terça-feira, 25 de dezembro de 2012
A Carta para o Papai Noel
Meu Diário
Autor: Jonas Green
Idade: Oito anos
Ano: 1943
Local: Minha casa, em meu quarto
Data: 26/12
--
Quero expressar aqui, tudo o que ele representa para mim e o que sinto por ele.
Essa é minha carta para o Papai Noel.
"Eu adoro o Natal, pois é o nascimento do menino Jesus. Ele é muito importante para mim. De tudo aquilo que ele proporcionou em ensinamento e amor entre os seres, é muito gratificante, mesmo depois de dois mil anos de sua morte...
...Mas preciso dizer uma coisa, humm....junto dessa dádiva toda, sempre tem de vir algo para estragar nossa noite de celebração. Esse tal de Papai Noel.... esse gordo aê... não vou com a cara desse velho.
Antes que digam que ele é um bom velho que traz presentes para as criancinhas, eu direi:
Ele é um seletivo social, péssimo por sinal...tem um péssimo mal gosto.
Em sua lista de presentes, só estão as criancinhas ricas.
Esse papo, que ele traz presentes para as criancinhas que se comportam bem o ano inteiro ou que respeitam os mais velhos, não passa de uma mentira, é balela, groselha.
Vejo por mim, que sempre me comportei bem o ano inteiro. Nunca briguei na rua por bolinhas de gude, nem ao menos com meus irmãos ou nem fugi de casa...e nunca, nunca, recebi um presente sequer desse velho gordo seboso.
Mesmo quando em três "natais" seguidos eu fiquei acordado sentado em minha cama até as tantas da madrugada esperando esse velho pançudo. Esse velho gordo nem ao menos bateu na porta ou jogou pedrinhas na minha janela para me visitar.
Ou quando em um natal, coloquei minhas meias, minhas únicas meias que tinha, do lado da árvore pedindo um brinquedo para ele. Ele foi tão filho da puta que além de não trazer meu brinquedo, o gordo safado ainda levou embora minhas meias, minha única meia. Passei uma temporada inteira com frios nos pés.
Porque ele usa um uniforme vermelho, pergunto eu?
Chega ser hipócrita em alto grau da parte dele. Ele quer dar uma de moralisa, de comunista pra cima de mim? Quer mostrar que seu amor é totalitário para todas as criancinhas?
E as crianças que não tem nem o que comer no mundo? Onde ele enfia aquele saco gordo dele?
Olha aqui seu Papai Noel, Eu já estou de SACO CHEIO disso tudo. Eu te chuto essa bunda gorda heim?
Irei construir uma lareira mais estreita para que sua pança entale em minha chaminé, caso você venha descer aqui e vou rir muito da sua cara!
Não venha mais aqui. Não venha. Está proibido de descer aqui e fazer essas peripeças comigo.
Devo imaginar o menino Jesus em seu túmulo se desdobrando e se perguntando:
"O aniversário é meu, e vocês que ganham presentes? E quem ganha os créditos?
Esse gordo fedido e obeso?"
Papai Noel faça um favor para mim e todas as criancinhas?
Vá para puta que o pariu, conhecida mais como Pólo Norte. Conte seus incontáveis elfos mágicos por quinhentas vezes até se cansar, assim como fiz com as ovelhas toda noite quando estava com insônia por esperar você, depois que minha mãe enchia minha barriga de leite quente para poder dormir.
E suas oito ou nove renas voadoras? Jogue bumerangues para elas até você emagrecer, seu velho gordo".
Com amor à indignação,
Jonas Green
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
A Péssima Anfitriã
"Em meus quase oitenta anos de idade. "Essa", foi a pior noite da minha vida."
Eu escrevia um artigo para a revista "Diary Flow Post", sobre Confiança das Relações, Traições Amorosas e essas baboseiras sentimentais. Faltavam apenas dois dias para a entrega.
Estava sozinho no conforto do lar, enquanto Thiffany estava no trabalho.
Após terminar o conto, acendi um cigarro e comecei a entrar dentro de mim. A única coisa que se movia naquela sala silenciosa além de meus pensamentos, era a fumaça acinzentada e densa de meu cigarro que queimava por si só, e que estava prestes a queimar a ponta de meus dedos.
Passava das nove. A manhã estava úmida. O sol começava a esquentar a nós todos da cidade.
Enquanto viajava mais e mais em meus pensamentos, sem perceber, lembrei de um fato grotesco e ridículo que ocorreu em minha vida. Não me lembro bem ao certo que década que isso ocorreu, mas foi há muito tempo atrás.
Eu era jovem, estava em casa, sem fazer nada em um sábado a noite.
Meu telefone tocou, e quem estava do outro lado da linha, a anfitriã.
Fui convidado para uma festa em sua casa, insistiu que minha presença fosse necessária já que ela sempre disse que me considerava.
Naquela época, como eu era jovem e meu fígado mais ainda, eu podia me proporcionar muitas horas a mais de bebedeira.
Mesmo sendo muito tarde, aceitei o convite mesmo não tendo vontade nenhuma de comparecer. Sempre fui sedentário e preguiçoso. Além de não possuir automóvel na época.
Quando cheguei, a festa estava no ápice. Haviam muitas pessoas no recinto, uma mais estranha que a outra. Havia muita bebida e comida para todos, a música estava alta para que todos se divertissem.Como eu era muito mais jovem, então bebi todas.
Depois de quatro horas de festa, as pessoas começaram a se movimentar. Uns iam embora, outros dormiam no corredor, outros bebiam na garagem.
As cinco da manhã, haviam somente quatro pessoas na casa acordadas.A anfitriã, um casal e eu.
Ela se dirigiu a um quarto e se trancou lá, passou alguns segundos, fui até a cozinha abrir mais uma gelada.
Quando retornei, o casal já estavam no rala e rola. Eu não poderia ficar por ali, seria frustrante de minha parte ver tal cena, não acha? Tosco! Então, me encaminhei até o quarto. A porta continuava trancada, bati diversas vezes, tentei abrí-la mas nada adiantou. Eu não sabia o que fazer. Então tentei outro quarto, também trancado. Eu REALMENTE não sabia o que fazer.
Resolvi ir para a cozinha, a bagunça tomava conta daquele lugar....mesa, pia, lixo no chão. Haviam inúmeras coisas fora de lugar. A galera tinha feito "A festa" naquele ambiente.
Puxei a cadeira, sentei. De um lado a outro, procurei algo para apoiar minhas costas, encontrei uma almofada no chão, bati para tirar o excesso de pó, a coloquei no apoio entrelacei as mãos, os pés, abaixei a cabeça e tive "aquela" bela noite de sono. Vide a foto do "urso panda" (nota do autor).
Acordei com o destrancar da porta, mas até ai pensei que alguém iria me chamar para ter uma noite digna ou explicar que diabos estava ocorrendo.
A porta se fechou novamente e continuei sentado, a esperar.
Depois de vinte minutos, pela dor intensa em meu pescoço e as costas enrijecidas, fui obrigado a me levantar e ver o que ocorria naquele cômodo. Coloquei os sapatos e fui até a sala, lentamente.
Ao chegar, fiquei surpreso, pois não havia ninguém na sala, somente copos e mais copos de bebidas, jogadas por toda a parte.
Não havia ninguém, mas havia um baixo e intenso sonzinho vindo do quarto, dava para perceber pelo silêncio da manhã em uma rua tranquila. Ao me aproximar na porta do quarto, percebi que dali, vinha diversos ruídos que dava para entender o que acontecia por lá. Até imaginei que os três pudessem estar lá dentro.
Me senti como um pedaço de papel molhado no canto da pia, ou um bolo de pó no rodapé da sala.
Desiludido, voltei à cozinha mas antes fui ao banheiro para urinar.
Não dei descarga e nem lavei as mãos, estou muito a frente dessas convenções sociais e morais, muito menos naquele lugar e naquela hora.
Finalizando os fatos em minha mente do que havia ocorrido e do estava acontecendo, pensei que os três estavam no quarto, e eu ficara literalmente na mão.
Imagine você nesta situação, caro leitor.
(Não é um chute no saco, e sim, uma bica nas bolas).
Me senti um tanto quanto enganado, usado, minha presença foi usada para outros motivos e consequências, estive a beira da insanidade, foi um soco no baço.
Tudo isso, me fizeram questionar até a minha existência como ser importante para este mundo.
O plano era outro para a noite.
Só restava uma coisa a fazer, voltar para a cozinha e dormir. Mas não conseguia mais.
Dois minutos depois, a porta se abre novamente e percebi que alguém se aproximara. Eu estava de braços cruzados e olhava incessantemente para tal pessoa que se aproximava. Mas a pessoa não foi à cozinha, ela entrou no banheiro, uma porta antes.
Me levantei e fiquei ao pé da porta, intacto.
Era o rapaz. Tranquilamente, ele lavava o rosto, e ao secar se virou e me viu de pé na porta.
Sua cara se resumia a descarrego da tensão e álcool.
Ele percebeu que eu não estava com a melhor das caras. Fomos até a sala, expliquei tudo à ele. Ele não acreditara no que ouvia.
Eu estava exausto. Já passava das sete da manhã.
Não tive prazer, não tive conforto, não tive nem uma boa noite de sono.
Meu pescoço estava dolorido, minhas costas estavam duras pelo enrijecimento dos nervos devido ao grande esforço que fiz durante as horas que fiquei sentado no meio da cozinha. A dor de cabeça era tão intensa que cortava minha testa.
Em minhas últimas palavras à ele, disse:
-Foda-se este lugar, vou embora dessa merda.
-Mas você não conhece nada por aqui Jonas. Você está do outro lado da cidade.
-Ahh, não quero saber. Eu vou andando. Não poderia piorar minha situação. Ao menos se eu ficasse por lá.
O portão estava fechado, eu queria sumir daquele lugar o quanto antes.
Antes de pular o portão, pois não encontrava as chaves em nenhum lugar, passei pelo corredor e os cachorros ainda dormiam tranquilamente em suas casinhas. Tal era o sono de ambos.
Subi correndo pela rua e ao olhar a direita, dei de cara com um táxi no fim da rua. Corri e corri até ele, expliquei a situação de merda que eu me encontrava e ele disse "entra aí".
Eu não sabia onde diabos estava, o taxista me deixou em uma condução e segui viagem até minha casa.
Durante a viagem, eu não podia dormir nem ao menos cochilar, pois qualquer sono leve que poderia ocorrer, eu descansaria a cabeça para fente e faria meu pescoço contrair em dor. Era uma dor insuportável. Eu também, poderia perder o ponto de descida.
A dor nas costas aumentavam cada vez mais. Meu pescoço estava enrijecido, comecei a delirar naquele ambiente. Estava exausto, muito exausto. Durante todo o percurso, algo me consumia, me consumia de verdade. Queria saber, como tudo aconteceu, como tudo foi esquematizado pela anfitriã.
E ao pensar incessantemente, só havia uma forma dela ter planejado tudo.
Quando ouvi o primeiro destrancar da porta, ela saiu do quarto e foi para o quintal, (o rapaz me contou isso enquanto estava no banheiro horas depois), logo após, o casal foi para este quarto e por sua vez, se trancaram para ter uma bela noite de amor. A anfitriã então, retornou do quintal, abriu a porta do outro quarto e se trancou por lá, dormindo tranquilamente até as tantas, me deixando a mercê de toda a merda que me aconteceu.
Isso explica a sala vazia e os pequenos ruídos que eu ouvira, logo depois de sair da cozinha e procurar saber o que acontecia.
Estava com muita raiva, frustração, dor física e psicológica. Nada de bom, me acontecia neste dia.
Além, claro da inveja...muita inveja...
...Mas não do rapaz, que teve um belo encontro com a garota, ou da anfitriã que dormiu tranquilamente em sua cama, e deixou os convidados na merda, mas sim, dos dois cachorrinhos que os vi dormindo tranquilamente em suas casinhas de madeira com almofadas.
Nesta noite, dormi na pior das proporções, foi a pior noite da minhavida.
Exposto as mais diversas atrocidades possíveis. Desprovido de qualquer condição humana.
Depois de quarenta anos, eu nunca mais falei com tal pessoa, nem a vi mais. Passou-se muito tempo desde então...
Resolvi apagar o conto que tinha escrito para a revista e postei o conto da anfitriã.
Meu editor me informou que eu havia recebido muitos elogios pelo artigo.
Obrigado anfitriã, ganhei uma promoção.
Para a anfitriã
quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
No Banco da Igreja
Eu estava mal. Estranho pra burro. Andava meio perturbado com meus sentimentos. Não sabia o que poderia ser. Isso me afetava de várias maneiras. Me deixava estressado.
Thiffany disse diversas vezes para eu ir até a igreja, rezar para o rapaz da sunga e me libertar.
Ela dizia que seus braços abertos na cruz simbolizavam "o amor pelo mundo, "o abraçar o mundo", o seu amor" e blá blá blá....que ele me salvaria e blá blá....mas eu não conseguia ver assim.
Como abraçar o mundo, se o mundo o matou? -Eu pensava. -Ele deve ter feito algo. Só há punição para aqueles que infringim leis. Acho que ele infringiu uma grande lei, a lei das leis.
Ele tentou mudar o homem a sair da punição, e isso o punidor não pode aceitar.
Eu recentemente tinha fechado acordo com uma grande revista com abordagem na vida social.
O acordo era escrever em uma coluna semanal. Não parecia, mas era muito cansativo, pois escrever em um coluna semanal sobre assuntos do cotidiano, era deprimente. Um dos assuntos que eu abordava em minhas dissertações eram: "Mulher assassina guaxinim em extinção por pensar de se tratar de um gambá", Assalto a mão armada em um estabelecimento, leva guarda de guarita fingir estar dormindo para não ser refém", "Direitos femininos na ala norte da prisão x, "Confronto entre heterossexuais acaba mal em balada GLS".
Era bem dinâmico e cruel este trabalho. O mundo nos dá boas vindas e nos mostra tudo o que ele tem a oferecer. Entre um trabalho e outro, decidi dar um passeio na cidade para estabelecer uma conexão com o mundo cru e truculento. Passeava pela rua e ao observar os acontecimentos, meu senso crítico ficava mais e mais apurado.
Eu continuava mal, muito mal.
Nessa hora passei por perto de uma igreja, lembrei o que Thiffany havia dito:
"Seus braços abertos na cruz simbolizavam "o amor pelo mundo, "o abraçar o mundo"...
Achei aquilo de tal poesia e humano para um morimbundo prestes a morrer que decidi entrar na igreja e pedir seu auxílio.
Entrei, vi o hall imenso na minha frente, o grande senhor pregado de sungas sujas, estava ali bem na minha frente. Escolhi um lugar reservado do lado direito e sentei no banco.
Sentei, cruzei os braços e comecei a conversar comigo mesmo olhando para os lados, para o senhor da sunga suja, para as pinturas no teto, para um lustre sem lâmpada, para o senhorzinho que limpava as estátuas, etc...
Conversava, perguntava, respondia, criava vínculo com o grande senhor da sunga suja em meus pensamentos.
Descansei os joelhos no assento, fechei os olhos e comecei a conversar com o grande senhor. Eu pedia uma resposta, eu queria que o grande senhor da sunga suja pudesse me tirar esse mal estar de mim. Eu sentia algumas coisas, mas não sabia se ele podia me responder. Eu até olhava em volta se alguma luz pudesse pairar sobre minha cabeça, mas não. Nada acontecia.
Sentei novamente e esperei....
Comecei a me sentir melhor depois de alguns instantes, aquele lugar, aquela energia me fez ficar leve, tranquilo, me deixou caaaaalmo.
Era uma sensação maravilhosa poder estar ali. Finalmente minha conversa comigo mesmo, tinha chego até o grande senhor da sunga suja.
Amorosamente, sem eu nem ao menos perceber, fui tocado pelo ombro. Era uma mão suave que pedia pela minha atenção. Quando me virei, para ver de quem era aquela mão abençoada, percebi que era a mão do tiozinho da limpeza. Carinhosamente ele disse à mim:
-Senhor, o senhor poderia se levantar, não se pode dormir nos assentos desta igreja.
Pisquei os olhos diversas vezes, me sentei no banco de madeira, esfreguei as mãos em minha cara
e só disse ok, levantei e fui embora.
Obrigado grande senhor...O senhor "tirou " o meu mal estar, tirou a minha intranquilidade.
Que bom ter dormido em um lugar como aquele, era tudo que eu precisava....descansar!
Cheguei em casa, dei um beijo de agradecimento à Thiffany e mais motivado do que nunca, comecei a escrever como um louco. Escrevia sobre qualquer assunto. Motivação total.
Escrever sobre a merda do cotidiano, faz você perder muitas noites de sono....
Baseado um um fato real
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
Polvilho Granado
"Que cheiroso dos infernos"!!!
-Foi a primeira coisa que pensei em fazer cara de desaprovação quando percebi que a pessoa com o chulé era a mocinha do meu lado.
Fui ao consultório médico visitar meu urologista, fazer aquele exame, sabe? Fui obrigado a ir nessa merda. Aguardava na sala de espera já fazia algum tempo. Muitos e muitos minutos já haviam se passado.
Era um dia quente, até a hora do almoço iria esquentar inevitavelmente.
A sala era pequena, havia a recepcionista à nossa frente, e sete, oito ou talvez doze pessoas no aguardo da chamada. Havia também, as pessoas que andavam de um lado a outro.
As janelas da sala ficavam atrás da recepcionista, o sol refletia nelas e assim, ficava cada vez mais quente.
Sem quase ninguém perceber, começou a exalar um cheirinho estranho. Um cheiro azedo, forte, insuportável, diferente daquele que sentíamos antes do ventilador quebrar.
Percebi que o odor desagradável vinha da mocinha ao meu lado.
Até pensei em chamá-la de canto e dizer bem baixinho em seu ouvido: "tem que pegar e se cuidar mais, garota". Falar p-a-u-s-a-d-a-m-e-n-t-e, em seu ouvido, "tem que pegar-esse-cu-í-dá-mais.... mas logo desisti da idéia. Talvez ela não aceitaria meu conselho.
Jovem, bonita, jeitosinha, cabelos negros mas com um pezinho que fedia mais que gambá.
Dava até pra ver o suor da planta do pé na sapatilha rasterinha.
O cheiro ficava cada vez mais forte, era nauseante estar ali.
Eu até tinha esquecido o que o urologista iria fazer comigo, nem me importava mais, eu só queria sair dali...logo.
Eu não conseguia prender a respiração por muito tempo, por estar velho e ser sedentário.
Nessas horas, seria uma boa ser um atleta....
Urologistas...são legais, pow...
Para a garota da janela
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Eu Não Sei Fazer Redação
Fui à uma entrevista de emprego, pois Thiffany enchia meu saco dizendo que eu vagabundeava em casa, que eu não servia pra nada, que eu nem tirava os pés do chão enquanto ela limpava, ou quando eu jogava minhas cuecas de dois dias no chão do banheiro enquanto no sofá descansava.
"Ela precisa ter mais paciência, meu deus"... - eu pensava.
Os contos até dava um bom dinheiro, mas nem tanto conforto. Eu pelo menos, conseguia pagar as pizzas de finais de semana e meu vinho. Que já era o bastante pra mim.
Mas Thiffany, queria algo mais, ela desejava que eu saísse da procrastinação e sedentarismo.
Resolvi me candidatar a uma vaga de zelador de um motel, pois era um serviço que eu faria o menos possível. O prédio era muito antigo e havia passado por algumas reformas e atendíamos clientela classe C e D.
Já era raro de que essas classes visitassem nosso recinto. Pelo menos dávamos camisinha de graça e halls.
Para ser aprovado na vaga, tive que fazer uma redação. O assunto era simples, porém mortal e intimidador. O tema era. "Quem Sou Eu".
Eu não era a pessoa mais indicada em escrever sobre mim mesmo, enquanto procurava uma vaga de emprego, pois o que eu escreveria de mim mesmo? O que eu poderia escrever?
Bem, pensei em escrever primeiro as qualidades e depois meus defeitos.
Peguei a folha, apontei o lápis, pensei, pensei.. e comecei a escrever.
---
"Qualidades:
Meu nome é Green, Jonas Green.
Sou uma pessoa muito tranquila e calma.
Sou um homem responsável e criterioso em minhas decisões e atitudes.
Não costumo beber muito, bebo somente o essencial para permanecer vivo....água.
Sou um homem dedicado para com as minhas atividades e coloco minhas responsabilidades como prioridade.
Em meu profissional, sou dinâmico e pró-ativo, fazendo com que meus resultados sejam cada vez melhores. Faço minhas atividades com total prontidão e qualidade. Minha esposa e eu, somos um grande casal, uma família feliz.
Defeitos:
É bem fácil eu ficar nervoso e irritado. Não sei lidar com as emoções de uma forma positiva. Quando fico
nervoso, preciso tomar um vinho ou um whisky, e quando estou bêbado, não sei resolver muita coisa, prefiro ficar no sofá, de vez levantar para urinar. Há muitas coisas que tenho que fazer, mas deixo pra depois, elas não irão sair do lugar mesmo, elas podem esperar. As vezes, durmo no sofá
pois minha esposa me expulsa do quarto, e as vezes, vomito no
banheiro e durmo preso à privada.
Obrigado,
Jonas Green".Obrigado,
--
Thiffany ao entrar em casa, me viu esparramado no sofá e perguntou.
-Eae, amorzinho, como foi a entrevista?
-Ahh querida... não consegui a vaga.
-Porquê?
-O chefe do RH me dispensou, pois achou que eu poderia ser um perigo aos clientes que viessem aparecer naquele lugar.
Me dispensou com a leitura da última frase da redação.
-E qual foi benzinho? - Thiffany perguntou ao me dar um cafuné.
-Senhor, preciso deste emprego. Acredite, sou totalmente honesto e sincero em minhas palavras....e nunca minto.
Me dispensou com a leitura da última frase da redação.
-E qual foi benzinho? - Thiffany perguntou ao me dar um cafuné.
-Senhor, preciso deste emprego. Acredite, sou totalmente honesto e sincero em minhas palavras....e nunca minto.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
O Mamador
Quando eu estava com meus vinte cinco anos, me relacionei com uma mãe solteira. Ela sabia como tratar um homem. Conhecia suas emoções. A mamãe sabia das coisas.
Nos conhecemos em um pub ao nos esbarrarmos no corredor. A chamei para minha mesa e começamos a conversar e a conversar.
Depois de algumas horas e algumas cervejas, me convidei para sua casa.
Ao se levantar eu já afirmei:
-Então garota, já vou embora.
-Mas já?
-Sim.
-Para onde?
-Para sua casa, você vem? -Respondi ao dar uma piscadinha marota.
-Ela riu, se levantou e partimos para sua casa.
Ao chegarmos na porta principal, entramos na sala, uma sala bem arrumada e bem decorada. Ela morava com seu filhinho que estava com três anos, estava na casa da avó.
Foi o que ela disse enquanto eu observava os retratos de fotos na mesa.
Vi no criado-mudo as fotos do garotinho. Uma com um ano, outra com dois anos, uma num parque...etc....Diversas delas. Era um menino grande para a idade, gordinho, saudável.Foi o que ela disse enquanto eu observava os retratos de fotos na mesa.
-Que menino mais fofo. - Disse, ao pegar uma foto dele.
-Obrigado Jô, você é um amor, sabia? Ele me deu muito trabalho.
-Ahh, que nada, não creio, essa coisinha não faria mau algum.
Ela riu.
(Após algumas champagnes e conversa fora)
(Após algumas champagnes e conversa fora)
Ela se insinuou à mim, me abraçou, mordeu minha orelha. Comecei a me excitar, comecei abraçá-la, beijá-la. Ao deitá-la no sofá, a beijei mais e mais. Depois de carinhos e beijos ela levantou ficou bem à minha frente e com um olhar provocativo disse:
-Irei tirar meu vestido pra você.
-Sim, querida. Venha - eu disse.
Ela começou a dançar na minha fente, sensualizando e estimulando minhas sensações sexuais. Estava funcionando.
Ela dançou um pouco mais, agachou, levantou , se virou e tirou o vestido de uma vez.
-Uowww. - eu suspirei.
Ela tinha um corpinho escultural. Vire-se baby. -Eu exclamei.
Ao se virar, vi que seus peitos... aqueles peitos, eram na verdade, peitinhos pequenininhos. Pareciam até picadas de barrachudos no inverno.
-Irei tirar meu vestido pra você.
-Sim, querida. Venha - eu disse.
Ela começou a dançar na minha fente, sensualizando e estimulando minhas sensações sexuais. Estava funcionando.
Ela dançou um pouco mais, agachou, levantou , se virou e tirou o vestido de uma vez.
-Uowww. - eu suspirei.
Ela tinha um corpinho escultural. Vire-se baby. -Eu exclamei.
Ao se virar, vi que seus peitos... aqueles peitos, eram na verdade, peitinhos pequenininhos. Pareciam até picadas de barrachudos no inverno.
Ela se aproximou, e por cima de mim, começamos a fazer aquilo que estávamos dispostos a fazer.
E eu não parava de pensar:
E eu não parava de pensar:
-Era um menino grande para a idade, gordinho e saudável pra burro né? Muleque filho da puuuta....Chupô tudo essa porra.......Mamô tudo.......Ahhn, não deixou nada pra mim....Secô os peitos da própria mãe.
Aquela visão era constante em minha frente e meus pensamentos perturbavam-me.
Resolvi então, sensualizar ainda mais ao apagar as luzes. Ficou um breu total.
Ela adorou....e ainda por cima, pedi uma última coisa.
-Fia, fique de bruços.
Ela adorou....e ainda por cima, pedi uma última coisa.
-Fia, fique de bruços.
Realmente aquele muleque tinha dado muito trabalho... Tive que concordar depois.
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
A Chupeta
(Após uma discussão entre casais)
-Amor, você vai me fazer essa chupeta. Não quero nem saber.- Disse descontrolado.
-Não quero fazer. - Ela reprovou.
-Abaixa logo ai...quero agora, vai logo, porra! -Eu a obriguei.
-Veja como fala comigo seu bosta. Nããão quero, já disse. Tenho medo de me machucar - Respondeu com desaprovação.
Ela, uma patricinha top. Toda arrumada, com vestido rosa e sapatos de salto.
Ele, sujo. Um mecânico de macacão azul sujo à graxa.
-Quero uma chupeta, agora! Faz para mim. Fica de joelhos e faz logo essa chupeta enquanto eu ligo a porra do carro.
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Um Drink Caro pra Cassete
Eu estava na balada com alguns amigos. Comecei a curtir a festa, grande festa.
Havia ínumeras possibilidades de todas as formas possíveis de satisfazer as minhas necessidades e prazeres. Muitas garotas estavam no recinto.
"Foi-se o tempo das vacas magras", pensei. E ali estava a prova.
Alguns amigos foram dançar, outros, tentar a sorte com as garotas.
Sentei no balcão e pedi um drink. O garçom foi eficiente em seu atendimento. Pedi um "on the rocks".
Virei o banquinho do balcão de frente para o salão e comecei a ver todo aquele pessoal.
Do lado direito, perto do pilar havia uma garota que ganhou meu coração. Ela estava com um grupo de pessoas. Uma garota linda, morena, corpo escultural. Usava calça jeans azul clara apertada, com grandes saltos, marquinha do biquini estava à vista, lindos e fogosos cabelos cumpridos negros. Blusinha de oncinha dava aquele destaque de "menina selvagem". Ela estava excitada, dava para perceber através da blusa. Dava risada com vontade em meio ao grupo, com gosto. Ela me fitava algumas vezes. Ela era linda, até pensei, "Pow, hoje eu me dou bem".
A próxima música teve início, comecei a chegar perto dela.
Começamos a conversar e a conversar.
Muito simpática, além de uma garota linda.
Não hesitei e perguntei:
Bem que a gente podia fazer alguma coisa depois de sair daqui, né?
-Ahhh....não sei. (pausa). Ei, me paga um drink?
Um drink naquele lugar, era um salto quântico no quesito "assalto do meu dinheiro".
Eu disse não.
-Ah, então não quero mais conversar. - ela disse.
e virou a cara para mim.
Me assustei pela atitude dela. Dei um passo pra trás e ao olhá-la de lado disse:
-Você parece puta!!
Bem, depois dessa minha afirmação, nem preciso dizer que ela me chamou de inúmeros nomes pesados, que nem mesmo eu, havia imaginado que existiam.
Depois de xingar minha mãe e todo o resto, ela se levantou e foi para a multidão bem no meio do salão.
Fiquei com o copo na mão. Sem hesitar, chamei o garçom e pedi mais um copo.
Pensei no que havia dito, olhei em volta e resolvi ir até ela.
Pedi minhas mais singelas desculpas, dizendo que havia me descontrolado, uma forma momentânea de descontrole emocional.
Ela concordou com sua explícita cara de bunda. Sorri e voltei a sentar no balcão.
Olhei para o relógio e pensei:
-Tem muita noite pela frente. O copo continuava cheio.
Para Rufus
quinta-feira, 9 de agosto de 2012
O Capô de Fusca foi inspirado em sua Vulva
Já passa das dez da noite, começo a preparar o relógio para despertar amanhã de manhã.
Já estou de pijama e sentado na cama.
Coloquei o relógio para despertar as 8:00hs, pois fui chamado para uma reunião com meu editor e alguns investidores para revisão e publicação do meu novo romance chamado, "O Capô de Fusca foi inspirado em sua Vulva".
Deitei e dormiria tranquilo pois amanhã fecharia um grande negócio.
--
Acordei no meio da noite, Thiffany roncava como uma porca velha. A cutuquei no ombro. Ela virou para outro lado, voltei a dormir.
Depois de um certo tempo, acordei novamente no meio da noite. Agora, passava duas da matina. Thiffany estava impossível, puta que pariu. Parecia uma máquina de lavar desengonçada.
Balancei seu ombro mais forte que a primeira vez, ela virou para outro lado.
-Puta que pariu, tá foda de dormir assim. - Pensei.
Virei para o lado oposto e dei soquinhos no travesseiro.
Minutos depois, ela se aquietou.
-Agora sim. -Pensei.
Fiquei de conchinha com os olhos fechados e com um grande sorriso no rosto.
Mas pela terceira vez, agora, Thiffany roncava diferente. Seu ronco era um ronco nasal e além disso, me puxou o lençol.
Fiquei puto, não tinha jeito disso acabar. Nem se eu enfiasse uma rolha em sua boca.
Me enfezei e fui para o sofá. Peguei minhas tralhas e fui pra sala.
Thiffany roncava pois iria sair mais cedo do que eu. Devia estar muito cansada.
Meu sofá cheirava cevada azeda e mijo mas pelo menos ele tinha conforto e era silencioso.
Dali pra frente, dormi como um nenêm.
-
Após o sono, acordei já assustado. Corri até a cozinha para olhar as horas.
Já passava das dez.
Coloquei as palmas das mãos no rosto e gritei:
-PUTA QUEL PARIU, NÃO!! A REUNIÃO!! PERDI A PORRA DO HORÁRIO!! AHHHHH!
Havia perdido a reunião com os investidores e a publicação do meu novo romance. Inacreditável!
Abri a porta do nosso quarto, Thiffany já havia saído.
A cama estava arrumada. O relógio despertava sem parar...
Perdi a chance de publicar meu mais novo romance, "O Capô de Fusca foi inspirado em sua Vulva".
quinta-feira, 21 de junho de 2012
As Mulheres e o Rapaz Virgem
Acordei cedo para finalizar o trabalho.
Faltava os últimos detalhes da minha nova obra que se chamava, "O Capô de Fusca foi inspirado em sua Vulva". A editora já estava no meu pé alguns dias.
Levantei da escrivaninha, liguei a tv, fui até a geladeira e busquei um trago.
A porta principal se abriu, era Thiffany.
-Oi , Jô, como está, baby?
-Olá amozinho, como foi o dia?
-Bem Jô! Olha quem veio nos visitar!
-Quê que isso? - Eu disse ao apontar para um garoto de vinte e poucos anos com espinhas na cara e olhar inocente.
-Ele é meu primo de segundo grau, Jô.
-Ahh... sim. -Como vai moleque? - O cumprimentei.
-Estou bem, senhor!
-Senhor? - Pensei.
Eu estava com a barba e o cabelo por fazer, não tinha tomado banho na noite anterior e mesmo assim, o rapaz me chamava de senhor? Era um belo elogio à minh apessoa. Gostei dele.
Thiffany, dizia ser seu primo distante. Eu olhava pra ele, sua cara visivelmente era de um homem virgem.
-Pobre rapaz. -Pensei em voz alta.
-O quê? - Ele pergutnou.
-Nada. - Respondi.
Thiffany foi para a cozinha preparar o almoço.
Eu estava vendo tv com um copo de vinho na mão.
-O que foi, "champ"? Que cara é essa? - Perguntei ao rapaz.
-Qual? - ele respondeu.
-Ah, eu vejo a dúvida corroer em seus olhos.
-Como assim?
-Eu já tive sua idade, "champ". Eu sei o que você faz enquanto está no chuveiro. Sei o que você pensa enquanto está na praia num dia de sol.
-Sua cara mostrava um ser com vergonha de si mesmo.
Coloquei o copo no criado-mudo e comecei a falar.
-Meu filho, já está na hora de você ter culhões. Honrar aquilo que Deus lhe deu. Honrar o que você tem no meio das pernas ou irei ter certeza que você é um capado de merda. Qual é a sua dificuldade? Sua falta de coragem perante as mulheres? Sua não-atitude perante a feminilidade? Sua falta de honra nas calças é que te causa todo seu mal? ESSE É O SEU grande problema rapaz !
Não venha me dizer que esse final de semana você faturou ou tem muitas na fila. Nós sabemos a verdade. Sabemos que você tem somente o travesseiro, como companhia a noite.
-Mas...senhor Green, porque você fala assim comigo?
-Você já se enganou por muito tempo rapaz. Está na hora de acordar. Saia desse estado vegetativo. Alguém precisa te despertar.
Chega de tapinhas nas costas, estou usando uma marreta
-Mas isso é necessário? - O rapaz perguntou incrédulo.
-Como assim necessário? Você quer que eu diga que está tudo bem com você? Que incubra o que te faz perder, "champ"? Não te auxiliar a ter uma cocótinha ao seu lado? Tudo bem pra mim, mas isso não te ajudará em nada. Veja, estou te ajudando agora, pois vejo o desspero em sua cara. Talvez, eu seja o único a tentar tirar você do rio de merda.
Estou te tirando da lama "champ". Hoje, você vê isso como uma fritada ou golpe baixo. Compreensível, pela sua capacidade de entender as coisas mas amanhã você mudará de idéia.
-Mas como me porto para com as mulheres?
-Preste atenção "champ". As mulheres, são dependentes afetivas por natureza.
Você tem de oferecer à elas o que elas não fazem por si. O que elas procuram.
-Como assim?
-Você tem medo de xoxota, "champ"?
-Não.
-Não, mesmo?
-Claro que não.
-Acho que você as coloca, TODAS no...
Nesta hora, Thiffany chegou e nos interrompeu.
Dei espaço no sofá para Thiffany sentar ao meu lado.
-Sente aqui, benzinho. -Disse ao dar tapinhas no sofá.
Ficamos assistindo tv.
O rapaz me olhava com aquela cara, "Cara, você não terminou a frase, me ajude, agora!".
-Pobre rapaz. - Pensei em voz alta.
-O que disse. -Ele perguntou.
-Nada...Nada...- eu disse.
A tv continuava ligada.
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Uma Grande Mulher
Em uma certa manhã do mês de junho, ao abrir a janela da sala, vi o sol surgindo atrás das montanhas. Reluzente como ouro, era vivo e onipotente. Passava das sete da manhã.
Resolvi dar um passeio para ter mais idéias para meus contos.
Dois quarteirões depois, encontrei um velho amigo que vinha pela direção contrária.
Nos reconhecemos e nos comprimentamos. Começamos a conversar.
-Velho Green....que surpresa!
-Bóris "Mad Dog" Spynisky. - Eu disse.
-Siiiim, sou eu. Como você está, Jonas?
-Bem, estou....
-Tú está acabado heim? **A síndrome de Sharpei te pegou de jeito? - Bóris ria sem parar.
-Ahhhh, que isso Bóris, não diga essas coisas. Tenho trabalhado demais nos últimos tempos. Escrever sem parar cansa o corpo mas nutre a alma.
-E você, continua no vinho barato, Jonas?
-Sim, Bóris. Ele é meu combustível para continuar a escrever. Bem, vejo que você.... erhhh.... está cheio de desenhos nos braços, pescoço....
-Sim. Só fiz algumas tatuagens, nada demais.
-Sim, gostei delas. - Torci levemente o braço de Bóris. - Olha essa tatuagem aqui... é uma "baleia branca"....é aquela baleia do....como se chama?
-Moby Dick de escritor Herman Melville.
-Isso mesmo...Grande história, grande poeta americano.
-Sim. - Bóris sorriu pelo canto da boca.
-Veja, esse coração pulsante em seu antebraço, cara. Que bem feito.
-Obrigado Jonas.
-Olha essa tatuagem em seus punhos. Quem fez?
-Uma mulher.
-O que está escrito?
-"Be the cause, Be the cure. - Jonas respondeu.
-Ah sim, muito bom, chega ser poético, não? - respondi.
-E suas tatuagens Jonas?
-Não tenho, Boris. Estou velho pra essas coisas...e mesmo que quisesse, essa minha pele ressecada e enrrugada não ajudaria nem para tatuar um mapa arqueológico com suas fendas e caminhos.
Conversamos mais um pouco, marcamos um drink e nos despedimos.
No caminho pra casa, eu não parava de pensar quem seria aquela tal de Bete que ele tatuara em seus punhos. Como ele mesmo disse, "foi feito por uma mulher". Fazemos loucuras por elas, não?
Bóris era um bom rapaz, mas essa tal de Bete...coitado....o que foi feito à ele?
Em seus punhos, ele havia escrito à tinta permanente, a frase de amor & ódio:
"Bete causa, Bete cura" - Eu pensava.
Essa mulher devia ser um furacão na cama ou uma barraquera de primeira.
Ela devia "causar" o puteiro mas também, podia "curar" as dores, qualquer coisa.
Grande Boris.....encontrou a mulher da sua vida.
**Síndrome de Sharpei = Rugas na pele
Dedicado à
Leandro, Carol, Ketty, Wlad, Robson e Bóris.
sábado, 16 de junho de 2012
Aniversário do Léo
Olá, sou Jonas Green. Depois de todos esses anos, eu não fui muito a vontade em participar de reuniões sociais. Eu sou velho e sem graça. Minha virilidade, meu ânimo para as coisas banais e os exercícios físicos, não fazem mais parte do cronograma de rotina.
Mas quero falar só uma coisa neste microfone. Coisa rápida, pois esqueci minhas chaves na ignição do carro.
Meu recado é para o Leonardo.
Garoto que faz aniversário hoje.
Um abraço do velho Green.
Um brinde à você!
quinta-feira, 3 de maio de 2012
Por um Fio
Um certo dia, encontrei meu amigo do conto "Quero ser Charles Bukowski / A Velha Latrina como Privada", nos cumprimentamos e começamos a conversar. Na verdade, eu estava atrasado. Sabia que ele falava pra cacete, então tentei ser o mais breve possível.
Ele falou sobre vários assuntos, mas todos de sua importância. Como um curso de como servir de maneira correta um drink a um bêbado. Ele contava os detalhes de onde colocar a cereja no copo, de que lado da mesa servir a tal bebida ou como preparar um hi-fi. Com tamanha felicidade, ele proclamava todo aquele evento com grande proeza e façanha.
Falou de outras coisas da vida dele, coisas grandes, importantes de sua vida, mas nenhuma prestava na verdade.
A última notícia eu até pedi para ele repetir.
-Como é?
-É verdade. Eu transei com uma garota sem pagar.
-Como é? Você comeu uma garota sem abrir a carteira?
-Isso mesmo. -Ele respondeu fazendo sim com a cabeça.
Entenda, que ele, era um cara que não via uma xoxota em sua frente, se não abrisse a carteira para dar umas notas em troca.
Ele começou a se explicar:
Bebemos até altas horas para comemorar um grande feito. Quando percebemos, não havia como voltar para casa. Opinei que ficássemos em um hotel só para passar a noite, ela consentiu.
Depois de algumas risadas e umas cervejas que ela havia trazido na bolsa por roubar em uma loja de conveniência, nos beijamos na quente e barulhenta cama do motel.
Nos despimos, fomos até o chuveiro, tomamos um banho morno, pois não havia água quente no chuveiro e nos ensaboamos.
-Não havia chuveiro quente? - Perguntei.
-Não. Não se pode conseguir grande coisa quando se paga R$18,90 pelo quarto.
-Ok. -Eu ri discretamente. -Continue.
-Fomos até a cama, ligamos a tv e colocamos no pornô só para estimular.
-Ahhh é...e aê?
-Aconteceu cara. Eu a fodi. Sabe como em Marcos 10, versículo 25? "É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” ?
-Sim.
-Então, Marcos estava certo. O buraco da agulha era muuuito apertado.
-Cara, como você é baixo, um profano! - eu disse.
-Mas ainda tem mais.
-Ok, continue.
Transamos por um tempo. Ambos estávamos bêbados. Já haviam bebido no boteco, e ainda mais as cervejas que ela havia roubado na loja de conveniência.
-Humm...e aê?
-Fodemos por vinte cinco minutos. O mastro estava em pé.
-Ouww! Mas eaê, ela gozou?
-Como assim?
-Ela gozou? Ela chegou no ápice?
-Ahh cara, não sei. Ela gemia de um lado a outro. Ela gemia bastante. Acho que sim.
-Meu deus cara, como você é fétido, porco.
-Porquê?
-Como, porquê? Como você transa com a garota e não faz ela chegar no ápice?
-Cara, eu estava bêbado e ela também.
-Sim, você me disse, triste!
-Ela deve ter chego no ápice vááárias vezes.
-Pode ser. Bem, pelo menos você gozou...ainda bem.
-Não.
-Não o quê?-perguntei.
-Não gozei.
O quê?- perguntei assustado. - Você estava bêbado, pagou um motel barato, não fez ela gozar e depois de vinte e cinco minutos de trepadeira, você também não gozou?
-Não cara. Na verdade, eu disse à ela que não aguentava mais, por isso paramos. Eu estava desidratado.
-E depois? O que você fez?
-Depois que ficamos vinte cinco minutos tentando chegar em algum lugar, nós descansamos. Ela virou pro lado e dormiu.
-E você?
-Eu também virei de lado, só que não consegui dormir. Havia um som ensurdecedor do lado de fora do quarto. Era muito alto. Parecia como uma máquina grande de bombar água, não sei.
Parecia que o Conan ia vir arrancar minhas bolas.
-Que horas eram.
-Não passava das três da matina.....e essa merda de barulho se estendeu até as seis da manhã, quando amanheceu. Não consegui dormir em nenhum momento.
-Que merda!
-Havíamos combinado de acordar cedo para juntos irmos embora.
Resultado, ela acordou renovada e eu...porra, estava com os olhos fundos, inchados. Maldita britadeira.
-Que noite, cara!
Depois de ouvir tanta merda, explodi:
-Cara, você não fez ela gozar, você também não gozou. Você é um monte de bosta mesmo. Um punhado de merda. Só serve pra mijar, essa porra heim?! Apontei para aquilo que ele chamava de "meu monstro preferido".
Virei as costas e sai andando.
-Ei amigo, volte. - Ele gritou.
-Vá dá meia hora de bunda com o relógio parado pro segurança seu frouxo. - Retruquei.
**Nota do autor
Baseado em fatos reais.
Por motivos óbvios e contra a imoralidade alheia, o autor, escolheu por preservar a identidade da pessoa e zelar por sua desonrada vida.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Melons Table
Bifurcações em formato "V",
São apreciadas, de acordo com o número da malha, de lycra?
O cálice sagrado contém cheiro de vinho,
E também, de um peixe muito conhecido.
A Pata do camelo, é apreciado por homens com cromossomo X e Y.
Fixações mentais, movimentos faciais,
Quero adentrar nesta caverna
e me aconchegar,
Lá fora faz muito frio, me dá calafrios.
A propaganda é a alma do negócio,
A parte de trás me desagrada,
Mas o que se sustenta naquele suporte dito em francês, sustein, soutien...
Me fascina.
Do perímetro da circunferência com seu diâmetro, retira-se o número pi,
Os faróis dos irmãos gêmeos da frente,
Ascendem em um dia de frio...
Para ela
Pink & Floyd
*Para ler o poema, ouça a música.
http://www.youtube.com/watch?v=U_iSj2frQSU
http://www.youtube.com/watch?v=U_iSj2frQSU
(Após experimentarem comprimidos de LSD, os irmãos Pink & Floyd discutem entre si em uma sala vazia, a frase)
"O copo está meio cheio ou meio vazio?"
-Éééh...
-Diga Pink, está meio cheio, não?
-Não Floyd, meio vazio.
-Esse copo é feito de quê?
-Ele tem um buraco, cuidado para nao derramar a metade cheia.
-Não, não é! É a metade cheia.
--
-Cadê nossos primos?
-Quais? O Pink e o Panther?
-Sim.
-Eles são loucos.
-Sim.
O Pink endoidou cara. Ele vive catando bitucas de cigarro no chão e as come.
-Triiiiiiiiste, e o outro?
-O Panther?
-Sim.
Vive dando um tapa.
- Esses malucos.
-São doidos...
O Tiozinho do Guarda-Chuva
Thiffany e eu, estávamos no mercado da cidade. Iríamos comprar umas porcarias como desinfetante para a pia da cozinha, amaciante de roupas, essas coisas que julgo desnecessárias.
Eu, vou lá, na verdade, somente por um só motivo...bebidas!
Thiffany enchia o carrinho de compras, enquanto passávamos entre as gôndolas do supermercado.
Minha função, era somente, empurrar aquele carrinho.
Chegamos ao setor de bebidas. Hummm... Meu sorriso se estampou no rosto.
Imagine ai, um rosto de uma criança em uma loja de doces...Imaginou? Então, esse era meu rosto.
Bem, um rosto muito mais enrugado, sujo e com barba por fazer.... mas em essência, era o mesmo rosto.
São só 70 anos de distância que me separam da inocência, juventude e beleza.
Estamos todos no mesmo saco, só que em níveis diferentes. Esperamos com fé que a salvação venha dos céus nublados de hoje em dia, e nos tire das armadilhas que nós próprios criamos.
Fui direto na gôndola pegar minhas três garotas.
Uma morena escocesa, uma loira russa e uma ruiva portuguesa.
Thiffany pegou uma garrafa de vinho e sucos de soja. Não entendi o porquê. Acho que ela pensa em regime.
Fomos até o caixa. Thiffany pôs as compras para pagarmos.
Ao pagarmos as compras, já estávamos saindo, quando, Thiffany lembrou de comprar veneno para ratos.
Nossa casa estava infestada desses espertinhos de esgoto.
-Jonas, espere aqui enquanto vou comprar.- Ela disse ao me entregar as compras.
-Ok, baby. - Eu disse.
Eu a aguardava na entarda do supermercado.
--
Após alguns minutos, Thiffany retornou com o veneno de rato.
-Vamos embora Jon...
Eu conversava com um senhor. Um vendedor de guarda-chuvas.
-Leve esse meu senhor, ótimo para o verão. Sua patroa irá se proteger dos raios solares....
O velhinho sabia vender. Ele estava me persuadindo..e eu só fui comprar bebidas....
Só que Thiffany entrou no meio da "venda" e disse:
-Jonas vamos embora. Não precisamos de guarda-chuva.
-Ah moça, deixa ele me ajudar?- O tiozinho com um rosto triste e cansado dizia.
-Não, não...ele não precisa.-Thiffany disse.
-Mas é útil para a chuva...o sol forte que está fazendo...se proteger....
-Não, não. Já temos guarda-chuva.
-Por favor senhora, deixa ele me ajudar, só vendi um até agora.
Era visível o sofrimentro no rosto do tiozinho.
-Não senhor, já disse que não. - Thiffany respondeu com certa dose de impaciência.
Ele tinha vendido somente um, até aquele momento? Olhei para o relógio em meu pulso, já passava das dezoito horas. Se ele estava naquele ponto desde as 8 da manhã e vendeu somente um guarda-chuva, isso quer dizer que todos do bairro já possuem um guarda-chuva, no mínimo.
Ele estava no negócio errado. Alguém deveria dizer isso à ele.
Na verdade, ele deveria se especializar em consertar os guarda-chuvas, em vez de vendê-los.
-Eu seria um puta empresário de sucesso. - Pensei.
-Desculpe cara, mas essa, não será sua segunda venda do dia! - Eu disse ao ser puxado por Thiffany.
Fomos embora do supermercado, já estávamos alguns quarteirões de casa, quando do céu, ouvia sons estranhos. Eu começava a sentir pingos em minha cabeça.
-Thiffany realmente fudeu com a venda do tiozinho e também, nos fudeu! - Eu não parava de pensar...
O Maldito Ingresso de Merda
Havia um cara que me devia dinheiro na praça. Me devia algumas semanas.
Ele era um cara difícil de pagar, puta que pariu. Tentei de várias maneiras receber essa grana, mas sem sucesso.
Houve um dia, em que estávamos no telefone, quando sem hesitar disse:
-Ei, cara, me pague!
-Quanto te devo?
-Porra velho, você sabe quanto me deve desde o dia em que me comprou o produto.
-Ah, você quer que eu devolva o produto?
-Puta que pariu....
Confesso, que não sabia o que responder à ele, pois com certeza iria quebrar sua rótula.
-Espere um momento. - eu disse.
Resolvi abrir a vodka e tomar um gole para me acalmar, tomei do gargalo mesmo, respirei fundo e disse:
-Não cara.... Eu não quero que você me devolva porra nenhuma. Eu só quero que você me pague, caralho!
O telefone estava mudo.
-Alô....alô!?
O puto havia desligado.
Devolver o que se comprou? Já ouviu falar nisso?
Bem, é como se você comprasse uma breja, bebesse até o útima gota e depoi devolvesse por estar quente demais. Parece que nunca quer sair perdendo.
Um dia, bateram na minha porta, vi pelo olho mágico, era ele.
Hoje ele me paga! - Pensei.
-Até que enfim! - Disse ao abrir a porta.
Ele entrou já dizendo "estás com sorte Green".
Veio até mim e entregou um ingresso com o mesmo valor da dívida. Um ingresso para o circo da cidade.
Ele dizia ser uma boa.
Foi muito bom ver os macacos adestrados e cachorrinhos com laçinhos de circo.
Dias depois, eu o encontrei em um shopping. Eu subia a escada rolante enquanto ele descia.
Ele virou o rosto, fingindo não me conhecer...
Quero ser Charles Bukowski / A Velha Latrina como Privada
Encontrei um amigo meu perambulando pela rua. O mesmo gorfava na sarjeta vinho com mortadela, vulgarmente chamado de "caldo de mortadela".
De longe sabia que era ele. Eu o conhecia de longe. Já haviamos bebido muito por ai.
Pois bem, começamos a conversar.
-Eae, como estão as coisas, cara?
-Ahh...tá tudo bem. - ele respondeu.
-E sua família?
-Ahh...tá tudo bem. - ele respondeu.
O que você anda fazendo?
-Eu? Virei escritor, Jonas.
-Escritor? - Perguntei.
-Sim, espere ai.
Ele estava despreocupado... despreocupado com as coisas, com a vida, com ele próprio.
Era gratificante vê-lo em aceitar e ter a satisfação daquilo que ele chamava de vida.
Ele tirou uma carteira do bolso de trás. De dentro dela, havia inúmeros papéis rabiscados.
Se houvesse ali, alguma nota de dois reais, era muito.
-Veja Jonas, veja minhas idéias.
-Hummmm. - eu disse.
-Irei sair das ruas. Vou virar um escritor de sucesso, veja minhas idéias.
Peguei o papel e comecei a ler. Era dificil de se ler com aqueles garranchos em caneta e manchas de vinho na folha. Além disso, as "idéias" foram escritas em um papel de protocolo médico em que havia um exame de doença venérea.
-Meu Deus! - eu disse.
-Gostou Jonas? Pergunto á você, pois você já é um escritor de sucesso. - perguntou ansioso.
Hunf...ele mal sabe que estou nessa vida há anos...e até agora nada. - Pensei.
-Bom cara, muito bom, continue a escrever. - eu disse com um sorriso falso ao entregar o papel.
Disse isso por pena. Não tinha mais o que dizer à ele. O que você gostaria que eu dissesse?
"Olhe filho, desista dessa merda, você já está à sete palmos do chão mesmo."
ou
"Esqueça essa merda de escrever lixo, você já está num rio de merda".
Era algo deprimente de se fazer com aquele pobre rapaz. Sim, eu sei...mas convenhamos, até onde ele poderia chegar?
Nós nos saudamos e fui embora daquele lugar.
Ele continuava na latrina.
Para Pachini
Minha Orelha
Sou um cara nervoso, sou um merda, uma bolinha de pó nas frestras de um sofá velho.
Eu não tomo jeito. Sou um cabeça dura de teimoso. Sou um cara durão.
Já possuo surdez moderada.
Tenho alguém que é minha bússola. Minha namorada é tudo para mim.
Ela é atenciosa, amiga e muito carinhosa.
Só tenho uma confissão, não estou criticando, só expondo.
Mas, só que ela F A L A demais.
Fala demais, fala pelos cotovelos, fala muito...
Em horas impróprias que podem me comprometer.
Não irei dizer que ela me atrapalha,
Pois, o que recebo dela, é muito mais do que mereço.
Somos parecidos em muitas coisas.
Temos o mesmos gostos.
Até há uma rixa musical...mas nada que nos comprometa.
Ela, fala demais...
Eu, já possuo surdez moderada...
Para Babosa e girlfriend
quinta-feira, 19 de abril de 2012
A criança, segundo Jonas Green
Devo dizer. A criança é meu maior ídolo.
Uma criança.
Como é fantástica e pura sua beleza, inocência e presença.
Não porque ela é cobiçada por muitos e adorada por todos.
Não porque ela seja cheirosa em si e eu não.
Ou por ela ter a pele macia, e a minha, já ressecada pelas rugas.
Mas, porque, ela é tudo aquilo que eu já perdi.
Em seus olhos, vejo a vida presente, pulsante e viva.
Ela já tem tudo aquilo que eu desejo encontrar. Ela já é completa.
E eu, trabalho desesperadamente para voltar a ter isso.
Nenhum vício.
Não sucumbe às doenças através do álcool.
Não se esvaece pela depressão através da perda de um grande amor.
Não se apavora com a enfisema que corroe e enrijece o pulmão através do fumo.
Nenhuma preocupação.
Não carrega qualquer dor, mágoa ou insatisfação.
Não conhece a lúxuria, ciúmes ou inveja.
Não precisa de status, fama ou sucesso.
Não é comida pela úlcera que se alimenta de seu estômago pela ansiedade.
Nenhuma meta.
Não há caminho para seguir.
Tão pouco algo para conseguir.
Não é escravizada pelas ilusão.
Nem algemada por sua insatisfação.
A criança, está no topo.
É a campeã insuperável do jogo da vida.
Mas entre todos os participantes, ela é a única que não sabe disso.
Quando ela se der conta, já a terá perdido.
Será tarde demais.
O tempo passará para elas também.
É... a felicidade,
Dos fazeres aos deveres, nós adultos, seguimos incansavelmente,
Até encontrá-la para satisfazer nossa mais doentia e sagrada dor silenciosa.
Será que há uma forma de aprendermos algo com as crianças?
Será que podemos nos tornar, mais belos, inocentes e presentes em nossa vida diária?
Pelo menos, só um pouco?
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Maldita Infiltração
Thiffany já me lembrava alguns meses para resolvermos o problema de infiltração no teto.
Eu sempre dizia que o consertaria o mais rápido possível mas sempre esquecia. Eu sempre estava ocupado. Ou eu escrevia durante a madrugada ou dormia no sofá.
Depois de dois anos, Thiffany finalmente percebeu que eu não seria a melhor pessoa para resolver este problema. Ela resolveu contratar pedreiros para obra.
Eu era contra essa idéia. Não sei porquê. Eu tinha feelings....algo poderia acontecer. Tinha a certeza que alguém iria sair perdendo nessa.
Nosso teto estava quase caindo pela infiltração. Thiffany então ligou para alguns conhecidos de vizinhos e marcou uma visita com alguns pedreiros do bairro para resolvermos isto.
Eu era contra isso. Pois não queria homens em minha casa. Mexendo em nossas coisas.
Aquele teto, para mim, era essencial. Já tinha visto muitos elefantes coloridos, duendes voadores, fadas taradas naquele teto descoloral.
Pela construção e reparos no teto, tivemos que permanecer na casa da velha por duas semana, mas eu ficava na maior parte do tempo, num hotel ou no bar.
Nem vou me expressar como foi terrível e constragedor aquela velha encher a cabeça da minha Thiffany com todo tipo de bobagens. Sogras...
Após duas semanas Thiffany recebeu a ligação dos pedreiros para voltarmos para casa. No dia eu estava exausto. Tolerar a velha era de doer, ela não permitia bebidas em sua casa, por isso eu vivia mais no bar do que naquela sala de estar. Com aquele tapete marroquino vermelho com desenhos dourados na ponta. Que ela diz ser o mais lindo da cidade.
Cheguei em nossa casa e a única coisa que eu queria era tomar um belo de um drink e afogar todas minhas mágoas das últimas duas semanas.
Fui até meu mini bar e constatei que, haviam sumido todos os meus Whiskys, Vodka, Cointreau, Steinhäger, Tequila, Cachaças e meu mais ilustre Jagermeister.
Eu era contra essa idéia. Não sei porquê. Eu tinha feelings....algo poderia acontecer. Tinha a certeza que alguém iria sair perdendo nessa.
Fiquei puto e sóbrio.
Para Didi
terça-feira, 10 de abril de 2012
Sustentado pelos Joelhos
Estava na minha frente. Suas formas eram perfeitas, delineadas e torneadas...
Eu o encapei, ela ao olhar para trás, sorriu.
Meus joelhos sustentavam o peso do meu corpo.
Me preparei à fincar.
Ao encaixar, comecei a ir pra frente e pra trás...
D e l í c i a!
A merda de tudo, foi quando eu as abri, as meninas redondas...
Ao abrí-las, sentia o cheirinho de merda...
Que situação deprimente...
Eu continuava a bombar...
...Mas, olhava para o teto para continuar a respirar.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Fede a Saco
Resolvi ir na livraria da cidade para comprar alguns volumes de caras como, Edgar Allan Poe, Friedrich Nietzsche e Liev Tolstói. Literaturas de diversas nacionalidades iriam me inspirar à criar novos contos e exercitar a mente.
Ao chegar na antiga livraria, fui recebido pelo senhor Eleonor. Um senhor com estatura baixa, calvo na parte da frente, altamente intelectual e educado, com seu mustache bem aparado beirando seus sessenta e cinco anos, com uma camiseta do filósofo Friedrich Nietzsche com a frase escrita. "O Evangelho morreu na cruz."
Eu o cumprimentei e comecei a observar as gôndolas da livraria.
Havia belos livros. Visitei a gôndola de História, Literatura Russa, Ficção, Quadrinhos, etc...
Após observar as prateleiras por trinta minutos, peguei meus exemplares, coloquei no balcão, cheguei para o senhor Eleonor, o toquei no ombro e o trazendo à mim, perguntei:
-Venha aqui, velho amigo.
-Sim, velho Green, pois não.
-Já reparou, como sua loja cheira a saco? - Perguntei com um sorriso maroto no rosto.
Senhor Eleonor me olhou com a cara visivelmente escrita, "Não tô entendendo porra nenhuma que você tá falando".
-Senhor Eleonor, olhe para sua loja. Me diga o que vê? -Perguntei ao virá-lo.
O velho Eleonor entendeu a piada e começou a rir.
-Em meia hora que permaneci em sua livraria, aqui, não entrou uma mulher na livraria. As que entraram, estavam acompanhadas por namorados ou noivos. -eu irônico, disse com tom de indignação.
Ele consentiu e disse:
-Sim velho Green. Acho que errei de negócio.
Começamos a rir mais, quando mais dois rapazes entraram na loja....
quarta-feira, 4 de abril de 2012
O Ócio
O Ócio...
Tão necessário na pressão,
Tão aguardado ao proletariado,
E eu, o que faço?
Uso o próprio para criar formas de me aborrecer ao chão?
Maldita depressão...
Querida, achei lindo seus óculos escuros
Eu estava no bar mais uma vez. Pedi mais um bourbon para relaxar e fui até a jukebox.
Eu estava animado, queria tocar uma música que pudesse transpor em melodias o que sentia naquele momento.
Cheguei até a jukebox, coloquei a ficha no buraco e comecei a escolher com o dedo indicador uma música para o ambiente. Mas antes, olhei em volta.
Havia garotas passeando com seus traseiros maravilhosos de lá pra cá, alguns operários solitários nos cantos do bar, o garçon labutava intensamente sem parar, um grupo de amigos rindo á toa do lado de cá.
Havia também, uns alguns, uma garota de óculos escuros, e eu.
Ao testemunhar tal situação, só havia uma música que eu pudesse escolher entre todas aquelas.
A música escolhida foi, Suzie Q, da banda Creedence Clearwater Revival.
Se não a conhece, escute-a agora mesmo enquanto me lê....eu te aguardo enquanto você a procura.
Irá se sentir como se estivesse em meu lugar. Aproveite a carona. Aperte o play agora.
(Aguardo)
Aperto o play e o repeat da jukebox.
Então, pego meu copo que deixei encima da jukebox, começo a voltar para minha mesa.
Ao balançar da música, devagar, remexo o quadril com traquejo. Dois pra direita, dois pra esquerda, isso que chamo de uma ótima música.
Há sintonia no ar, harmonia acontece aqui.
Tudo está no lugar.
Dou mais uma golada enquanto sinto a garganta queimar. As pessoas me olham dançar, mas logo, começam a se soltar e a curtir a pura música do êxtase.
O cheiro do tabaco no ar, as luzes coloridas que piscam no ambiente escuro, o piso quadriculado que me lembra um tabuleiro de jogo de reis.
Há liberdade no recinto, emoção de estar aqui.
Volto à minha mesa, e o curtir da música, começo a encarar aquela bela garota de óculos escuros.
Não sei se ela está me olhando, se está dormindo, se está atordoada.
A cada minuto da música, fico mais forte, parece que fico mais soberano. Me sinto com três metros de altura. Dou mais uma golada.
O garçon ainda continua seu trabalho árduo. Ele não pode chegar na bela garota de óculos escuros e se dar bem, mas eu posso. Isso me deixa mais forte ainda.
Eu então, levanto da cadeira, pego meu bourbon e o traquejar da música, vou de encontro a ela.
TUDO eu posso. Sou o Rei dessa noite.
-Olá garota posso sentar ao seu lado?- Perguntei com um rosto de vencedor.
-Claro. - Ela disse.
Sentei ao seu lado e começamos a conversar. O papo foi longe.
Eu estava interessado naquela garota. Aquela boca me fazia ter fantasias alucinógenas.
-Ah, benzinho, me faça um favor, vai.- eu disse.
-O quê?- ela respondeu com classe.
-Tire seus óculos, vai.
-Nãão. - Ela respondeu com um sorriso no rosto.
-Ah, que isso gatinha. Quero ver seus olhos. Não irei me apaixonar mais por você, eu prometo.- Eu disse.
Ela riu.
Que risada linda. Aquela boca cheia de dentes me fazia ter certeza de ser o campeão da noite.
A música continuava a rolar no ar.
Depois de muita insistência, ela deixou eu tirar seus óculos. Ela com certeza estava afim de mim.
Eu olhei em seus olhos através daquelas lentes escuras, e devagar, tirei seus óculos, eu estava em êxtase.
Ganhei a noite. - Pensei.
Mas ao tirar seus óculos, dei um tranco para trás. A mesma garota, aquela garota dos lindos óculos escuros, que eu já a tinha na mão, estava com conjuntivite. Meu Deus.
Seus olhos estavam totalmente inchados e vermelhos. Parecia que a garota havia chapado um grande antes de chegar no bar.
Ela se assustou com a minha reação.
-Tudo bem? -Ela perguntou ao tocar em minha mão. -Eu disse que não queria que você visse meus olhos.
Ela parecia se auto-reprovar.
Eu ri e disse:
-Você tem um pouco de erva para eu ficar doidão, também? - Perguntei com um sorrisinho safado no canto do rosto.
Ela riu novamente e disse que não usava essas coisas.
Nada, absolutamente nada, poderia acabar com minha noite.
Para Will
terça-feira, 3 de abril de 2012
A Loira Safada da Bunda Grande - Parte 2
Eu a puxei de canto e disse com tom seco e ríspido.
-O QUÊ?? Você quer me matar sua loira insana? -Respondi ao arregalar os olhos.
Ela sorriu ao pegar minha mão e saimos da casa, ela começou a explicar.
-Calma, gatinho. Vamos ficar a sós em um lugar muito melhor. Só te trouxe aqui para você ver com quem eu casei. Meu marido hoje em dia, só dorme. Virou um urso em hibernação. Um bosta no quesito em satisfazer sexualmente a sua mulher. Ele não consegue mais fazer as coisas acontecerem.
Ele virou um calço na minha vida.
Ele me impede que eu deslize, que eu role que eu me incline para o meu prazer.
Ao chegarmos no motel, mudamos de assunto.
-Vamos mudar de assunto, querida. Nosso assunto agora é outro. -Eu disse.
Quando chegamos ao quarto, nos despimos e fomos até o chuveiro. Nos banhamos maravilhosamente bem.
Já na cama confortável, antes que eu colocasse, eu a chupei inteirinha.
Ela dizia, "Isso", "devagar", "assim"...as preliminares foram ao ponto máximo.
A deitei com as costas na cama, coloquei e comecei a bombar e bombar. Ela começava a gemer.
Depois, a coloquei de quatro, segurei seus lindos e longos cabelos loiros e fiz aquilo que ela esperava. Ela gritava de prazer. Eu bombava sem parar.
Deitei na cama, agora ela faria o trabalho. Ela agachou, encaixou devagar e sentou. Deslizava com a maior facilidade. Ela gemia e jogava aquela cabeleira loira pra lá e pra cá.
Em certo momento ela disse, "Ah, Jonas, é agora". Ela se apoiou em meu peito e continuou a deslizar. Até não conseguir mais segurar e dizer, "Ai Jonas, vou gozar". Ela gemia, gritava, gemia...
Pela intensidade que foi aquilo, pensei que fazia tempo que ela não fazia, parecia estar tudo entupido.
Quando avisei que ia gozar, "quero por ele na boca", ela disse.
Fiquei em pé na cama e ela agachada começou a massageá-lo. Ela sabia mesmo fazer aquilo.
Ela o massageou, engoliu, lambeu, chupou...varias vezes.
Goze em mim, aqui, ela apontou para seus maravilhosos melões.
Ela socou mais umas cinco vezes, quando eu disse, "ai, vou gozar".
Gozei gostoso em seus melões maravilhosos. Eu estava em êxtase. Eu suspirava sem parar. Ela continuava a se tocar. Foi uma bela de uma gozada.
Deitei na cama, respirei fundo e ao abrir os olhos me via refletido no espelho do teto. Ela se espreguiçava pela cama.
Nós rimos...
...Eu a limpei direitinho. A deixei como nova. Limpei meu pau com a cueca.
Agora, tudo estava mais calmo. Aquele tesão havia se estabilizado.
Que mulher é aquela.
Deitamos e dormimos abraçadinhos.
Hoje, tenho setenta e sete anos, com artrose nos dedos e furúnculos na bunda, mas não me importo nem um pouco com essa merda.
Eu poderia morrer hoje mesmo. Eu estaria satisfeito com a vida.
Não haveria mágoa nenhuma e teria a plena consciência, que, aproveitei todas as situações que veio até mim e fiz tudo aquilo que quis fazer.
Aquela loira, foi uma das melhores coisas que me aconteceu.
Essa, é a pequena história da loira safada da bunda grande.
A Loira Safada da Bunda Grande - Parte 1
Eu só tinha vinte anos quando isso aconteceu. Ainda me lembro com detalhes. Naquela época, eu já era como hoje, um fudido, um safado de merda. Sempre aproveitei o que a vida tinha a me proporcionar. Eu nunca fui hipócrita ao ponto de disperdiçar minhas próprias chances.
Eu era somente um garoto. Estava na flor da idade. Não me importava com deveres e fazeres.
Eu tinha a sensação que podia conquistar o mundo.
Raramente, era os dias em que não estava chapado.
Nesta época, conheci muitas pessoas. Poucas delas prestavam. Muitas boquetas, valas e becos eram visitados quase todos os dias. Experimentei todo tipo de merda que possa imaginar, mas não vamos nos prolongar neste assunto, está bem?
Não tinha nada a perder, por isso, eu aproveitava ao máximo tudo que a vida me presenteava, se podemos chamar, isso de presente, é claro.
Fazia o que queria e como queria.
"Foda-se se não aprovam minhas ações". -Pensava.
Bem, mas vamos logo a história da loira safada da bunda grande.
-
Eu já morava sozinho e não me importava em jantar pizza todas as noites. O bom disso, é que de manhã ao acordar ou no almoço, havia o que comer, pizza fria é um luxo para os preguiçosos. Em um dia de fevereiro daquele mesmo ano, conheci a loira. A loira safada da bunda grande.
Neste dia, fui ao mercado comprar umas biritas e pizza congelada. Em uma das gôndolas de vinhos, eu a vi. Vestia uma roupa preta. Era uma mulher vivida, com certeza já passava dos quarenta e cinco anos. Uma mulher com proporções físicas maravilhosas, cabelos loiros, lábios carnudos e com um rosto que me lembrava aquelas garotas que o neon bate em seu rosto.
Seu "arsenal" tanto atrás, como na frente, era uma propaganda certeira e direta. Digna de olhadas prolongadas. O zé sem osso estava à flor da pele. Eu a observava em cada movimento.
Resolvi ir ao caixa pagar minhas compras. Ela estava há dois caixas ao lado.
Ela percebeu quando eu a fitei. Ambos aguardávamos nossa vez.
Eu continuava a olhá-la, ela largou o cesto de compras no chão e se aproximou um pouco, com uma desculpa que estava observando a gôndola de chocolates.
Eu a fitava sem parar. Mulher de "conteúdo". Aquela mulher que pode se dizer com toda certeza, "Mulher deliciosa".
Resolvi sair da minha fila e aguardar atrás dela, ela percebeu e olhou para mim. Eu a olhei nos olhos e disse.
-Olá...
Ela continuava a me olhar.
...olha, vou ser sincero. Acabei de te encontrar neste lugar, tô com uma vontade imensa de curtir você, transar com você, você faz o meu tipo. Pode até parecer rude o jeito que estou falando, mas preciso dizer. Já que se você sair por aquela porta, minhas chances em te reencontrar serão mínimas. E isso seria um péssimo momento para mim. Como eu iria dormir esta noite? Veja isso como a última carta do jogo gata. Quero ganhá-la. A quero só pra mim.
Ela me olhava da mesma forma. Respirou fundo, deu um sorrisinho safado me encarou de cima embaixo e disse:
-Hummm...sei, gosto disso. Você está certo. Vamos AGORA para minha casa.
-Mas agora? - Perguntei.
-Sim, vamos.
Pagamos as compras, entramos em seu carro e partimos para sua casa.
Pelo caminho começamos a conversar, ela estava amigável e simpática, depois começou a falar besteiras, perguntar sacanagens, abriu um pouco mais o decote. Ela estava "naquele" momento.
Eu estava em pleno fervor. Olhei para suas mãos e perguntei.
-E essa aliança?
-Ah, não se preocupe, gatinho.- Ela respondeu ao colocar suas mãos em minhas calças.
O que eu não aguentava era a forma que ela sorria pra mim. Que sorriso safado.
- Ela realmente sabe como fazer as coisas.-Pensei.
Chegamos, ela disse.
A casa era um sobrado. Subimos as escadas e fomos para o quarto. Ela abriu a porta e me mostrou um velho dormindo.
-Olha meu marido ai. -Ela disse.
Eu quase mijei nas calças de medo...
Não os Prenda, por favor!
Eu estava com problemas. Sérios problemas. Resolvi ir ao médico. Fui visitar um clínico geral, pois não sabia como e onde resolver esse meu problema. Isso nunca aconteceu comigo.
Na verdade, no começo, isso não me incomodava nem um pouco, mas depois, tenho que admitir, não aguentei a merda toda, tive que pedir ajuda.
É triste, sim, eu sei...mas situações extremas requer medidas extremas.
Fui ao médico para dar uma olhada em meu intestino. Antes, era um peidinho aqui e ali. Peidava de hora em hora, nada demais. Mas depois de um certo tempo, começou atrapalhar a Thiffany. Os peidos eram mais constantes e prolongados, em seu cheiro. Mas pelo amor, Thiffany os aguentava, pelo menos não reclamava. A única coisa que ela me obrigou a fazer foi: "Nunca fique comigo no mesmo ambiente".
Mas tudo virou merda, quando um dia, a dona engolidora de macaco foi nos visitar e descobriu meu problema. Me ridicalizou com todas as palavras, fez a cabeça de Thiffany, me chamou de porco, sujo e e imundo e outras coisas mais. Mas dei de ombros, pois estava bêbado.
Estava proibido de dormir com Thiffany, estava convicto em pedir ajuda.
Ao chegar ao consultório, preenchi uma ficha. Fui atendido por uma velha que havia se arrumado ao ponto de ficar ainda mais ridícula. Ééé....tem velhas que não conseguem mais, não é?
Ela respondia pelo nome de Linda Bruckoc. Estava vestida de branco, já com seus sessenta e seis anos, pele enrugada, cabelos grisalhos e mal pintados e com uma aparência nada agradável.
Preenchi o formulário e a entreguei.
Aguardei um certo tempo, tempo suficiente para que as pessoas começassem a notar e a se distanciar de minha pessoa. Comecei a peidar sem parar, era libertador, fazer ali mesmo. Eu sentava no canto da sala, estava tranquilo.
A "velha Linda", chamou minha atenção. Ela me olhava por cima daqueles óculos descansados em seu nariz, e com o indicador me chamou até ela, me aproximei e disse:
-Senhor Green, peço encarecidamente que o senhor, não solte mais gases aqui. Se não puder aguentar, vá até o jardim. Há pessoas doentes aqui e estão nauseadas, muitas estão passando mal.
Eu não entendia o que ela estava me pedindo.
Cai entre nós. Nunca, o nosso peido atrapalha a nós mesmos.
Pigarrei um pouquinho para limpar a garganta e respondi:
-NÃO POSSO PEIDAR AQUI? Vátea merda! Que merda é essa? Tenho problemas estomacais, intestinais. Antes que essa merda seja um problema para você, eu, já estou nessa merda há dias. Não me venha com essa, sua velha enrugada.
O que você tem nesse estojo de maquiagem? Óleo de rícino, laquê em aerossol, xampus de babosa concentrada? Antes de vir pra cá, você descansou seu rosto hoje de manhã em óleo de sardinha?
-Senhor quero que se acalme, por favor?- A velha Linda dizia um pouco envergonhada.
-Não, não. Não quero me acalmar. Estou com uma puta vontade de ficar puto neste momento. Que se foda! Não irei deixar nada me prender, nada. Nem mesmo um peido. Se eu quiser ficar puto, ficarei com todo meu ser. Vá te fode, sua velha maléfica.
A velha calou-se e voltei ao meu lugar.Três minutos depois, fui chamado pelo doutor.
Entrei na sala um pouco alterado e percebi que era uma doutora que iria me atender.
A doutora mediu minha pressão. Eu estava putasso pela irritação, referente a minha anulação de peidar no ambiente. Minha pressão estava 17/11.
Ela só me receitou um remédio e disse para me acalmar. Peguei a receita e a guardei no bolso.
Não sei porque os médicos escrevem com todos aqueles garranchos. Não consigo ler porra nenhuma. Ah, vão pros diabos.
Ao me levantar da cadeira, disse, "obrigado doutora tenha um bom dia". Antes de sair, deixei escapar um rastro de peido azedo, que em poucos segundos fez com que sua sala se empesteasse.
Ao sair, passei pela sala de espera. A "velha Linda" e mais umas vinte pessoas ainda estavam por ali.
Sai pela porta principal sem olhar para trás.
Ééé....realmente na sala de espera, havia um puta cheiro de leite azedo secado pelo sol, gorfado por um nenê.
Ao atravessar a rua, dei risadinhas e um arroto de sabor de mijo secado ao sol da manhã.
Como minha vovó sempre dizia: Um peido livre, é dar liberdade à sua tensão....
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Malditas Convenções Sociais
Depois te ter escrito alguns contos para uma outra revista de merda, fui comprar alguns drinks no mercado.
O dia estava bonito, passava das dez da manhã de uma quinta feira. Resolvi passear um pouco pelo bairro.
Pelo caminho, encontrei um velho amigo, um amigo de longa data. Fiquei surpreso ao vê-lo, pensei que a cirrose já o tinha matado.
Ao lado de uma praça, começamos a conversar sobre diversos assuntos, quase todos inúteis e fúteis.
Aqueles assuntos sem peso e sem temperos.
Não o via já fazia um bom tempo. Ele falava de pessoas queridas como filhos, netos e sobrinhos com tal emoção que tive que fingir que estava interessado no assunto. Eu dizia, "Que ótimo!", enquanto ascendia o cigarro.
Eu não havia casado, não namorava sério, fiquei quieto sobre minha vida pessoal.
Ele falava, falava e falava sem parar, esava emocionado pela vida que Deus havia te dado. Ele o agradecia nos finais das frases. Ele parecia ser um afortunado, pensei.
-Mas voê aind abebe? - pergutei?
-Não, eu parei há anos. Estou sóbrio hoje em dia Jonas. Sou um novo homem.
Hummm, taí porque ele fala tanto, a falta de álcool o fez falar pelos cotovelos.- Pensei.
Ele era um garanhão de primeira, um "Ás no quesito noitadas". Agora, ele virou um homem sério, um homem a base de soja.
Mas em um certo momento, percebi que nem lembrava o nome dele.
Enquanto eu o ouvia, tentava lembrar seu nome, mas sem sucesso.
Ele mais parecia uma matraca, era impossível processar alguma coisa naquela conversa entre amigos estranhos. Ele falava muito.
Comecei a chamá-lo de "você", "cara", em começos e términos de novos assuntos e fazia aquela cara de surpreso aos seus comentários. Eu estava me saindo bem, ele nem ao menos desconfiou.
Ao contrário de mim, ele dizia meu nome em todas as frases. O puto lembrou do meu nome, o nome da Thiffany e até o nome da velha engolidora de pinto de macaco da minha sogra.
Ele deve ter pedido ao bom deus uma ótima memória ou a abstinência de álcool o fez relembrar das coisas.-Pensei.
Eu não lembrava de seu nome, com quem ele morava, muito menos de onde eu o conhecia.Estou muito a frente à essas convenções sociais. Desses vícios de linguagem. Essas...como diria,
ah, sim....educação e respeito ao próximo.
Quero que se foda essa merda! Limpe a merda do mundo com sua educação.
Eu não vou me propor à isso. Foda-se Marx e Hitler. Ninguém paga meu trago, minhas cuecas ou minhas camisinhas. Minha bebedeira é assunto meu. As convenções são lixo, algemas psicológicas para que você tema e reaja de uma certa forma. EU não reajo, eu ajo em base do momento.
Na real, se esse cara que fala pra caralho na minha frente agora, me devesse dinheiro ou fosse um fudido de um sortudo...daqueles que nascem com a bunda virada pra lua, com certeza, eu o chamaria por outro nome.
Eu senti que a conversa estava chegando ao fim, quando começamos a ficar em silêncio. E não havia mais o que dizer de nada. Um olhando para a cara do outro sem ter o que dizer. Esse silêncio é amendrontador, pois você deseja sair correndo por insatisfação ou não ter encontrado tal pessoa na rua naquele momento.Você se sente sem calças, se sente desprotegido.
Nos despedimos pela mesma forma que nos encontramos.
-Bom te ver, Jonas Green, Muito bom te rever. -Ele disse.
Eu só disse obrigado e acenei com a mão.
Virei as costas e continuei andando. Tentava lembrar o nome daquele "cara".
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