comecei a conversar com o grande senhor. Eu pedia uma resposta, eu queria que o grande senhor da sunga suja pudesse me tirar esse mal estar de mim. Eu sentia algumas coisas, mas não sabia se ele podia me responder. Eu até olhava em volta se alguma luz pudesse pairar sobre minha cabeça, mas não. Nada acontecia. 
Sentei novamente e esperei....
Comecei a me sentir melhor depois de alguns instantes, aquele lugar, aquela energia me fez ficar leve, tranquilo, me deixou caaaaalmo.
Era uma sensação maravilhosa poder estar ali. Finalmente minha conversa comigo mesmo, tinha chego até o grande senhor da sunga suja.
Amorosamente, sem eu nem ao menos perceber, fui tocado pelo ombro. Era uma mão suave que pedia pela minha atenção. Quando me virei, para ver de quem era aquela mão abençoada, percebi que era a mão do tiozinho da limpeza. Carinhosamente ele disse à mim:
-Senhor, o senhor poderia se levantar, não se pode dormir nos assentos desta igreja.
Pisquei os olhos diversas vezes, me sentei no banco de madeira, esfreguei as mãos em minha cara
e só disse ok, levantei e fui embora.
Obrigado grande senhor...O senhor "tirou " o meu mal estar, tirou a minha intranquilidade.
Que bom ter dormido em um lugar como aquele, era tudo que eu precisava....descansar!
Cheguei em casa, dei um beijo de agradecimento à Thiffany e mais motivado do que nunca, comecei a escrever como um louco. Escrevia sobre qualquer assunto. Motivação total.
Escrever sobre a merda do cotidiano, faz você perder muitas noites de sono....

Baseado um um fato real

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Polvilho Granado














"Que cheiroso dos infernos"!!!
-Foi a primeira coisa que pensei em fazer cara de desaprovação quando percebi que a pessoa com o chulé era a mocinha do meu lado.
Fui ao consultório médico visitar meu urologista, fazer aquele exame, sabe? Fui obrigado a ir nessa merda. Aguardava na sala de espera já fazia algum tempo. Muitos e muitos minutos já haviam se passado.
Era um dia quente, até a hora do almoço iria esquentar inevitavelmente.
A sala era pequena, havia a recepcionista à nossa frente, e sete, oito ou talvez doze pessoas no aguardo da chamada. Havia também, as pessoas que andavam de um lado a outro.
As janelas da sala ficavam atrás da recepcionista, o sol refletia nelas e assim, ficava cada vez mais quente.
Sem quase ninguém perceber, começou a exalar um cheirinho estranho. Um cheiro azedo, forte, insuportável, diferente daquele que sentíamos antes do ventilador quebrar.
Percebi que o odor desagradável vinha da mocinha ao meu lado.
Até pensei em chamá-la de canto e dizer bem baixinho em seu ouvido: "tem que pegar e se cuidar mais, garota". Falar p-a-u-s-a-d-a-m-e-n-t-e, em seu ouvido,  "tem que pegar-esse-cu-í-dá-mais.... mas logo desisti da idéia. Talvez ela não aceitaria meu conselho.
Jovem, bonita, jeitosinha, cabelos negros mas com um pezinho que fedia mais que gambá.
Dava até pra ver o suor da planta do pé na sapatilha rasterinha.
O cheiro ficava cada vez mais forte, era nauseante estar ali.
Eu até tinha esquecido o que o urologista iria fazer comigo, nem me importava mais, eu só queria sair dali...logo.
Eu não conseguia prender a respiração por muito tempo, por estar velho e ser sedentário.
Nessas horas, seria uma boa ser um atleta....
Urologistas...são legais, pow...

Para a garota da janela

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Eu Não Sei Fazer Redação















Fui à uma entrevista de emprego, pois Thiffany enchia meu saco dizendo que eu vagabundeava em casa, que eu não servia pra nada, que eu nem tirava os pés do chão enquanto ela limpava, ou quando eu jogava minhas cuecas de dois dias no chão do banheiro enquanto no sofá descansava.
"Ela precisa ter mais paciência, meu deus"... - eu pensava.
Os contos até dava um bom dinheiro, mas nem tanto conforto. Eu pelo menos, conseguia pagar as pizzas de finais de semana e meu vinho. Que já era o bastante pra mim.
Mas Thiffany, queria algo mais, ela desejava que eu saísse da procrastinação e sedentarismo.
Resolvi me candidatar a uma vaga de zelador de um motel, pois era um serviço que eu faria o menos possível. O prédio era muito antigo e havia passado por algumas reformas e atendíamos clientela classe C e D.
Já era raro de que essas classes visitassem nosso recinto. Pelo menos dávamos camisinha de graça e halls.
Para ser aprovado na vaga, tive que fazer uma redação. O assunto era simples, porém mortal e intimidador. O tema era. "Quem Sou Eu".
Eu não era a pessoa mais indicada em escrever sobre mim mesmo, enquanto procurava uma vaga de emprego, pois o que eu escreveria de mim mesmo? O que eu poderia escrever?
Bem, pensei em escrever primeiro as qualidades e depois meus defeitos.
Peguei a folha, apontei o lápis, pensei, pensei.. e comecei a escrever.

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"Qualidades:
Meu nome é Green, Jonas Green.
Sou uma pessoa muito tranquila e calma.
Sou um homem responsável e criterioso em minhas decisões e atitudes.
Não costumo beber muito, bebo somente o essencial para permanecer vivo....água.
Sou um homem dedicado para com as minhas atividades e coloco minhas responsabilidades como prioridade.
Em meu profissional, sou dinâmico e pró-ativo, fazendo com que meus resultados sejam cada vez melhores. Faço minhas atividades com total prontidão e qualidade. Minha esposa e eu, somos um grande casal, uma família feliz.
Defeitos:
É bem fácil eu ficar nervoso e irritado. Não sei lidar com as emoções de uma forma positiva. Quando fico nervoso, preciso tomar um vinho ou um whisky, e quando estou bêbado, não sei resolver muita coisa, prefiro ficar no sofá, de vez levantar para urinar. Há muitas coisas que tenho que fazer, mas deixo pra depois, elas não irão sair do lugar mesmo, elas podem esperar. As vezes, durmo no sofá pois minha esposa me expulsa do quarto, e as vezes, vomito no banheiro e durmo preso à privada.
Obrigado,
Jonas Green".
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Thiffany ao entrar em casa, me viu esparramado no sofá e perguntou.
-Eae, amorzinho, como foi a entrevista?
-Ahh querida... não consegui a vaga.
-Porquê?
-O chefe do RH me dispensou, pois achou que eu poderia ser um perigo aos clientes que viessem aparecer naquele lugar.
Me dispensou com a leitura da última frase da redação.
-E qual foi benzinho? - Thiffany perguntou ao me dar um cafuné.
-Senhor, preciso deste emprego. Acredite, sou totalmente honesto e sincero em minhas palavras....e nunca minto.