quinta-feira, 21 de junho de 2012

As Mulheres e o Rapaz Virgem














Acordei cedo para finalizar o trabalho.
Faltava os últimos detalhes da minha nova obra que se chamava, "O Capô de Fusca foi inspirado em sua Vulva". A editora já estava no meu pé alguns dias.
Levantei da escrivaninha, liguei a tv, fui até a geladeira e busquei um trago.
A porta principal se abriu, era Thiffany.
-Oi , Jô, como está, baby?
-Olá amozinho, como foi o dia?
-Bem Jô! Olha quem veio nos visitar!
-Quê que isso? - Eu disse ao apontar para um garoto de vinte e poucos anos com espinhas na cara e olhar  inocente.
-Ele é meu primo de segundo grau, Jô.
-Ahh... sim. -Como vai moleque? - O cumprimentei.
-Estou bem, senhor!
-Senhor? - Pensei.
Eu estava com a barba e  o cabelo por fazer, não tinha tomado banho na noite anterior e mesmo assim, o rapaz me chamava de senhor? Era um belo elogio à minh apessoa. Gostei dele.
 Thiffany, dizia ser seu primo distante. Eu olhava pra ele, sua cara visivelmente era de um homem virgem.
-Pobre rapaz. -Pensei em voz alta.
-O quê? - Ele pergutnou.
-Nada. - Respondi.
Thiffany foi para a cozinha preparar o almoço.
Eu estava vendo tv com um copo de vinho na mão.
-O que foi, "champ"? Que cara é essa? - Perguntei ao rapaz.
-Qual? - ele respondeu.
-Ah, eu vejo a dúvida corroer em seus olhos.
-Como assim?
-Eu já tive sua idade, "champ". Eu sei o que você faz enquanto está no chuveiro. Sei o que você pensa enquanto está na praia num dia de sol.
-Sua cara mostrava um ser com vergonha de si mesmo.
Coloquei o copo no criado-mudo e comecei a falar.

-Meu filho, já está na hora de você ter culhões. Honrar aquilo que Deus lhe deu. Honrar o que você tem no meio das pernas ou irei ter certeza que você é um capado de merda. Qual é a sua dificuldade? Sua falta de coragem perante as mulheres? Sua não-atitude perante a feminilidade? Sua falta de honra nas calças é que te causa todo seu mal? ESSE É O SEU grande problema rapaz !
Não venha me dizer que esse final de semana você faturou ou tem muitas na fila. Nós sabemos a verdade. Sabemos que você tem somente o travesseiro, como companhia a noite.
-Mas...senhor Green, porque você fala assim comigo?
-Você já se enganou por muito tempo rapaz. Está na hora de acordar. Saia desse estado vegetativo. Alguém precisa te despertar.
Chega de tapinhas nas costas, estou usando uma marreta
-Mas isso é necessário? - O rapaz perguntou incrédulo.
-Como assim necessário? Você quer que eu diga que está tudo bem com você? Que incubra o que te faz perder, "champ"? Não te auxiliar a ter uma cocótinha ao seu lado? Tudo bem pra mim, mas isso não te ajudará em nada. Veja, estou te ajudando agora, pois vejo o desspero em sua cara. Talvez, eu seja o único a tentar tirar você do rio de merda.
Estou te tirando da lama "champ". Hoje, você vê isso como uma fritada ou golpe baixo. Compreensível, pela sua capacidade de entender as coisas mas amanhã você mudará de idéia.
-Mas como me porto para com as mulheres?
-Preste atenção "champ". As mulheres, são dependentes afetivas por natureza.
Você tem de oferecer à elas o que elas não fazem por si. O que elas procuram.
-Como assim?
-Você tem medo de xoxota, "champ"?
-Não.
-Não, mesmo?
-Claro que não.
-Acho que você as coloca, TODAS no...
Nesta hora, Thiffany chegou e nos interrompeu.
Dei espaço no sofá para Thiffany sentar ao meu lado.
-Sente aqui, benzinho. -Disse ao dar tapinhas no sofá.
Ficamos assistindo tv.
O rapaz me olhava com aquela cara, "Cara, você não terminou a frase, me ajude, agora!".
-Pobre rapaz. - Pensei em voz alta.
-O que disse. -Ele perguntou.
-Nada...Nada...- eu disse.
A tv continuava ligada.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Uma Grande Mulher



Em uma certa manhã do mês de junho, ao abrir a janela da sala, vi o sol surgindo atrás das montanhas. Reluzente como ouro, era vivo e onipotente. Passava das sete da manhã.
Resolvi dar um passeio para ter mais idéias para meus contos.
Dois quarteirões depois, encontrei um velho amigo que vinha pela direção contrária.
Nos reconhecemos e nos comprimentamos. Começamos a conversar.
-Velho Green....que surpresa!
-Bóris "Mad Dog" Spynisky. - Eu disse.
 -Siiiim, sou eu. Como você está, Jonas?
-Bem, estou....
-Tú está acabado heim? **A síndrome de Sharpei te pegou de jeito? - Bóris ria sem parar.
-Ahhhh, que isso Bóris, não diga essas coisas. Tenho trabalhado demais nos últimos tempos. Escrever sem parar cansa o corpo mas nutre a alma.
-E você, continua no vinho barato, Jonas?
-Sim, Bóris. Ele é meu combustível para continuar a escrever. Bem, vejo que você.... erhhh.... está cheio de desenhos nos braços, pescoço....
-Sim. Só fiz algumas tatuagens, nada demais.
-Sim, gostei delas. - Torci levemente o braço de Bóris. - Olha essa tatuagem aqui... é uma "baleia branca"....é aquela baleia do....como se chama?
-Moby Dick de escritor Herman Melville.
-Isso mesmo...Grande história, grande poeta americano.
-Sim. - Bóris sorriu pelo canto da boca.
-Veja, esse coração pulsante em seu antebraço, cara. Que bem feito.
-Obrigado Jonas.
-Olha essa tatuagem em seus punhos. Quem fez?
-Uma mulher.
-O que está escrito?
-"Be the cause, Be the cure. - Jonas respondeu.
-Ah sim, muito bom, chega ser poético, não? - respondi.
-E suas tatuagens Jonas?
-Não tenho, Boris. Estou velho pra essas coisas...e mesmo que quisesse, essa minha pele ressecada e enrrugada não ajudaria nem para tatuar um mapa arqueológico com suas fendas e caminhos.
Conversamos mais um pouco, marcamos um drink e nos despedimos.
No caminho pra casa, eu não parava de pensar quem seria aquela tal de Bete que ele tatuara em seus punhos. Como ele mesmo disse, "foi feito por uma mulher". Fazemos loucuras por elas, não?
Bóris era um bom rapaz, mas essa tal de Bete...coitado....o que foi feito à ele? 
Em seus punhos, ele havia escrito à tinta permanente, a frase de amor & ódio:
"Bete causa, Bete cura" - Eu pensava.
Essa mulher devia ser um furacão na cama ou uma barraquera de primeira.
Ela devia "causar" o puteiro mas também, podia "curar" as dores, qualquer coisa.
Grande Boris.....encontrou a mulher da sua vida.

**Síndrome de Sharpei = Rugas na pele

Dedicado à
Leandro, Carol, Ketty, Wlad, Robson e Bóris.

sábado, 16 de junho de 2012

Aniversário do Léo



Olá, sou Jonas Green. Depois de todos esses anos, eu não fui muito a vontade em participar de reuniões sociais. Eu sou velho e sem graça. Minha virilidade, meu ânimo para as coisas banais e os exercícios físicos, não fazem mais parte do cronograma de rotina.
Mas quero falar só uma coisa neste microfone. Coisa rápida, pois esqueci minhas chaves na ignição do carro.
Meu recado é para o Leonardo.
Garoto que faz aniversário hoje.
Um abraço do velho Green.
 Um brinde à você!