terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Um Feliz Ano Novo










-Meia noite !!!
-FELIZ ANO NOVO!!
-Aêêê!!!
A galera está em êxtase. Todos gritam, pulam e se divertem com a virada de ano!
-Felicidades!!!
-"Feliz Ano Novo!!"- todos gritam.
Uma amiga abre uma garrafa e dá aquela bela golada.
Eu, abro uma garrafa de vinho e viro até a metade. Tudo para comemorar essa data.
A rolha da minha garrafa guardo em meu bolso.
-Porque você guarda a rolha no bolso, Jonas? -minha amiga pergunta.
-Para dar sorte, ué!
-Sorte?
-Sim, onde eu for, a rolha irá me guiar. Aprendi isso com meu velho pai!
-Ah, tudo bem. -Vamos abrir outra garrafa?
-Simmm. -Respondi.
Bebemos tanto, mas tanto, que meus bolsos já estamos cheios de rolhas.
A festa só tinha começado. Outras pessoas chegaram e trouxeram mais garrafas.
Bebidas que eu nem ao menos sabia identificar quais eram.
A festa estava tomada por pessoas insanas....e eu estava no meio.
Uns bebiam, outros vomitavam nas valas, outros se abraçavam em um amor quase fraternal, era quase uma suruba social.
Era lindo de ver toda aquela alegria entre estranhos e parentes de terceiro grau.
Eu tentava processar toda aquela situação mas meu cérebro estava lento. Desejava de todas as formas acelerar o processo, mas meus movimentos eram totalmente limitados....e era aí, que eu me perdia no que estava fazendo.
Estávamos festejando o ano novo, cara. Não tinha festa maior para celebrar. Não tinha o "não" em nossas vidas.
Pegamos o carro e as cornetas, fizemos barulho por toda a cidade.
Fiquei sem voz de tanto gritar pelas ruas frias da madrugada. A dor no pescoço, foi de tanto balançar a cabeça de um lado a outro.
Bebi tanto que apaguei antes de testemunhar o final da festa.

Buzinamos em lugar proibido, atrapalhamos a ordem pública, fizemos danos irreparáveis devido aos cacos de vidros das garrafas, além claro, de eu ter desacatado um policial.
Isso tudo, em minha primeira noite de um ano novo!
Isso foi o que me disseram quando me encontraram no dia seguinte. 

Mas antes disso, acordei da  maldita bebedeira.
É muito estranho acordar com os fogos de artifício e estar com uma puta ressaca e perceber que na realidade, você está dormindo no chão de uma cela de cadeia, todo mijado da cintura pra baixo e sem nenhuma perspectiva de saída, junto com outros vinte presos.
Isso é o que acontece quando você não tem limites, vinte anos na cara e sem um puto no bolso.

Esse pessoal da cadeia é realmente intrigante e perigoso, mas consegui distraí-los.
Graças ao meu pai que me ensinou mágicas com rolhas de garrafas.
As inúmeras rolhas do meu bolso, realmente me deram sorte em meu primeiro dia do ano.
Feliz Ano Novo!

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