quarta-feira, 17 de julho de 2013

A Revista da Segunda Guerra





Hoje acordei cedo, lá pelas onze e meia. Tentei levantar mas percebi que estava travado de um lado. Minhas costas tinham ido pro bréjo.
Tentei levantar do outro lado da cama. Consegui.
Fui arqueado até a janela da sala para tomar um ar, mas quem disse que consegui.

"Ahh, tô na merda", quando percebi que não podia levantar os braços.

Me encostei na parede sem poder me mexer direito.

Estava sentindo a merda da idade acontecer pra mim. Sendo derrotado pela falta de cálcio ou não ter feitos exames de sangue no passado.
Deve ser o nervo ciático ou a lombar. Pensei

Tentei respirações profundas e quase engasguei. Virei o quadril de um lado a outro, mas uma vez já foi o bastante.
Até me sujeitei a "encaixar" a coluna no seu lugar esfregando minhas costas e minha bunda na parede. Sem sucesso.

Ao me esfregar na parede descascada, me começou a coçar as costas.
-Puta que pariu, hoje não.....maldição.... aí.....vai....mais um pouco.
mas o braço não alcançava.
 "Jesus, qualé.... me tire dessa". Dizia arrasado, as onze e trinta e oito da manhã.

Então, tentei uns alogamentos de pernas.
Eu sabia o que estava fazendo. Havia feito yoga nos tempos do guru dos Beatles.
Deu uma fisgada e destendi uma coxa.
"Mais que diabos", disse enquanto mancava só de um lado até o sofá.
Sentei com cuidado.
A cena era patética, ao me arrastar até meu caixão cor de vinho.

Sentei, me endireitei para trás e logo após um longo suspiro, fitei para o teto sem pintura e infiltração e me perguntei em voz alta: "porque senhor, porque eu?".

No criado mudo, ao meu lado, havia uma garrafa de vinho quase no fim.
A matei e permaneci com ela virada em minha boca com a esperança de que pudesse descer um pouco mais daquele suco de uva inofensivo.

Na mesinha da frente, havia uma revista do melhor da segunda guerra mundial.

Comecei a lembrar.
Na noite anterior, sonhei que estava na guerra. Havia tomado um tiro de raspão na bunda e outro no ombro. Estava sendo perseguido por dois doberman raivosos e sedentos por sangue.
Me esquivei no meio dos entulhos de alguma explosão local e permaneci imóvel até...
....bem, até acordar na mesma posição em minha cama.
os tiros na bunda e no ombro fizeram meus nervos das costas ficarem enrijecidos.
Éhh.... eu preciso parar de ler essas coisas a noite....me impressiono fácil.

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