terça-feira, 19 de agosto de 2014

Colônia de Férias (Frustradas)














Finquei o guarda sol na areia, pus a cadeira de praia em frente ao mar, sentei e respirei fundo para aquela vista.
Já passava das dez da manhã e mesmo assim, já havia bundas, biquínis para todos os lados.
Abri uma lata e dei uma golada. Estava estupenda. Ao final da golada dei aquela famosa expressão com um bom e  alto "Nahhhhhh" em frente aquele mar maravilhoso.
Nas noites anteriores como estive em barracas, feirinhas, ateliês e afins com Thiffany e o pessoal, vi todo o tipo de pessoa perambulando pelas ruas estreitas do litoral. Mas uma em particular, ficou na minha cabeça. Uma bela moça. Que visitou quase todas as lojas que estive ontem. Usava óculos escuros e um boné da NY. Uma bela garota com seus vinte e poucos anos, cabelos castanhos longos até a cintura e um belo corpo, bem distribuído e torneado. Ela com certeza seria minha.
Na verdade, acho que é ela alí...alí na segunda ondinha da praia. Sim, é ela mesma.
Eu a reconheci de onde estava.
Levantei, me inspirei , estufei o peito e fui até ela.
Ela brincava com uma garotinha no rasinho. Poderia ser sua priminha ou até quem sabe sua filha.
Eu estava indo de encontro à ela.
-Olá, quero te conhecer belezinha!
-Eu te conheço? -Ela perguntou ríspida.
-Não...quer dizer, nos vimos ontem, não lembra? Eu olhava você sem parar, e você também.
-Não. Não sei quem você é. Me deixe em paz!
Sua resposta me deixou confuso. Pois no dia anterior ela simplesmente me fitava, e agora está com essa atitude.
-Quero ficar com você baby. Quero te conhecer.
-Tá, mas eu não quero te conhecer.
-Que isso gatinha, não se lembra de mim, de ontem? Na lojinha de gravar nomes nos arrozinhos?
-Não.
-Que isso. Te vi também no Ateliê de blusinhas coloridas, na loja bem em frente.
-Não, não me lembro de você...e além do mais, você está me irritando. Irei gritar para o meu namorado se não se afastar.
-Oww...que isso gatinha. Não precisa disso. Só vim aqui porque estava de olho em você. Fiquei interessado.
-Adeus escroto.
E lá se foi aquela mulher abençoada. Com tudo em cima e com nada faltando.
Dei tchiau àquela rabo de altas proporções e de perfeitos genes e o vi ir embora.
Voltei então para meu lugar, meio triste mas convicto que toda aquela situação embaraçosa que havia passado, logo passaria em talvez dois ou três minutos no máximo. O mundo está de cabeça pra baixo.
E não muito tempo depois, me surge do nada, uma moça feia de doer e sem perder tempo diz:
-Oi, vi você ontem na lojinha de gravar nomes em arroz e no ateliê das blusinhas coloridas. Gostaria de te conhecer.
-Hummm, desculpe, mas não vai rolar.
Merda. Ali, constatei que o mundo não estava de cabeça pra baixo só para mim.
Somos fantoches, e alguém está tirando uma com nossas caras, não é possível. - Pensei, ao dar mais uma golada e ver uma onda quebrar no meio das rochas....


Colônia de Férias - Parte 4

















Mais um dia na praia. Ontem foi muito cansativo. Tive que ir em todas as barracas e ateliês de todo litoral para as meninas comprarem suas coisinhas.
As garotas descansavam ainda no apartamento, Martin foi à cidade comprar não sei o quê, e eu resolvi ir à praia e relaxar mais um dia de sol.
Peguei a toalha, calção, chinelos de dedo, e... o protetor solar, e me encaminhei até lá.
Dez minutos depois, já estava no balcão do mesmo quiosque de ontem bebendo um drink. Estava na sorte de encontrar a tal morena do biquíni branco, quem sabe?
Fiz amizade com Beth, a garçonete que me trazia os drinks e sempre sorria para mim. Muito simpática. Aquela dos 105 de quadril.
Observei em volta. A praia ficava cada vez mais lotada.
Sem eu perceber, chegou uma mulher, que beirava seus trinta e cinco anos, biquíni rosa, cabelos castanhos pra baixo do ombro, segurava a mão daquele que parecia ser seu filho. Ela chegou no balcão pediu um suco de uva e uma cerveja. Escolheu uma mesa e sentou com seu garoto. O garoto brincava com seus brinquedos, como pá e balde para areia.
Enquanto bebia meu drink, eu a observava.
Parece que a conheço de algum lugar...não sei! - pensava.
Com seus óculos de sol, ela prendia os cabelos, soltavam os cabelos, tomava sua cerveja, cruzava as pernas.
Seu corpo era deliciosamente gostoso para falar a verdade. Um corpo macio, escultural, gorduras nos lugares certos e bronzeado na medida certa.
Meu drink já estava no fim, quando alguém se aproximou de mim e disse.
-Você não me ligou.
Virei pelo assento giratório e dei de cara com a morena do biquíni branco. Fiquei deslumbrado ao vê-la.
-Oi...Nossa, que surpresa! É você. - Exclamei pegando em sua mão.
Venha até aqui na minha mesa. Disse depois de uma piscadinha.
Levantei e fui até sua mesa. A criança brincava na construção de um castelo de areia.
-Oi....bem, como você está? - Perguntei enquanto aqueles lindos olhos castanhos me miravam.
-Muito bem, obrigado. - Ela riu.
O pequeno ficava a me observar sentadinho no chão. "Oi garotão", eu disse. Ele voltou a atenção aos brinquedos.
Fiz sinal ao garçom para trazer mais um drink para nós.
Estranho, Beth e nem a loirinha com sardas no rosto estavam lá.
Mais que depressa estendi minha mão já dizendo meu nome.
-Jonas.
-Sophia.
-Prazer, Sophia.
-Prazer em conhecê-lo, Jonas.
-Me diga, e o pai dele? - Perguntei.
-Não deu certo conosco. As vezes, as coisas não é como idealizamos - Dizia olhando para o mar.
-Os homens de hoje não sabem mesmo o que vale a pena, não é mesmo?
-Com certeza, Jonas!
O garçom trouxe os drinks, nos servimos, e brindamos.
- E o que você faz aqui, Jonas?- Sophia perguntou.
-Vim relaxar um pouco, relaxar...é o que preciso. - Disse ao dar um gole.
-Como assim?
Sou escritor. Preciso de inspirações. Nada melhor que estar aqui testemunhando tais belezas naturais para continuar meu trabalho de forma mais sólida.
-Você escreve, sobre o quê? - Sophia perguntou indireitando-se na cadeira.
-Ah, escrevo sobre a hipocrisia. Escrevo sobre minhas próprias vivências. Escrevo sobre assuntos que as pessoas se queixam mas ninguém tem coragem de falar. Escrevo para algumas revistas, tiras de jornais, essas coisas. Sou um anti-herói.
Dei uma golada.
-Que interessante!! -Disse ela.
Meus pés tocaram os dela. Ela riu, pôs os cabelos para trás.
Eu a encarei e me apoiei em meus braços na mesa.
-Não faça isso, pequena!- Eu disse.
Ela me encarou e chegou próximo a mim.
-Porquê, Jonas?
-Quero você pequena! Só você.
Ela riu. Mordeu seus lábios entre os dentes.
-Hummm, você me quer? - Sophia suspirou.
-Sim pequena, vamos agora para seu apartamento?
-Não posso Jonas, desculpe!
-Ah, mas porquê Sô? - perguntei com feições de desilusão vindo à tona.
-Porque não. É melhor não.
Hummm, ela dizia aquilo, mas me encarava com aquele seu olhar que não negava. Irresistível. Além de se remexer na cadeira e soltar e prender os cabelos. Ela está blefando. - Eu pensava.
-Vamos lá, quero fazer você ter prazer e dar o que você precisa Sô. - Disse ao me aproximar ainda mais dela.
-Mostre-me então. - Respondeu de imediato.
O resto somente nós dois sabemos....

Colônia de Férias - Parte 3

















Depois de ontem que torrei a parte da frente ao dormir na areia da praia, hoje, os casais, vamos para a praia tomar uns drinks e passear. Thiffany, eu, Martin e Beca.
Thiffany e Beca foram passear na praia, enquanto Martin e eu, ficamos no quiosque para degustarmos uma bebidinha e conhecer se esse litoral está na lista dos melhores. Pedimos uns drinks e sentamos sobre o balcão.
Eu observava o ambiente. Estava um sol de rachar, eu ainda ardia da burrice de ontem. As garçonetes vinham de lá pra cá. Não paravam sequer um minuto. Isso era bom, pois elas vestiam shortinhos curtos, decotes e seus lindos cabelos eram presos de uma forma muito sexy.
Haviam quatro. Mas somente uma, tinha peito suficiente para chamar aquilo de decote. Uma bela morena, Com seus 105 e tantos de quadril, cabelos castanhos escuros lisos, rosto uniforme, olhos castanhos e boca carnuda. Fazia meu pedido somente à ela.
Martin se afeiçoou com uma loira magrinha com sardas no rosto. Era bonitinha e usava aparelho. Parecia ter dezesseis anos.
A praia estava lotada, muita gente já estava por lá.
Começamos a beber e conversar. Martin falava, eu mais ouvia e concordava.
Depois do terceiro copo, não tinha como não perceber. Avistei uma mulher caminhando até o nosso quiosque. Ela caminhava com elegância. Vestia um vestido florido curto, estava de óculos de sol cor marrom e um grande chapéu que a protegia do sol, como aqueles de mexicanos.
Longos cabelos castanhos brilhavam à luz do sol.
Ela se aproximou do quiosque, retirou seus óculos e pediu uma cerveja para a garçonete magrela com sardas no rosto. Sentou ao meu lado.
Ela vestia um biquíni branco embaixo do vestidinho. Ela tinha belas marcas de bronzeado.
Depois de alguns goles, com o copo perto da boca, olhei para o lado sem mover a cabeça, ela me fitava.
Eu disse "oi", ela sorriu, e também disse "oi".
Martin não parava de falar. Concordava com tudo mesmo sem ouví-lo.
Eu nem sabia mais quantos copos já havia bebido.
A garota do biquíni branco começou a esfregar as pernas nas minhas, sutilmente. Ela roçava de lá pra cá no banco rotatório. Não havia reação entre ambos. Mas sabíamos o que estava acontecendo.
As vezes, eu levava o copo até a boca, dava uma golada e logo fitava suas belas e bronzeadas pernas. As vezes, eu só fitava.
Ela não usava aliança. Olhei para baixo como se testemunhasse alguma reação dela, então rocei minhas pernas na dela.
Martin não parava de falar.
Percebi que ela iria chamar o garçonete magrela com sardas no rosto, então a toquei no braço e disse:
-Olá moça, bom dia! Eu gostaria de lhe pagar uma bebida. - disse com uma voz afável.
Ela inclinou a cabeça para o lado e com aquele sorriso cheio de dentes maravilhosos disse:
-Ahh, que gentil da sua parte, obrigado!
Bem, tenho que dizer que me perdi naquela visão, naquele rosto, naqueles dentes. Me perdi totalmente. Por alguns segundos fiquei paralisado.
Só voltei a mim mesmo, quando Martin tocou meu braço pedindo minha opinião sobre algum assunto chato que falara.
A garçonete morena com os 105 de quadril nos trouxe a bebida, brindamos e começamos a beber.
Ignorei Martin e começamos a conversar.
Perguntei se estava de férias no litoral, se estava gostando daquela praia, quantos dias ficaria por lá.
Ela não só respondia todas minhas perguntas com uma graça tremenda, como ao responder olhava para minha boca e olhos diretamente. A morena me comia de desejo sobre aquele balcão.
Seus olhos diziam, "Quero você!"
- Quero seu telefone. - eu disse.
Ela riu. Bateu as mãos em suas pernas, jogou a cabeça pra trás e com suas mãos em volta da boca fez uma cara que não acreditara no que acabara de ouvir.
-É sério? - disse.
Pegou do bolso do vestidinho um cartão e disse:
- Me liga!
Nessa hora, Thiffany e Beca chegaram. Usavam cangas, chapéus, óculos de sol e seguravam alguns presentinhos.
A moça do vestido branco, roçou pela última vez suas belas pernas nas minhas, pagou a bebida e se foi para o mar.
Thiffany e Beca começavam a nos contar o que haviam feito pela praia. Eu dizia "aham",  para quase todas as questões e afirmativas. Martin estava adorando. Começou a falar mais ainda.
Ao olhar para o mar, eu sabia que reencontraria novamente a tal moça do biquíni branco.

Colônia de Férias - Parte 2















Acordei cedo, e da janela da sala, o sol ardia lá fora. O formato do meu corpo estava desenhado no sofá, achei hilário, mas estava grudando.
Fui então, tomar uma ducha e não me demorei mais que alguns minutos.
Entrei no quarto com cuidado e peguei minhas roupas mesmo no escuro. Thiffany ainda dormia tranquilamente. Coloquei meu calção de banho, chinelos de dedo, toalha e fui para a praia.
Uns dez minutos de caminhada até a praia.
Ao atravessar a avenida principal, dei de cara com a praia. Praia linda e charmosa.
O sol irradiava o céu azul. O ar puro fazia com que meus pulmões ardessem pela maldita nicotina.
Ao pisar na areia fofa branquinha e ver toda aquela imensidão, me senti liberto. As montanhas ao fundo, dava um toque em sua harmonia geral.
As ondas cintilavam-se através da luz do sol que se oponha entre as nuvens rasas, fazendo com que a imagem vista fosse um presente, um paraíso para minha pequena e fútil vida.
Deitei na areia de barriga pra cima, pus a toalha em meu rosto e relaxei.
Como estava com o sono atrasado, dormi ali mesmo. Era umas nove da manhã.
Quarenta e cinco minutos depois acordei bruscamente. A parte de baixo e de cima do meu corpo ardia como urtiga no ânus.
-Ai, cassete, como arde! Puta que pariu, que isso? - Exclamei.
Foi aí que me lembrei. Esqueci da merda do protetor solar na mesinha da sala.
Resolvi dar um mergulho para aliviar aquela queimação. Puta que pariu, como ardia. Isso que dava ser branco como um queijo.
Fui chegando cada vez mais próximo da água, e com grandes saltos para não ser pego pela maré que já batia em minha coxa, mergulhei de uma vez.
-Aiiiiiii, cassete!!! - Gritei ainda submerso quando senti a água bater no corpo inteiro inflamado. Logo voltei e fiquei de pé.
-PUTA QUE PARIUUUUU. EU TÔ QUEIMAAAANDO, PORRA!! ARGHHHH!!! -Gritei entre as ondas sem me importar com quem pudesse ouvir.
Voltei a margem devagar, e com pequenos movimentos tentava amenizar a dor de queimação, nos braços, barriga, ombros, coxas em todos os lugares.
Naquela cena bizarra, só havia dois protagonistas, eu e o grande oceano.
-Aiiii, como aaaarde!


Colônia de Férias - Parte 1




Até que enfim chegou o verão...as férias estão aí.
Resolvi ir à praia com Thiffany e nossos amigos, Martin e Beca.
Preciso de férias. Só trancafiado naquele apartamento velho, sem ventilação, mofado, só escrevendo contos, não é vida. Se sua vida não tem curtição, loucura e agitação, você vive uma vida de merda.
Quero ver uns biquínis passando na minha frente. Eu tô animado pra porra. Faz um bom tempo que não visito o litoral, que não piso em uma areia fofa, que não dou um mergulhada na água salgada, que não apago  bêbado e durmo na areia, que não vejo mulheres de biquínis com gordurinhas nos lugares certos, enfim... mas isso irá mudar hoje.
Aprontamos as malas e resolvermos sair de madrugada.
O caminho até lá, foi um pouco cansativo. As garotas foram dormindo no banco de trás do carro. Eu estava no banco do passageiro. Martin dirigia e não parava de falar. Eu dava umas pescadas e ele alí querendo minha atenção. Falava, falava e falava.... e me acordava.
Era um saco aguentar aquilo por duas horas e meia sem parar, estávamos no meio da madrugada.
-Martin, por favor, preciso dormir. - eu disse me acomodando no banco do carro.
-Oh, desculpe Jonas, estou ansioso! - ele dizia.
-Ansioso? Você tá parecendo um virgem no primeiro encontro. Aquiete o cú e deixe-me dormir, porra!
-Desculpe, Jonas, irei ficar em silêncio.
-Obrigado sim. -Respondi.
Daria tudo para estar no meio das garotas ali no banco de trás. - Pensei.
Mas logo Martin começava tudo de novo. E essa situação de merda se estendeu até chegarmos ao litoral.
Puta que pariu!!
Ao chegarmos no hotel, Martin estacionou o carro próximo ao nosso apartamento e disse que iria ver o motor. Abriu então o capô e começou a fuçar naquilo. Eu por minha vez, abri a porta, sai e dei aquela esticada de recolocar tudo no lugar. Já passava das onze da noite.
Abri a porta de trás e acordei as garotas.
-Vamos lá meninas, hora de acordar.
-Oquê? Já chegamos?- Beca perguntou bocejando e com as mãos nos olhos.
-Sim. Vamos lá! - respondi.
Thiffany continuava jogada no canto da porta.
Ao entrarmos no quarto, começamos a desfazer as malas na sala. Era um quarto bem mobiliado e distribuído. Com dois quartos, banheiro no centro dos quartos, uma bela de uma sala grande, cozinha e uma simples, mas limpa área de limpeza. Para mim estava mais que o suficiente.
Vão vocês primeiro. Tomo uma ducha depois. - Disse a todos.
Sabe como é né? Queria que as garotas fossem logo pra cama, e que Martin, bem, fosse logo dormir para que eu não tivesse de ouví-lo.
Permaneci na sala passando os canais, propagandas, filmes, entrevistas, mas deixei mesmo nas notícias.
O mundo tá uma merda mesmo.
Acabei adormecendo no sofá. Culpa do matraca do Martin.
Fui o primeiro a acordar e também o mais suado devido ao clima. Estava um sol de rachar.
Esqueci do banho.