quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A Merda do Panfleto no Bolso do Paletó














Ao chegar pela manhã em casa bêbado, cansado e desnorteado, joguei meu paletó no sofá e fui para a cama sem ao menos tirar os sapatos. Durmi como um urso em hibernação.
Como se tivesse passado dez minutos, Acordei com Thiffany aos berros.
-Que porra é essa Jonas???
 Sentei na cama, esfregando as mãos nos olhos sem saber o que fazer.
- O quê? Como assim? - eu disse.
Que panfleto é esse?
Thiffany fiscalizava os bolsos do meu paletó enquanto falava.
-Nada...! - respondi.
- Como assim nada? - Thiffany dizia puta da vida.
-Deixa eu ver...me dê!
-Não minta pra mim heim seu frouxo.
Comecei a lê-lo.
-Erhh...Patricia Bolt... sexta a noite no "All Big Pussy Club"... a partir das 23:00?
Fiquei em silêncio enquanto ela olhava paralisada para mim. Ela parecia que ia arrancar minhas bolas.
-Mas que porra é essa Jonas? Você está me traindo seu monte de merda?
-Calma meu bem.
-Calma é o cassete! Me diga que merda de panfleto é esse?
-Eu não sei.
-Como você não sabe? Encontrei essa merda de panfleto no bolso do seu paletó. Ontem, você disse que ia para uma entrevista de emprego
-Não...não é nada disso.
-Então que porra está acontecendo aqui? E não minta para mim Jonas. -Thiffany estava quase babando de tanta raiva. - Me conta tudo, porque senão, vou cortar algo que te fará falta pra sempre.
Pelo tom de voz, deduzi que ela faria algo parecido do que havia dito.
-Benzinho....que isso? Não faria isso né?
Thiffany me olhava com as sobrancelhas altas e com as duas mãos na cintura.
Ela não parecia estar brincando.
Então comecei a explicar.
-Não fiz nada. Estava em uma reunião com meu futuro gerente e um amigo dele, como havia te dito. Começamos a conversar e tal, ele me pagou uma bebida, fumei um charuto, o outro pediu um martini e o cara ficou a tomar vinho seco. Começamos a conversar sobre negócios, amor.
-Mas isso...não explica o panfleto em seu paletó, Jonas?
-Ahhh, querida...aquele amigo do meu gerente, é um empresário do sexo, ele tem vários móteis e casas noturnas pela cidade. Ele me explicou um pouco. Aquela moça fez um show ontem. Ele só me deu o panfleto e guardei no bolso do paletó benzinho.
-Mas....
-Mas o quê benzinho? - A silenciei dando-lhe um abraço acolhedor. - Escute baby. Estou cansado, vamos tomar uma ducha vai...Estou louco por um banho e quero você massageando minhas costas.
-Ah benzinho, ow... desculpe. vamos então!
Comecei a tirar a roupa e colocar no cesto de roupas, enquanto Thiffany já estava no chuveiro.
Mas percebi que eu estava sem cueca. Onde estava minha cueca?- pensei.
Entrei no box e comecei a dizer "ouw...esta quentinha".
Esfregando suas costas com a bucha de banho, tentava lembrar onde diabos tinha deixado minha cueca, e somente um lugar me vinha a mente.
"All Big Pussy Club".
A casa onde você esquece seus ovos e deixa para fritar em algum quarto pago por ai....


terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Um Feliz Ano Novo










-Meia noite !!!
-FELIZ ANO NOVO!!
-Aêêê!!!
A galera está em êxtase. Todos gritam, pulam e se divertem com a virada de ano!
-Felicidades!!!
-"Feliz Ano Novo!!"- todos gritam.
Uma amiga abre uma garrafa e dá aquela bela golada.
Eu, abro uma garrafa de vinho e viro até a metade. Tudo para comemorar essa data.
A rolha da minha garrafa guardo em meu bolso.
-Porque você guarda a rolha no bolso, Jonas? -minha amiga pergunta.
-Para dar sorte, ué!
-Sorte?
-Sim, onde eu for, a rolha irá me guiar. Aprendi isso com meu velho pai!
-Ah, tudo bem. -Vamos abrir outra garrafa?
-Simmm. -Respondi.
Bebemos tanto, mas tanto, que meus bolsos já estamos cheios de rolhas.
A festa só tinha começado. Outras pessoas chegaram e trouxeram mais garrafas.
Bebidas que eu nem ao menos sabia identificar quais eram.
A festa estava tomada por pessoas insanas....e eu estava no meio.
Uns bebiam, outros vomitavam nas valas, outros se abraçavam em um amor quase fraternal, era quase uma suruba social.
Era lindo de ver toda aquela alegria entre estranhos e parentes de terceiro grau.
Eu tentava processar toda aquela situação mas meu cérebro estava lento. Desejava de todas as formas acelerar o processo, mas meus movimentos eram totalmente limitados....e era aí, que eu me perdia no que estava fazendo.
Estávamos festejando o ano novo, cara. Não tinha festa maior para celebrar. Não tinha o "não" em nossas vidas.
Pegamos o carro e as cornetas, fizemos barulho por toda a cidade.
Fiquei sem voz de tanto gritar pelas ruas frias da madrugada. A dor no pescoço, foi de tanto balançar a cabeça de um lado a outro.
Bebi tanto que apaguei antes de testemunhar o final da festa.

Buzinamos em lugar proibido, atrapalhamos a ordem pública, fizemos danos irreparáveis devido aos cacos de vidros das garrafas, além claro, de eu ter desacatado um policial.
Isso tudo, em minha primeira noite de um ano novo!
Isso foi o que me disseram quando me encontraram no dia seguinte. 

Mas antes disso, acordei da  maldita bebedeira.
É muito estranho acordar com os fogos de artifício e estar com uma puta ressaca e perceber que na realidade, você está dormindo no chão de uma cela de cadeia, todo mijado da cintura pra baixo e sem nenhuma perspectiva de saída, junto com outros vinte presos.
Isso é o que acontece quando você não tem limites, vinte anos na cara e sem um puto no bolso.

Esse pessoal da cadeia é realmente intrigante e perigoso, mas consegui distraí-los.
Graças ao meu pai que me ensinou mágicas com rolhas de garrafas.
As inúmeras rolhas do meu bolso, realmente me deram sorte em meu primeiro dia do ano.
Feliz Ano Novo!