quinta-feira, 19 de maio de 2016

Meu Café Da Manhã Misturado Com Seu Estilo Sujo de Vida

















Após acordar cedo para surfar, atravessei a cidade para chegar na rodoviária e pegar um ônibus.
Depois de uma hora de viagem desci na estação, desemboquei na avenida principal e olhei de um lado a outro.
Não conhecia nada por lá. Segui pela avenida e vi do outro lado da rua, um boteco com um toldo escrito "Bar do Teco".
Atravessei a rua e entrei.

- Um pingado e um pão na chapa, por favor. - Eu disse.
O lugar parecia bacana. Comecei a observá-lo.

O tiozinho, suposto Teco, lavava a louça, copos, garfos, pratinhos, com a própria mão, o balcão atrás dele, havia algumas moedas e notas de dois e cinco reais, eu até imaginei para o que era, mas quis não acreditar.
Quando um tipo caiçara pediu para cobrar seu café e a esfiha, Teco pegou os cinco reais com a mão que lavava a louça, deu uma secadinha naquele avental meio cinza, meio vermelho escuro e foi até as moedas e deu o troco ao caiçara.
No mercadinho inteiro, só havia ele e sua mulher.
Ela ficava entre os pães e o caixa. Sem luvas.
Então imagine.

Havia uma dispensa com diversas garrafas de refrigerante, daquelas marcas que não vemos há muito tempo. Deviam estar lá por décadas.
Na parte dos destilados, a caixa do único whisky Red Label disponível, estava amarelada pelo constante sol que batia até as três da tarde.

Havia algumas moscas varejeiras, "aquelas verdes", voando por cima dos pães doces, brioches e carolinas. Observei com repúdio.

Meu pingado e pão na chapa havia chegado.
E com um sorriso no rosto Teco disse: - Bom apetite!


*Baseado em uma história real

O Espirro
















Já passava das onze e meia da manhã e o tempo estava nublado. Não havia nada na geladeira e nem na dispensa. Estava com fome.
Resolvi ir ao mercado comprar algumas coisas. Cerveja, bacon, vinho, etc.
Já retornando pra casa, segurava duas sacolas em cada mão.
Quando deu vontade de espirrar, levantei a sobrancelha e espirrei no contra vento, banhando uma
senhora que vinha atrás de mim.
Foi constrangedor vê-la limpando o próprio braço olhando para mim com asco.
-Desculpe-me senhora. - Eu disse. Ainda fungando o nariz.

Depois de duas quadras, senti necessidade novamente, mas dessa vez fui ligeiro. Olhei para os lados para averiguar se havia pessoas em volta.
Então espirrei no peito protegido pela braço esquerdo, só que a gripe já havia me pegado. Um fio pegajoso, flexível e verde começava a ir e vir sendo preso pelo meu nariz.
Além de uma mancha de catarro verde que brilhava em minha camiseta preta.

Vizinhos, porteiro, amigos do elevador, todos haviam constatado que eu estava com uma duma bela gripe...



Fede à Galinha de Panela





Estava sozinho em casa.
Passava das onze da noite, nevava lá fora.
Havia saído do banho quente as pressas pois estávamos no inverno.
Quis permanecer no banho por um bom tempo, divagando em meus pensamentos, e de tão quente, o chuveiro queimou.
Corri para a cozinha e acendi uma das bocas do fogão e comecei a me esquentar por ali mesmo. Meus dedos dos pés estavam congelando, mas a parte de cima estava ótima.
Aproximava e distanciava.
O problema, foi que coloquei o braço muito próximo da chama, e o cheirinho de queimado começou afetar minhas narinas.
Os pelinhos do meu braço se retorciam e tinham cheiro de galinha depenada com as pernas pra cima numa panela pronta para serem cozidas. Desliguei o fogão e dei de ombros.
Fui para o quarto.
Vesti uma blusa de moletom e fui pra sala assistir tevê. Estava sem sono.
O cheiro de galinha depenada já impregnada na blusa,  pairava no ar...


Qual Sua Boa Ação no Mundo?





"Qual sua boa ação no mundo? Aquela que é muito nobre, que chega ser uma benção!?"

Você, Cris?
- Cuido de animais. Os bichinhos precisam de salvadores e protetores.

Você, Doug?
- Sou jardineiro. Planto árvores para a posteridade. Crio a sombra e o fruto.
Ela falava com um semi-deus!
-Uau, que atitude mais nobre.

-E você, Jonas?
- Sou urologista. Previno a saúde dos homens. -Boto no rááábo deles a toda hora.


Você Sufoca...

















Você chora ao telefone,
Você me cobra atenção,
Você reclama das minhas ações,
Você me insulta com suas insatisfações.

Você faz eu devorar meu fígado e criar uma úlcera
Devido as suas manias de manipulação e controle
Me acabo então, numa garrafa de vodka para esquecer essa vida amarga.
Você sufoca...

....Porque você faz cair lágrimas de alguém que você diz que ama?