quinta-feira, 3 de maio de 2012
Por um Fio
Um certo dia, encontrei meu amigo do conto "Quero ser Charles Bukowski / A Velha Latrina como Privada", nos cumprimentamos e começamos a conversar. Na verdade, eu estava atrasado. Sabia que ele falava pra cacete, então tentei ser o mais breve possível.
Ele falou sobre vários assuntos, mas todos de sua importância. Como um curso de como servir de maneira correta um drink a um bêbado. Ele contava os detalhes de onde colocar a cereja no copo, de que lado da mesa servir a tal bebida ou como preparar um hi-fi. Com tamanha felicidade, ele proclamava todo aquele evento com grande proeza e façanha.
Falou de outras coisas da vida dele, coisas grandes, importantes de sua vida, mas nenhuma prestava na verdade.
A última notícia eu até pedi para ele repetir.
-Como é?
-É verdade. Eu transei com uma garota sem pagar.
-Como é? Você comeu uma garota sem abrir a carteira?
-Isso mesmo. -Ele respondeu fazendo sim com a cabeça.
Entenda, que ele, era um cara que não via uma xoxota em sua frente, se não abrisse a carteira para dar umas notas em troca.
Ele começou a se explicar:
Bebemos até altas horas para comemorar um grande feito. Quando percebemos, não havia como voltar para casa. Opinei que ficássemos em um hotel só para passar a noite, ela consentiu.
Depois de algumas risadas e umas cervejas que ela havia trazido na bolsa por roubar em uma loja de conveniência, nos beijamos na quente e barulhenta cama do motel.
Nos despimos, fomos até o chuveiro, tomamos um banho morno, pois não havia água quente no chuveiro e nos ensaboamos.
-Não havia chuveiro quente? - Perguntei.
-Não. Não se pode conseguir grande coisa quando se paga R$18,90 pelo quarto.
-Ok. -Eu ri discretamente. -Continue.
-Fomos até a cama, ligamos a tv e colocamos no pornô só para estimular.
-Ahhh é...e aê?
-Aconteceu cara. Eu a fodi. Sabe como em Marcos 10, versículo 25? "É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus” ?
-Sim.
-Então, Marcos estava certo. O buraco da agulha era muuuito apertado.
-Cara, como você é baixo, um profano! - eu disse.
-Mas ainda tem mais.
-Ok, continue.
Transamos por um tempo. Ambos estávamos bêbados. Já haviam bebido no boteco, e ainda mais as cervejas que ela havia roubado na loja de conveniência.
-Humm...e aê?
-Fodemos por vinte cinco minutos. O mastro estava em pé.
-Ouww! Mas eaê, ela gozou?
-Como assim?
-Ela gozou? Ela chegou no ápice?
-Ahh cara, não sei. Ela gemia de um lado a outro. Ela gemia bastante. Acho que sim.
-Meu deus cara, como você é fétido, porco.
-Porquê?
-Como, porquê? Como você transa com a garota e não faz ela chegar no ápice?
-Cara, eu estava bêbado e ela também.
-Sim, você me disse, triste!
-Ela deve ter chego no ápice vááárias vezes.
-Pode ser. Bem, pelo menos você gozou...ainda bem.
-Não.
-Não o quê?-perguntei.
-Não gozei.
O quê?- perguntei assustado. - Você estava bêbado, pagou um motel barato, não fez ela gozar e depois de vinte e cinco minutos de trepadeira, você também não gozou?
-Não cara. Na verdade, eu disse à ela que não aguentava mais, por isso paramos. Eu estava desidratado.
-E depois? O que você fez?
-Depois que ficamos vinte cinco minutos tentando chegar em algum lugar, nós descansamos. Ela virou pro lado e dormiu.
-E você?
-Eu também virei de lado, só que não consegui dormir. Havia um som ensurdecedor do lado de fora do quarto. Era muito alto. Parecia como uma máquina grande de bombar água, não sei.
Parecia que o Conan ia vir arrancar minhas bolas.
-Que horas eram.
-Não passava das três da matina.....e essa merda de barulho se estendeu até as seis da manhã, quando amanheceu. Não consegui dormir em nenhum momento.
-Que merda!
-Havíamos combinado de acordar cedo para juntos irmos embora.
Resultado, ela acordou renovada e eu...porra, estava com os olhos fundos, inchados. Maldita britadeira.
-Que noite, cara!
Depois de ouvir tanta merda, explodi:
-Cara, você não fez ela gozar, você também não gozou. Você é um monte de bosta mesmo. Um punhado de merda. Só serve pra mijar, essa porra heim?! Apontei para aquilo que ele chamava de "meu monstro preferido".
Virei as costas e sai andando.
-Ei amigo, volte. - Ele gritou.
-Vá dá meia hora de bunda com o relógio parado pro segurança seu frouxo. - Retruquei.
**Nota do autor
Baseado em fatos reais.
Por motivos óbvios e contra a imoralidade alheia, o autor, escolheu por preservar a identidade da pessoa e zelar por sua desonrada vida.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Melons Table
Bifurcações em formato "V",
São apreciadas, de acordo com o número da malha, de lycra?
O cálice sagrado contém cheiro de vinho,
E também, de um peixe muito conhecido.
A Pata do camelo, é apreciado por homens com cromossomo X e Y.
Fixações mentais, movimentos faciais,
Quero adentrar nesta caverna
e me aconchegar,
Lá fora faz muito frio, me dá calafrios.
A propaganda é a alma do negócio,
A parte de trás me desagrada,
Mas o que se sustenta naquele suporte dito em francês, sustein, soutien...
Me fascina.
Do perímetro da circunferência com seu diâmetro, retira-se o número pi,
Os faróis dos irmãos gêmeos da frente,
Ascendem em um dia de frio...
Para ela
Pink & Floyd
*Para ler o poema, ouça a música.
http://www.youtube.com/watch?v=U_iSj2frQSU
http://www.youtube.com/watch?v=U_iSj2frQSU
(Após experimentarem comprimidos de LSD, os irmãos Pink & Floyd discutem entre si em uma sala vazia, a frase)
"O copo está meio cheio ou meio vazio?"
-Éééh...
-Diga Pink, está meio cheio, não?
-Não Floyd, meio vazio.
-Esse copo é feito de quê?
-Ele tem um buraco, cuidado para nao derramar a metade cheia.
-Não, não é! É a metade cheia.
--
-Cadê nossos primos?
-Quais? O Pink e o Panther?
-Sim.
-Eles são loucos.
-Sim.
O Pink endoidou cara. Ele vive catando bitucas de cigarro no chão e as come.
-Triiiiiiiiste, e o outro?
-O Panther?
-Sim.
Vive dando um tapa.
- Esses malucos.
-São doidos...
O Tiozinho do Guarda-Chuva
Thiffany e eu, estávamos no mercado da cidade. Iríamos comprar umas porcarias como desinfetante para a pia da cozinha, amaciante de roupas, essas coisas que julgo desnecessárias.
Eu, vou lá, na verdade, somente por um só motivo...bebidas!
Thiffany enchia o carrinho de compras, enquanto passávamos entre as gôndolas do supermercado.
Minha função, era somente, empurrar aquele carrinho.
Chegamos ao setor de bebidas. Hummm... Meu sorriso se estampou no rosto.
Imagine ai, um rosto de uma criança em uma loja de doces...Imaginou? Então, esse era meu rosto.
Bem, um rosto muito mais enrugado, sujo e com barba por fazer.... mas em essência, era o mesmo rosto.
São só 70 anos de distância que me separam da inocência, juventude e beleza.
Estamos todos no mesmo saco, só que em níveis diferentes. Esperamos com fé que a salvação venha dos céus nublados de hoje em dia, e nos tire das armadilhas que nós próprios criamos.
Fui direto na gôndola pegar minhas três garotas.
Uma morena escocesa, uma loira russa e uma ruiva portuguesa.
Thiffany pegou uma garrafa de vinho e sucos de soja. Não entendi o porquê. Acho que ela pensa em regime.
Fomos até o caixa. Thiffany pôs as compras para pagarmos.
Ao pagarmos as compras, já estávamos saindo, quando, Thiffany lembrou de comprar veneno para ratos.
Nossa casa estava infestada desses espertinhos de esgoto.
-Jonas, espere aqui enquanto vou comprar.- Ela disse ao me entregar as compras.
-Ok, baby. - Eu disse.
Eu a aguardava na entarda do supermercado.
--
Após alguns minutos, Thiffany retornou com o veneno de rato.
-Vamos embora Jon...
Eu conversava com um senhor. Um vendedor de guarda-chuvas.
-Leve esse meu senhor, ótimo para o verão. Sua patroa irá se proteger dos raios solares....
O velhinho sabia vender. Ele estava me persuadindo..e eu só fui comprar bebidas....
Só que Thiffany entrou no meio da "venda" e disse:
-Jonas vamos embora. Não precisamos de guarda-chuva.
-Ah moça, deixa ele me ajudar?- O tiozinho com um rosto triste e cansado dizia.
-Não, não...ele não precisa.-Thiffany disse.
-Mas é útil para a chuva...o sol forte que está fazendo...se proteger....
-Não, não. Já temos guarda-chuva.
-Por favor senhora, deixa ele me ajudar, só vendi um até agora.
Era visível o sofrimentro no rosto do tiozinho.
-Não senhor, já disse que não. - Thiffany respondeu com certa dose de impaciência.
Ele tinha vendido somente um, até aquele momento? Olhei para o relógio em meu pulso, já passava das dezoito horas. Se ele estava naquele ponto desde as 8 da manhã e vendeu somente um guarda-chuva, isso quer dizer que todos do bairro já possuem um guarda-chuva, no mínimo.
Ele estava no negócio errado. Alguém deveria dizer isso à ele.
Na verdade, ele deveria se especializar em consertar os guarda-chuvas, em vez de vendê-los.
-Eu seria um puta empresário de sucesso. - Pensei.
-Desculpe cara, mas essa, não será sua segunda venda do dia! - Eu disse ao ser puxado por Thiffany.
Fomos embora do supermercado, já estávamos alguns quarteirões de casa, quando do céu, ouvia sons estranhos. Eu começava a sentir pingos em minha cabeça.
-Thiffany realmente fudeu com a venda do tiozinho e também, nos fudeu! - Eu não parava de pensar...
O Maldito Ingresso de Merda
Havia um cara que me devia dinheiro na praça. Me devia algumas semanas.
Ele era um cara difícil de pagar, puta que pariu. Tentei de várias maneiras receber essa grana, mas sem sucesso.
Houve um dia, em que estávamos no telefone, quando sem hesitar disse:
-Ei, cara, me pague!
-Quanto te devo?
-Porra velho, você sabe quanto me deve desde o dia em que me comprou o produto.
-Ah, você quer que eu devolva o produto?
-Puta que pariu....
Confesso, que não sabia o que responder à ele, pois com certeza iria quebrar sua rótula.
-Espere um momento. - eu disse.
Resolvi abrir a vodka e tomar um gole para me acalmar, tomei do gargalo mesmo, respirei fundo e disse:
-Não cara.... Eu não quero que você me devolva porra nenhuma. Eu só quero que você me pague, caralho!
O telefone estava mudo.
-Alô....alô!?
O puto havia desligado.
Devolver o que se comprou? Já ouviu falar nisso?
Bem, é como se você comprasse uma breja, bebesse até o útima gota e depoi devolvesse por estar quente demais. Parece que nunca quer sair perdendo.
Um dia, bateram na minha porta, vi pelo olho mágico, era ele.
Hoje ele me paga! - Pensei.
-Até que enfim! - Disse ao abrir a porta.
Ele entrou já dizendo "estás com sorte Green".
Veio até mim e entregou um ingresso com o mesmo valor da dívida. Um ingresso para o circo da cidade.
Ele dizia ser uma boa.
Foi muito bom ver os macacos adestrados e cachorrinhos com laçinhos de circo.
Dias depois, eu o encontrei em um shopping. Eu subia a escada rolante enquanto ele descia.
Ele virou o rosto, fingindo não me conhecer...
Quero ser Charles Bukowski / A Velha Latrina como Privada
Encontrei um amigo meu perambulando pela rua. O mesmo gorfava na sarjeta vinho com mortadela, vulgarmente chamado de "caldo de mortadela".
De longe sabia que era ele. Eu o conhecia de longe. Já haviamos bebido muito por ai.
Pois bem, começamos a conversar.
-Eae, como estão as coisas, cara?
-Ahh...tá tudo bem. - ele respondeu.
-E sua família?
-Ahh...tá tudo bem. - ele respondeu.
O que você anda fazendo?
-Eu? Virei escritor, Jonas.
-Escritor? - Perguntei.
-Sim, espere ai.
Ele estava despreocupado... despreocupado com as coisas, com a vida, com ele próprio.
Era gratificante vê-lo em aceitar e ter a satisfação daquilo que ele chamava de vida.
Ele tirou uma carteira do bolso de trás. De dentro dela, havia inúmeros papéis rabiscados.
Se houvesse ali, alguma nota de dois reais, era muito.
-Veja Jonas, veja minhas idéias.
-Hummmm. - eu disse.
-Irei sair das ruas. Vou virar um escritor de sucesso, veja minhas idéias.
Peguei o papel e comecei a ler. Era dificil de se ler com aqueles garranchos em caneta e manchas de vinho na folha. Além disso, as "idéias" foram escritas em um papel de protocolo médico em que havia um exame de doença venérea.
-Meu Deus! - eu disse.
-Gostou Jonas? Pergunto á você, pois você já é um escritor de sucesso. - perguntou ansioso.
Hunf...ele mal sabe que estou nessa vida há anos...e até agora nada. - Pensei.
-Bom cara, muito bom, continue a escrever. - eu disse com um sorriso falso ao entregar o papel.
Disse isso por pena. Não tinha mais o que dizer à ele. O que você gostaria que eu dissesse?
"Olhe filho, desista dessa merda, você já está à sete palmos do chão mesmo."
ou
"Esqueça essa merda de escrever lixo, você já está num rio de merda".
Era algo deprimente de se fazer com aquele pobre rapaz. Sim, eu sei...mas convenhamos, até onde ele poderia chegar?
Nós nos saudamos e fui embora daquele lugar.
Ele continuava na latrina.
Para Pachini
Minha Orelha
Sou um cara nervoso, sou um merda, uma bolinha de pó nas frestras de um sofá velho.
Eu não tomo jeito. Sou um cabeça dura de teimoso. Sou um cara durão.
Já possuo surdez moderada.
Tenho alguém que é minha bússola. Minha namorada é tudo para mim.
Ela é atenciosa, amiga e muito carinhosa.
Só tenho uma confissão, não estou criticando, só expondo.
Mas, só que ela F A L A demais.
Fala demais, fala pelos cotovelos, fala muito...
Em horas impróprias que podem me comprometer.
Não irei dizer que ela me atrapalha,
Pois, o que recebo dela, é muito mais do que mereço.
Somos parecidos em muitas coisas.
Temos o mesmos gostos.
Até há uma rixa musical...mas nada que nos comprometa.
Ela, fala demais...
Eu, já possuo surdez moderada...
Para Babosa e girlfriend
Assinar:
Comentários (Atom)






