terça-feira, 12 de novembro de 2013

As Notícias Do Jornal Nos Dias De Hoje



Passava das dez da manhã de um belo domingo de sol. O sol rachava lá fora.
Os passarinhos cantavam felizes de galho em galho, as pessoas estavam com suas roupas folgadas e confortáveis para o momento. E eu, vendo tudo isso do quarto andar do meu apartamento.
Estava com ressaca e havia acabado de acordar.
Fui até a cozinha, Thiffany fazia ovos mexidos com bacon. Sentei, peguei o jornal, o abri, e comecei a lê-lo em voz alta as notícias.
"Podemos sim vivermos em harmonia dentro de nossas casas "
"As orlas das praias permanecem sujas em feriados prolongados"
"Rateios entre estudantes de universidades públicas são confundidos com arrastões"
"As novas leis em elevadores fazem ascensoristas protestarem"
"Crise financeira empurra famílias para a pesca de tucunarés no sul do pais"
Enquanto lia as notícias, Thiffany dizia que queria se divertir, sair um pouco, espairecer.
-Jô, vamos ao parque?
-Não, não !!
-Porquê não?
-Está muito quente para sairmos embaixo desse sol. Estou cansado!
-Então, vamos ao aquário da cidade?
-Não, também não!
-Porquê Jôô!?
-Não há graça nenhuma. Qual a graça de peixes nadando de lá pra cá?
Thiffany franziu a testa em repreensão ao que eu tinha dito mas continuou a fazer o meu café.
Folheei mais algumas páginas do jornal e parei em uma notícia que me deixou perplexo.
Comecei a ler a incidência e tendências de assassinato que acontecem nos lares. Constatei que 48% das merdas que acontecem nos lares são brigas entre casais e o resto dos por cento são homens que não levam suas esposas para passear de final de semana.
Isso me deixou curioso pois era algo que Thiffany me falava a semanas. Resolvi ler a notícia por inteiro.
Alí estava, a falta de compreensão entre casais, abuso de autoridade, a não divisão de bens, as estratégias de encobrir um assassinato....como por exemplo, o veneno disfarçado no almoço ou ao café da manhã.
Enquanto lia as notícias, afundava meu pão no copo de café com leite e o comia com vontade, mas sem ao menos perceber, Thiffany  me perguntou com uma cara marota e voz suave, porém matadora.
-Está bom o seu café da manhã, meu bem??
Antes mesmo de engolir, regurgitei em um só cuspe, todo o bolo que estava na minha boca para o copo.
-Como chama mesmo o lugar que NÓS vamos heim, meu bem? -Thiffany novamente perguntou com um sorriso no canto dos lábios.
Coisas estranhas boiavam no meu café com leite.
Eu olhava atentamente para as coisas não identificadas quando regurgitei. Procurava encontrar algum veneno...sei lá o que procurava. Meu coração começava a bater forte.
Terminei o café e fui ao banheiro rezar para que o menino jesus não me levasse.
Bem, No final do dia, fizemos um belo piquenique no parque da cidade.
Comecei a ler os jornais todos os dias, na coluna dos casais...além claro, de fazer as vontades de Thiffany!

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