
Thifany estava fora há algumas semanas e chegaria somente no final do mês.
Ela sempre me pegou no pé em limpar a casa enquanto estivesse fora e blá blá.
"Limpe a casa Jonas", "Quero ver essa casa brilhando quando eu chegar", "Me faça um favor, tire sua cueca do chão da sala" e outras coisas mais.
Lembrei desse sermão enquanto estava na cama de conchinha. Olhei para o relógio, já passava das duas a tarde. Só levantei, porque o sol ardente batia nas minhas costas pela janela de vidro.
Levantei, só troquei de camiseta, coloquei os chinelos e fui ao mercadinho comprar umas coisas para tentar arrumar o nosso ventilador.
Chamei o elevador, ele abriu e entrei.
Lá estava Dona Gertrudes.
Dona Gertrudes era uma senhora de setenta anos, usava um vestido branco com pequeninas flores cor violetas desenhadas. Era de estatura média, usava umas três presilhas no cabelo. Era de semblante calmo e feliz. Sua pele era enrugada. Talvez fosse filha de alemães.
Pela idade pré-avançada, a velha ainda não possuía muitos fios de cabelos brancos. Só alguns na lateral da cabeça.
-Olá Dona Gertrudes. - eu disse.
Ela olhou para mim e para o relógio.
-Olá meu filho. Boa tarde!
Do meu andar até o térreo, Dona Gertrudes me deixou ciente sobre seus problemas de saúde, seus remédios para comprar, a pobreza do mundo, sobre a falta de dinheiro...etc.
A velhinha sempre tinha o que falar.
Ao chegar ao térreo, me despedi de Dona Gertrudes e sai pela porta principal. Nem olhei pra trás para constatar se ela havia respondido.
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Eu já estava na fila para pagar minhas compras quando meu ombro foi tocado, era Dona Gertrudes.
-Olá Dona Gertrudes...a senhora de novo? - perguntei sorrindo.
-Sim, sou eu.
Ela segurava, farinha de trigo, ovos e um litro de óleo.
Perguntei o que iria fazer com aquelas compras.
Um bolo, ela dizia.
Resolvi acompanhá-la até nosso prédio.
Ao subirmos do térreo até meu andar, ela novamente falou sobre seus problemas de saúde, seus remédios, a pobreza do mundo, sobre a falta de dinheiro...etc.
Quando o elevador se abriu, eu disse TCHIAU e dei o fora dali.
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Dia seguinte, dois dias antes de Thiffany retornar. Estava eu encostado no balcão do bar do Loyd, imaginando como iria resolver o tal problema da limpeza da casa.
A casa estava em frangalhos. Roupas para lavar, meias para passar, louça para lavar, banheiro para higienizar, garrafas vazias para recolher, etc...
-Preocupado Jonas? - Loyd perguntou.
-Um pouco cara...tenho dois dias para aprender, e arrumar a casa...e nem sei por onde começar. Tô sozinho em casa esses dias, e não quero levar uma coça.
-Arrume alguém para te ajudar.
-Alguém?
-Sim, encontre um sobrinho ou primo seu para o trabalho pesado de arrumar uma casa.
-Boa ideia, Loyd....enche o meu copo, vai...
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No dia que Thiffany chegaria em casa, ele me ligou na hora do almoço e num tom de ironia e precaução disse: "Estou chegando em casa hoje heim".
Como ela havia me acordado naquela hora, eu tentei ser monólogo..."aham", "sim", "tudo bem", "entendi"...mas ela se ligou que eu ainda falava com os olhos fechados. Tenho certeza.
Mas chegando em casa, Thiffany viu a casa num brilho total. Todas as coisas no lugar, o chão encerado, abajures sem teias de aranha, os sapatos em seus devidos lugares, as paredes sem as gotas de vinho, o lixo retirado e os móveis lustrados, etc...
Thiffany ficou surpresa.
-Jonas... como você conseguiu?? Que surpresa!!!
-Ahh não foi nada. Pra você meu bem. - eu disse.
Thiffany e eu fomos no quarto nos amar...
...Mal ela sabia que paguei umas notas para a velhinha de setenta anos do andar de cima dar uma geral na casa.
Thiffany estava feliz e ovulava na época, eu estava salvo da bronca mesmo não ter levantado um dedo e a velhinha feliz da vida por comprar seus remédios de pressão alta, arritmia, colesterol e diabetes.
...No final das contas, todo mundo ficou feliz....e é assim que tem que ser....
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