quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Movido a Couro de Porco














 
"Este conto é dividido em três partes"
Pururuca, Contrações Intestinais e Dores de Cabeça.

**Nota do autor
Infelizmente, baseado em fatos reais.
Por motivos óbvios e contra a imoralidade alheia, o autor, escolheu por preservar a identidade da pessoa e zelar por sua desonrada vida, deixando-o no anonimato.

 Pururuca

Thiffany e eu assistíamos a novela juntinhos como um belo casal deve ser.
Eu acariciava seus cabelos, ela deitada em meu peito e todo nosso amor no ar, e, nosso novo amigo, nosso cãozinho, um Shih-Tzu branco. Ficava a nos olhar sentadinho incessantemente enquanto víamos a novela.
Eu não né, eu dava umas pescadas durante a novela. Quem assistia era Thiffany. O bom e o que importava, era que meu copo estava sempre cheio.
As vezes, quando minha bexiga estava a ponto de estourar lá pelas três da madrugada, ao me encaminhar até ao banheiro, lá estava o Pipoca sentadinho na porta. Quando eu saia, lá estava o Pipoca sentadinho esperando eu sair. Ele me seguia e abanava o rabinho. Ele tinha uma grande energia.
Eu imaginava o que ele estaria pensando em ver tudo aquilo...

(dias depois)

Eu segurava o Pipoca no colo quando entramos no apartamento. Voltávamos do supermercado.
Thiffany foi para cozinha colocar as compras em seus devidos lugares, eu coloquei Pipoca no chão e fui ao banheiro. Ele abanava o rabinho sem parar ao me seguir.
Dei uma mijada, balancei, limpei na calça, lavei as mãos, dei uma olhada no espelho, dei aquele sorriso forçado de lado a lado para procurar alguma sujeira  entre meus dentes amarelados, pisquei para mim mesmo, desliguei a luz e fui pra sala.
Liguei a tv, passava o jogo.
Pipoca brincava com todo fervor no tapete da sala. Mordia seus brinquedinhos de plásticos com vontade. Os roía de um lado a outro.
Sua baba estava por todos os lados.
Meus sapatos molhados e mordidos no canto da sala, minhas meias rasgadas na lavandeira para serem lavadas e as cadeiras roídas, no qual eu sentava. Pipoca era o dono da casa.
As vezes ele "transava" com sua almofada que ficava do lado de sua caminha. Ele encaixava as patinhas no almofadão, dava aquelas cinco ou seis bimbadas e depois se esparramava no almofadão com a língua pra fora, e lá ficava por uns dez minutos. Era um jeito dele se aliviar, já que não conhecíamos algum vizinho que tivesse uma fêmea.
Pipoca, comia sua ração, babava nos brinquedinhos, dava uma transada com o almofadão, caia por dez minutos e tudo recomeçava. Essa era a rotina do Pipoca.

Contrações Intestinais

Passado alguns dias, eu esparramado no sofá, já tinha secado umas duas garrafas de vinho e entre um arroto e outro, eu mandava pra dentro
tiras de couro do porco, conhecidos como pururuca. Com limão é um presente de Deus.
Assistia a um filme de Oliver Stone. Não me lembro o nome agora, mas o roteiro era daquele queixudo que fez Pulp Fiction.
Era um dos meus favoritos. É tiro pra tudo quanto é lado, além de ser um filme hétero, muito violento.
Já passava da meia noite. Thiffany já estava no décimo sono.
Havia Pipoca e eu na sala.
De uma cena a outra, eu pegava mais uma tira do saco e mandava pra dentro.
Quando o filme deu uma esfriada, olhei para Pipoca e percebi que estava imóvel.
Olhava para mim, olhava para minha mão indo até o saco...Olhava para mim, olhava para minha mão indo até o saco....Olhava para mim, olhava
para minha mão indo até o saco.
Bati algumas vezes no sofá, ele deu um pulo e ficou ao meu lado. O acariciei algumas vezes. Peguei um tira de couro de porco e dei para
ele. Ele quase levou meus dedos. Ele adorou, mastigava com vontade o corinho.
Quando o filme voltou com a pancadaria, eu simplesmente fiquei estarrecido com as cenas de ação, enquanto secava mais um copo, as vezes um
couro ficava na mão, pois não queria perder a cena. Eis que Pipoca se agilizava e comia o couro da minha mão.
Após o final do filme, fui cambaleando até o banheiro, dei uma mijada. Não dei a descarga e muito menos lavei as mãos. Estou além dessas
convenções.
Desliguei a tv, apaguei a luz e fui pra cama. Pipoca foi pra sua caminha.
Dia seguinte, pela manhã, Eu cortava um pouco de cebola, salsinha e tomates para fazer um omeletão mexicano.
Thiffany já tinha saído para trabalhar e eu ainda com o pijama com as manchas de vinho.
Tudo estava como sempre esteve, até Pipoca começara vomitar ao meu lado. Se retorceu, fez alguns gemidos e botô pra fora um bolo meio marrom, meio cinza. Deu umas fungadas para sua obra e se distanciou.
Fui ate a dispensa, peguei um pano e limpei a sujeira do meu amigo.
Terminei o omeletão e tomei meu café.
Pipoca não experimentou o omeletão. Cheirou, cheirou e nada. Passou toda a manhã deitado na sua caminha.
Durante o dia, Pipoca passou mal. Vomitou, teve diarréia, não queria comer e estava indisposto.
Dia Seguinte, Thiffany e eu, decidimos levá-lo ao veterinário.

Dores de Cabeça

Levei o bichano para o veterinário.
O doutor após me dar uma bronca homérica, como: "isso não se faz" ou "Como você pôde fazer isso com o pobre cãozinho?", "Onde estava com a cabeça?".
Abaixei a cabeça, e tive que concordar em silêncio que eu era um idiota.
Como Thiffany estava dormindo, ele ficou possessa quando descobriu que o diagnóstico foi não menos que 23 tiras de couro que u tinha dado ao Pipoca. Ela me xingou com belos nomes, mesmo na frente do doutor.
O veterinário recomendou, pílulas, conta gotas, tabletes, água especial para limpeza bucal e estomacal e algumas coisas mais.
Enquanto ele receitava, eu imaginava que ele estava me sacaneado em comprar tudo aquilo.
"Este doutor está me chamando de idiota na minha cara". Eu tenho um cãozinho, não um rinoceronte em tratamento.
Enquanto prescrevia, ele me olhava sob os óculos descansado pela face. Seu rosto era de repreensão à minha atitude.
Eu já começava a acreditar que quase matara meu cãozinho com o couro de porco.
Ao sairmos da consulta, Pipoca estava no colo de Thiffany, começamos a caminhar para o carro. O doutor me chamou de canto e disse:
-Não seja mais um idiota, ok?
-Tudo bem. - eu disse.
Fomos até a farmácia, e comprei toda aquela pilha de remédios para o Pipoca. Balinhas, cápsulas, gazes, líquidos para higiene, pílulas e afins.
Tive que desembolsar uma grana preta com o cãozinho. Fiquei com dores de cabeça durante o final de semana inteiro, por desembolsar essa nota.
Depois disso, Thiffany me repreendia a todo momento, Pipoca já estava melhorando, mas nem bimbava mais no almofadão e nem babava por toda casa, ficava jogado em sua caminha.
Para ajudar, Thiffany jogou todas as minhas bebidas pela privada, em repreensão à minha estúpida atitude. E eu sem dinheiro para reabastecer a copa. Fiquei com uma puta dor de cabeça nesses dias.
Não fui mais tão idiota assim.
Depois desse ensinamento, nunca mais dei couro de porco para o Pipoca, e percebi, como os filmes de Oliver Stone não são para qualquer um...

"Eu, o escritor, com toda certeza, garanto que, este pobre e indefeso animalzinho citado no conto acima, está vivo e bem de saúde".

Nome do filme citado no conto acima é:
(Assassinos por Natureza. Filme policial satírico de 1994 dirigido por Oliver Stone, com roteiro de Quentin Tarantino e estrelando Woody Harrelson e Juliette Lewis)
Fonte: Wikipédia

Um comentário:

  1. Cara...muito foda...kkkkkkk...ótima história...vc é o cara!....uiahiuahuiaha

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