segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A Safada Ruiva

 Comecei pelos incensos aromatizados. Ela por sua vez, acendeu as velas vermelhas. Nosso quarto estava todo decorado para nosso total e picante prazer. O quarto escuro, as cortinas vermelhas, nossa cama redonda dava um toque sensual em nossa noite de amor. Pétalas de rosas jogadas à cama. Champagne francês. Música de fundo esquentava cada vez mais nosso momento de amor. Começamos a nos beijar a nos acariciar. Algo começou a esquentar entre nós.
 
-Óh, benzinho... isso, vai... continua...asssim....devagar. - A Safada ruiva suspirava.
-Você é um furacão heim ?! Dizia com total fervor.
Minha respiração estava ofegante. Eu bombava e bombava e ela não cansava.
Resolvi então, fazer um papel secundário com a garota neste evento.
Eu comecei a sentir... estava a caminho.
-Sou um animal ! - Eu dizia.
-Sim, me puna, Jonas! Me puna, sou muito má! - A garota totalmente fora de controle dizia.

Havia gemidos e cabelos ruivos para todos os lados.

-Continue, benzinho.
-Isso, Jonas!! - A ruiva totalmente louca.
-Ai vou gozar, vou sim!!!!
-Ai.. eu também!
-Ain.....
-Jonas?
-Hummm....
-JOOOOONASSSS!!!!
Abro os olhos e vejo Thiffany gritar ao me balançar com o braço.
-O que...que foi?
-PÁÁRA DE RONCAR!! - Jonas, que cara é essa? - Thiffany pergunta em tom de dúvida.
-Na...da. - Respondi me virando para o outro lado.
Ela voltou a dormir.
Era só um sonho? - Pensei.
-Merda! - Sussurei com indignação.
-O que disse, Jonas? Thiffany me olhou sob o ombro.
-Na...da.
Percebi que havia algo de errado com meu saco. Pus a mão e constatei que todo aquele sexo selvagem com a safada ruiva, tinha feito da minha cueca a escolhida para meu prazer.
Levantei e fui ao banheiro.
-Jô, tudo bem? - O que vai fazer? Thiffany perguntou ao ascender o abajur.
-Na...da
-Volte logo, ok?
-Sim, querida! - Disse já dentro do banheiro.
Tive de me limpar e trocar a cueca....

Jonas Green

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O Sofá











Já passava das dez da manhã, tinha acabado de acordar. Precisava escrever uns contos para uma revista de merda. Essas de fofoca. Meu editor disse "Vamos lá, Green, é só pela grana". Concordei.
Eu estava na sala, de short azul, camiseta branca, cabelos desarrumados e barba por fazer. Eu fedia a vinho barato. Dormi no sofá noite passada por ter preguiça de tomar banho.
Fui até a escravininha e comecei a escrever meu novo conto. Meu personagem se chamava John Palmer.

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"Ao ler o jornal pela manhã, li sobre a matéria da capa, folheei algumas páginas até chegar nos classificados. Pessoas vendiam de tudo. "Vendo Igreja". "Vendo um guaxinim". "Vendo um toca discos novinho". O último me surpreendeu. "Procuro Homem para relacionamento". Dobrei o jornal em várias partes e me concentrei nos dizeres desse anúncio.

"Procuro Homem para relacionamento. Tenho 57 anos, sou viúva, sem filhos. Adoro cozinhar e passear. Não me importo por hábitos destrutivos. Quero uma companhia para dividir bons momentos." Cris Belly.

Essa mulher deve ser uma solitária. - Pensei.
"Não me importo por hábitos destrutivos", essa foi profunda. Fiquei imaginando o que ela queria dizer.
Bebidas? Drogas? Mulheres? Jogos? Na verdade, ela já era uma mulher rodada, pela idade e pela forma de dizer  "Não me importo por hábitos destrutivos". Resolvi ligar para saber qualé desta mulher solitária.
Peguei o telefone, disquei o número. Tocou três vezes.
-Alô?
-Alô, Cris Belly?
-Sim, quem é?
-Meu nome é John Palmer, vi seu anúncio no jornal.
-Óh, sim.
-Me diga uma coisa Cris...
-Me chame de Belly.
-Ok, Belly. - Diz aí, está difícil encontrar um homem?
-Sim. Depois que meu marido faleceu alguns anos atrás, não quis mais sair, nem nada, mas agora eu tô precisando.
-Entendo. - Dei mais um gole. - Mas me diga Belly.
-Sim, John.
- O que significa no anúncio, "Não me importo por hábitos destrutivos? "
-Bem...é que sou bissexual...Ah.. desculpe dizer isso.
-Que nada. Somos todos iguais. Que bobagem. - Disse com ar de descompromisso.
-Sofri muito na mão do meu falecido marido.
-Mesmo? -Perguntei curioso.
-Sim, ele me traia com outras mulheres, bebia demais, jogava nos finais de semana, bebia demais, me traia com outras mulheres, etc...
-Que chato, Belly! - Como ele faleceu? - Perguntei dando uma tragada no cigarro.
-Eu o matei! Fiquei presa por cinco anos e como não conheço ninguém dessa cidade, me sinto sozinha, resolvi botar o anúncio.
-Ow...Ow... um assassinato. Forte, né? - Perguntei.
-Mas já paguei minha pena. John, você virá me visitar? Venha, tomar uma xícara de chá.
-Não posso, Belly.
-Porquê? - Belly perguntou apreensiva.
-Porque ligo de uma prisão. Estamos na hora do banho de sol, peguei um jornal para ler e encontrei seu anúncio, eu também me sinto sozinho, então resolvi ligar...
-Ah, então vou te visitar. Pode ser?
-Me visitar? - Perguntei surpreso.
-Sim. Você tem visita íntima? - Belly perguntou com um breve sorriso.
-Sim, claro. Venha amanhã as 16:00hs. Teremos uma hora só para nós. - Ri sozinho.
-Fechado, estarei aí amanhã.
-Ótimo, até amanhã.
Ao desligar o telefone, me senti como um super homem. A testosterona reinava em meu corpo..."

Ai terminar o conto, voltei para o sofá exausto. Depois mando esse pequeno conto para o editor.
Foda-se o banho! - Pensei.

sábado, 21 de janeiro de 2012

O Encontro com "Sally a louca"















Thiffany está na casa da velha. Já passa das 9 da noite. Estou num puta tédio. Não tem nada pra fazer... até tem, mas não tô com a mínima vontade.
Vou até a cozinha. Abro a geladeira, fecho a geladeira, volto para a sala. A garrafa de vinho vazia em minha frente. Sem idéias pra escrever. Decido ir ao bar. Até minhas calças estão no tédio.
Ao chegar, me apóio e coloco meu gorro no grande balcão.
Loyd vem em minha direção secando as mãos no pano apoiado em seu ombro.
-Olá, senhor Green, como vai?
-Estou em pleno vazio, Loyd. Nada faz sentido, me vê um scotch.
-Claro, senhor Green.
Loyd me serve com destreza. Levanto o copo para brindar à sua maestria. Ele ri.
Bebo a dose de uma vez. Aponto para o copo e Loyd completa novamente.
-Fique a vontade senhor Green.
-Você manda, Loyd.
Olho ao redor. O ambiente está escuro. Há aquelas luzes coloridas dançando pra lá e pra cá no ambiente. Pessoas dançando.
Balanço a cabeça no ritmo da música ambiente. O balcão está lotado.
No canto do bar, perto da "Jukebox", quem vejo? "Sally a louca".
"Meu deus" disse apreensivo. Virei o rosto mas já era tarde. Sally veio até mim e disse bem baixinho:
-Estava a sua espera, Joninhas?
-Olá Sally, como vai?
-Joninhas, porque você não responde minhas mensagens, porque não responde minhas cartas, porque não atende minhas ligações?
-Ow, Sally, tenho namorada. Sabe disso.
-Então deixe me ver sua aliança? - Sally disse com iponência.
Isso me deixou alarmado, pois estava sem a porra da aliança.
-Joninhas, venha até minha mesa. Quero conversar com você. Tenho uma surpresa. Venha venha!
-Está bem Sally! Estou indo, mas antes vou ao banheiro, ok?
-Te espero no nosso cantinho, tá?
-Aham. - Concordei com um sorriso.
Enquanto Sally estava indo sentar ao lado da "Jukebox".
Bebi o que restava do bourbon e disse a Loyd.  "Amanhã te pago".
Peguei meu gorro e dei o fora dali.

Jonas Green

domingo, 8 de janeiro de 2012

O Cachorrinho da Thiffany












Estava na sala escrevendo mais um conto para uma revista.
Ouvi um barulho de molho de chaves que logo fisgou minha atenção. Pelo horário era Thiffany. Fiquei olhando para a porta.
Era ela mesma, com as compras em uma mão e uma coisa estranha na outra.
Veio correndo em minha direção.
- Amor...Amor...veja isso.
Era um cachorro desesperado. Arregalei os olhos quando ele pulou pra cima de mim. Levei um puta susto.
-O que é isso, Thiffany? - Perguntava enquanto esquivava das lambidas daquele vira lata.
-O nome dele é  Boris, Jô. É da minha mãe. Deixou comigo enquanto ela foi ao mercado. - Thiffany dizia enquanto o pegava do meu colo.
O cachorro a lambia, abanava o rabo com total fervor e tudo o mais.

-Sua mãe? - Ela sempre arranja um jeito de me irritar. - Pensei.

O telefone tocou.

Thiffany atendeu mas o Boris não parava de jeito nenhum.
-Jô... é a mamãe no telefone, segura o Boris pra mim, por favor.
Era tarde demais.
O tal de Boris, aquela bola de pêlo já estava em meu colo, com toda aquela alegria sem razão, todo aquele fervor, mas o soltei logo em seguida.
Ele estava em minha frente. Me olhava sem piscar. Eu em pé sem saber o que fazer, resolvi voltar ao conto.

10 minutos depois

-Jô, advinha? Mamãe terá de viajar para a casa da minha tia, voltará só amanhã a noite.
O Boris vai ficar aqui. Ebaaa!!!
-Aqui? Ah, honey! Olhe para ele. Está mordendo meus sapatos. Olha aí. Destruindo a casa. Leve-o daqui vai.
-Ah, benzinho não faça isso. Ele é tão bonzinho. Olha como ele é lindo. -Thiffany o balançava no colo. - Mas honey... 
- Além disso, preciso dormir. Preciso trabalhar amanhã. Você sabe disso. Cuide dele.
-Thiffany, eu acho...
-Obrigado, Jô. Sabia que você me entenderia.
Me deu um beijo de boa noite e foi correndo com pulinhos até o quarto. A porta se fechou.
Ali, percebi que só era eu e o .... "como é seu nome mesmo, seu saco de pulga"? Perguntava apontando pra ele. Boris me observava sem entender nada.
Resolvi chamá-lo de Cheroso.
Fiquei o segurando no colo por alguns segundos.
-Hooooney?
Ela não abriu a porta.

30 minutos depois

O cachorro não parava quieto. Não conseguia terminar meu conto e nem fazer nada. Já passava da meia noite. Eu comecei a ficar puto da vida. Puta que pariu....onde desliga esse cachorro. Que merda!

Como era o cachorro daquela rampera, e precisava trabalhar arrumei um jeito.
Abri uma garrafa de Jack Daniels, coloquei o bocal perto da boca do cheroso, e ele lambeu e lambeu...

7 minutos depois

O Cheroso parecia um anjo. Dormia largado no tapete.
Graças à *Kentucky, pude terminar a porra do conto para a revista...


*Whisky Jack Daniels produzido em Kentucky, USA

Meu 77º Aniversário





















Hoje é meu aniversário. Estou mais velho. 77 anos em plena saúde.
Sinto a merda da idade chegar nos joelhos, juntas, dedos e no zé sem osso.
Tudo muda quando você passa dos 70 anos.

Seus hábitos mudam muito.

Você arranja uma agenda para anotar as coisas devido ao esquecimento...
Pela a urina solta, você se obriga a ter um pinico embaixo da cama nas horas difícies da madrugada....
Fica muito mais sociável com os médicos, enfermeiros que venham a te ajudar....
E fica muito mais sensível a sustos, puta que pariu, me assusto com qualquer merda....

Dizem por aí, que você tem a idade que sente.
Bem, eu me sinto....uma porcaria.

Thiffany fez um bolo pra mim, me comprou chapeuzinhos de aniversário, me obrigou a usá-los.
Tem docinhos de festa e balões coloridos.

Amigos compareceram à festa. Alguns amigos do bar. Loyd o garçon.
Sally mandou uma carta de amor gigantesca se declarando.
Eu bebia com um garoto. Amigo da prima da Thiffany, se dizia chamar Rupa. Eu perguntei: que merda de nome é esse meu filho? Ele riu.

Thiffany veio até mim entregar um presente, se dizendo ser da minha sogra, "aquela adestradora de urubu".

-Ela não pôde vir Jô. O presente foi entregue por um entregador. Olha o cartão, diz: "felicidades à você". Que lindo!
-Ok...Obrigado.... Sua mãe me dando presentes? - Pensei.
Ao abrir, percebi que era uma garrafa. Uma garrafa de Whisky.
Quando o levantei, tive a amarga e péssima surpresa.
Um whisky fabricado nas ilhas galápagos...
Velha maldiiita!!!!

Jonas Green

domingo, 1 de janeiro de 2012

Primeiro dia do Ano














Começamoas a beber whisky escôces as 18:00 hs do dia 31/12. Os amigos de Thiffany estavam em peso em casa. Loyd apareceu aqui também. Recebi uma ligação de "Sally a louca", mas nem atendi.

Todos conversavam em voz alta e sobre tudo. Havia muita comida e bebida que não faltava.
Estava bêbado e fui deitar um pouco. Já passava das 22:00hs. Pedi para que Thiffany me acordasse.
- Thi, me acorde antes da virada, ok?
-Sim, benzinho. Deixe comigo.
E fui dormir um pouco.
Deitei na cama e tudo começou a girar...girar...girar. Então comecei a passar mal e tive espasmos estomacais. Corri para o banheiro e gorfei na privada, sujei nosso tapetinho vermelho.A porra da tampa estava totalmente abaixada. Voltei para cama.

Ouvi uma voz me chamando. "Jonas, acorde!". Olhei com os olhos semicerrados, havia alguém no vão da porta, a luz atrás era intensa, eu só disse "já vou", e voltei a dormir.

Hummm, os malditos espasmos voltaram corri para o banheiro...

Quando percebi, acordei abraçado junto com a "privada de porcelana". Pisquei alguma vezes. Estava fedendo a vômito escocês. Estava no escuro. Levantei cabaleando e liguei as luzes. Ao me ver no espelho estava arranhado e com hematomas pela cara. Pensei: "Que merda é essa? Abri a porta. O quarto estava arrumado, tudo estava quieto. Fui até a sala, não havia ninguém.
Havia um bilhete na mesa que dizia:

"Oi benzinho, fomos ao bar do Loyd. Terá "Open Bar". Te esperamos por lá, tá?  Ah, deixei um despertador para você no banheiro. Irá despertar as 23:50hs, tá? Você não acordou quando te chamei pela porta e nem com os murros que levou do Adam. Venha que já estou bêbada. Irei dormir na casa da mamãe. Com amor Thiffany."

Ao ler o bilhete, fiquei com uma cara de frustrado de merda. "Puta que pariu". gritei. A porra do cuco na parede mostrava 2:15 da madrugada. Passei a porra da virada de ano no banheiro. Abraçado à minha privada. Coberto de vômito vindo das montanhas altas da escócia e com canapés de presunto.

Me indignei e escrevi este poema...

Jonas Green