terça-feira, 2 de julho de 2013
Inferninho
Eu estava entendiado. Thiffany estava na casa da engolidora de pirú já fazia três dias. Eu estava sem contos pra escrever e meu goró estava por um fio.
Precisava transar, sei lá...A punhetinha já não me servia mais...Até me prestava a essa boçalidade por algumas vezes mas quando chegava em certo ponto, eu me via em volta daquela cena patética e logo desistia como um fracassado. Me via naquele banheiro sozinho, e com o pirú na mão me sentia arrasado...sempre ficava no "se"....sempre no "se".... nunca tinha ânimo pra chegar ao cume da auto-satisfação.
Meus canais estavam entupidos e resolvi ir ao puguêro para liberar a tensão.
Estava afim de gelar o saco em algum muquifo por aí. No Inferno por exemplo. Havia várias queba pinto por lá.
Chegando no Inferno, de longe, reconheci uma amiga minha religiosa que estava parada no ponto de ônibus.
Um maldito ponto de ônibus bem do lado da casa do prazer. - pensei.
Não pude me esquivar, não havia nada que pudesse esconder a minha cara de putão e continuei a andar.
Quase consegui entrar, quando ela me chamou:
-Oi Jonas, tudo bem? Sou eu, a Elly!
-Oi, Elly, como está? - Respondi já olhando para o chão.
-Ótima, e você? Onde estava indo?
Ela olhava para mim com os olhos semi cerrados, pois o letreiro em letras garrafais escrito "INFERNO", praticamente a cegava.
-E...u?- Gaguejei para responder.
-Você iria entrar aí? - Ela apontava o dedo para a casa do prazer, enquanto sua cara de desaprovação me remetia ao mais tenso temor.
-Eu? Nãão...não...Vou pegar esse ônibus. - respondi já com uma sensação de ter feito merda.
-Ahh tá. Mas você não morava na zona norte? Esse ônibus vai para o extremo sul.
-Sim...não...é que eu me mudei.
-Ahhh, que legal. Qual bairro, Jonas?
-Bairro...?
Eu não sabia o que responder a ela. Suas perguntas estavam me cercando cada vez mais.
-Não lembro o nome Elly.
Ela me olhava com aquela cara de:
"Ei, qualé cara! Sei que você vai entrar aí para trepar. No mínimo, seja homem e diga que você é um frouxo e incapaz de conseguir garotas sem pagar".
Não sei como, mas conseguia ler tudo isso só de olhar pra ela....e o pior, e não sabia até então, que o ônibus dela só chegava de uma em uma hora.
O tempo passava e nada daquele maldito ônibus aparecer. Eu não sabia mais o que fazer.
Ficar? Entrar?
Tive uma ideia de chamar um táxi para ela, dizendo que seria um prazer ajudá-la, pois já estava um pouco tarde e blá, blá. Mas lembrei que meu dinheiro estava contado somente para meia horinha. Não poderia gastá-lo assim. Pois, só me restariam uma cerveja e umas passadas nas coxas, além dos papos furados....
...Mas isso foi o que aconteceu.
Ela se foi de táxi com meu dinheiro, enquanto me senti um total fracasso no meio das garotas mais belas do Inferno. Nem o capeta viria pagar minha brincadeirinha suja e libertina.
Não seria aquela noite que eu chegaria ao cume e fincasse minha bandeira em uma bela CASA DO CARALHO.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário