quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Um Tiro Certeiro















Ao constatar o relógio em meu pulso, vejo que são seis e quinze da manhã. Dou um bocejo de leve e continuo a vigília. Passei a noite toda aqui, no mato. Sozinho.
Sou um caçador. Trabalho com taxidermia, empalho animais. As vezes, vendo as peles e carnes para os comerciantes da cidade. É um trabalho que caiu na minha mão pelo destino, eu diria.

Espero encontrá-la hoje.

Abro a aba do meu bolso dianteiro do meu uniforme, e tiro dali um cantil. Desrosquei-o e bebo um pouco d'água.

Há dias que estou aqui, a procura dela.
Na verdade há meses.

Eu ver um animal, na minha mira, já posso até prever se será um bom negócio ou não.
Tamanho, pelugem, garras, até presas.

Mas quando a vi, sabia que ela era especial. E há um bom tempo estou aqui a espera. Calmamente, pacientemente, embaixo de sol, chuva, ventos assombrosos, cerração ou neblina.

Ela nem imagina que eu existo, ou que estou com uma arma carregada a mirar em sua direção.

O sol começa a bater em meu rosto, viro a aba do boné pra frente. Enrolo duas ou três vezes a bandoleira em meu antebraço esquerdo, carrego meu rifle e me deixo ao lado de uma pedra, na grama alta. Estou totalmente camuflado aqui. Devido ao tempo que estive no exército em minha juventude, ficar horas na mesma posição não é um um problema crônico, ao contrário, é relaxante.

A floresta é densa e espessa, alta e fechada. Já estou aqui há muito tempo.

Um belo dia, vi um coelho passar em minha mira, em uma distancia de uns quinze metros. Ele passeava com seu filhote. Retirei o dedo do gatilho, e pela mira do rifle testemunhei tal imagem.

O coelho, ou fêmea, creio eu, era de cor marrom, de olhos negros, olhos alertas e espertos. Seu filhote, de cor laranja, tinha uma cabeça mais pequena em um corpo maior, também chutaria ser uma fêmea, por causa das ninhadas. Linda, pelagem sedosa, seu pequeno nariz não parava um minuto, cheirava tudo pela frente.

Ao testemunhar aquela imagem do filhotinho de cor laranja, eu meio que sai de mim mesmo. Fiquei intacto, observando aquele ser sobrevivendo em sua maneira, por si, em si mesmo.

E há dias estou aqui no mesmo lugar, aguardando aquele pequeno filhote aparecer.

Não vou desistir. Não mesmo!
Meu velho pai costumava brincar comigo, quando ele dizia: "Eu aposto vintão que não vou desistir", aprendi isso com ele. Não existe essa possibilidade. Não mesmo.
Passei horas a mais em meu posto a cada dia. Aguentei diversas provações da mãe natureza e permaneço aqui, porque sei o que quero. E nada irá me fazer desistir.

Até, que um dia, já escurecendo, o frio começava a cair sobre mim. Ao fundo atrás dos arbustos altos, vi algo se mexer, olhei pela mira, e constatei que parecia com o que estava procurando.

Sim, era mesmo. Eu sabia. Meu instinto avisara. E nunca falhara. Porém a noite, já estava quase completa, e não teria outra chance, tive que arriscar.
E foi que, respirei fundo, deixei todo o ar sair de meus pulmões e naqueles segundos de ausência de movimentos, atirei.
Conforme a força do impacto, o filhote se esquivou e foi para dentro da mata . Não pude mais vê-lo.
Mas sabia que havia acertado.
Levantei, e olhando para o céu, me estiquei um pouco. Fui até ele.
Ao procurá-lo, perto de duas árvores grandes, constatei que ele estaria onde imaginava. Acertei.
Ele ainda respirava e dormia tranquilamente com meu tiro de tranquilizante.

A levei para casa, onde tinha um grande viveiro para animais que tinha uma certa estima e carinho.
Era uma fêmea, cor laranja e já estava grandinha. Sua mãe já tinha a deixado ir por si mesma.

Um tiro certeiro, paciência e insistência. Fizeram com que conseguisse o que eu almejava.

Como meu velho pai dizia: Cuide do que é seu...



terça-feira, 26 de julho de 2016

A Gravata Rosê





"Tenho um amigo que não posso expor seu nome, por motivos de vergonha alheia,
então o chamarei de Fujioka."

Fujioka era um rapaz franzino, baixinho, com cabelos longos até a altura do pescoço e de descendência japonesa.
Fujioka era bancário e fazia esta função já alguns anos. Trabalhava em agência, assim como eu, Jonas Green e All Larrium.

Trabalhávamos um ao lado do outro, separados pelas cabines de atendimento pelas estafantes e longas horas de trabalho.

Fujioka era um garoto tímido e tinha dificuldade de se expressar. Dificilmente se via ele com garotas, menos as tiazinhas da limpeza. Com elas, ele era engraçado e simpático.
Com as gostosas do prédio, ele praticamente se encolhia, e olhava para os próprios sapatos toda a vez que cruzavam com elas.

Fujioka sempre ia trabalhar com sua famosa gravata rosê. Seu apelido internamente, mais para os íntimos, era "O Japonga da Gravata Rosê".
Mesmo se Fujioka derramasse mostarda em sua gravata rosê no almoço, dia seguinte, lá estava ele com a gravata rosê meio amarelada, do dia anterior.

Ele talvez, imaginava que aquela gravata o fazia ficar mais autêntico, mais atraente para as gostosas do prédio, as mesmas que ele se dirigia aos pés quando passava ao lado.

Uma coisa que All Larrium e eu sempre percebíamos, era como Fujioka após atender um velhinho, sim, ele era responsável pelo atendimento preferencial. Fujioka, sempre ia ao banheiro, e lá ficava por um bom tempo.
Ele nem bebia tanta água assim para descarregar a bexiga. Porém seu celular, sempre vibrava quando recebia nudes no grupo que ele participava. All Larrium e eu sabíamos, porque também estávamos neste grupo.
Toda vez, quando recebíamos uma atualização no grupo, precisamente de videos, e sentíamos o vibrar do celular em nosso bolso, Fujioka, se dirigia ao banheiro.

Quando voltava, para seu posto de trabalho, Fujioka parecia mais "tranquilo", havia alguns pingos de água em sua camisa azul listrada e em sua gravata rosê, devido a um problema na torneira do banheiro dos homens. Seus cabelos semi molhados nas laterais, e suas mãos semi úmidas.

Fujioka, era bem incisivo com os velhinhos que iam para o banco reivindicar algum direito ou receber sua aposentadoria.
Fujioka, não havia pudores em poder confrontar qualquer velhinho que fosse. Era direto, ríspido e constante. Nem parecia aquele japonesinho de um metro e meio com sessenta quilos atrás daquele vidro.

Na hora do almoço, sempre íamos ao mesmo restaurante. Comida boa e barata, por quilo.
E as vezes sem perceber, nossos celulares vibravam novamente com atualizações de nudes.
Fujioka, largava seus talheres, pegava seu celular, e ficava olhando por um bom tempo o conteúdo recebido.
Esquecemos quantas vezes que Fujioka, teve que comer comida fria, pois estava entretido no celular.

E essa rotina, nos acompanhou por um longo tempo. Até Fujioka, ser promovido em sua função e ter sua própria sala.

As vezes, All Larrium e eu, íamos até sua sala para entregar documentos importantes para Fujioka assinar e carimbar e passar para nossos superiores, e lá, próximo das bebidas e taças de vinhos, havia dois potes já na metade de higienizador para as mãos. Sem contar, claro, os lenços de papel, guardados na gaveta, e diversas revistas de entretenimento adulto, escondidas entre outras por cima,  sobre negócios, mercado financeiro, etc.

All Larrium, como eu, namorávamos, e depois do expediente, íamos nos encontrar com nossas namoradas, duas de umas das gostosas do prédio, porém Fujioka, sempre ficava até tarde em sua sala com as persianas fechadas....


Dedicado à: eles sabem quem são

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Kakaroto Parte 3





Nesta terceira parte da história, Kakaroto nos explica qual o seu segredo com a garotas.
Alguns meses depois, nos encontramos em uma praça pública para conversarmos sobre as mulheres.
E finalmente, Kakaroto nos desvendou seu segredo de sucesso.
- Amigos, aprendi esta dura lição da pior forma possível, e hoje, as passo à vocês.
Muito tempo atrás, conheci uma garota, numa festa de aniversário. Linda, maravilhosa, era tudo o que um homem queria. Mas eu era tímido, e não sabia chegar em garotas.
Mas, Norma, que garota. Ela me ensinou tudo que eu podia.
- Espere aí, Kakaroto? - Adamastor perguntou atônito.
- Norma? Mas você disse que ela foi seu grande erro! - Eu o questionei.
- Claro que disse. Ela me ensinou nunca dizer os próprios segredos. - Kakaroto respondeu.
E Kakaroto começou a nos contar.
- Ela chegou, sentou ao meu lado, conversamos sobre diversos assuntos, repetiu diversas vezes para olhá-la em seus olhos, de vez para os meus sapatos. Segurava meu queixo e dizia que estava tudo bem, trazia bebidas (refrigerante de preferência), era atenciosa e despretensiosa.
Eu só pensava no último episódio de Ultraman, não estava querendo conversar com ela e nem ninguém.
Porém depois de dois dias, ela já ligava para o meu telefone, querendo saber como tinha sido o meu dia, isso sendo ainda a hora do almoço. Ligava pela manhã no sábado para poder conversar sobre as coisas, porém ela não tinha o hábito de acordar cedo como eu, os nerds. Logo parou. Não aguentou o tranco.
Ela era uma dependente emocional e dizia que gostava de mim, meu Deus, como dizia isso. E isso, a conhecendo uma semana e meia. Tocava a minha campainha pra me visitar.
Queria conversar sobre star wars, ioiôs, e poemas britânicos.
Mas depois de um certo tempo, talvez duas semanas depois, ela parou de ligar.
 Eu lembro pois o telefone tocava na hora do meu desenho preferido, e sempre me atrapalhava.
"Meu Deus é a Norma outa vez" eu pensava.
Mas de um certo tempo, praticamente ela sumiu.
E tudo isso, porque eu disse que a amava e queria ter uma vida junto dela. Vai entender.
E esse, é o segredo rapazes.
- Esse é o segredo? - Adamastor disse perplexo.
- Como assim? - Esse é o segredo das garotas em sua vida? - Perguntei.

"Se não quer que uma garota fique em seus pés, diga que a ama".

- E o legal, é que copiei essa frase de um anime japonês. Kakaroto ria sozinho! Eu tinha coisa melhor pra me preocupar, com meus desenhos e filmes do Star Wars.
- Mas Kakaroto espere aí. - Então como você estava de mãos dadas com Diane aquela vez? A garota mais linda da escola? - Perguntei admirado.
-Simples, foi um trato. Eu faria para ela todas as provas até o fim do ano letivo e, em troca, ela me comprava as revistas em quadrinhos que me faltava. Isso também se deu com as outras garotas. Elas sempre queriam algo em troca. E aí, quando eu estava farto, e não sabia me colocar diante delas, pela vergonha e timidez, simplesmente dizia que as amava. Então elas faziam exatamente o que eu queria. Elas se afastavam.
Adamastor e eu, nos entreolhamos em silêncio e descobrimos uma coisa valiosa que aquele japonês nerd nem havia percebido.
E seguimos este ensinamento para a posteridade de nossas vidas.
Kakaroto estava certo!

Hoje,

Eu, Jonas Green, estou careca, gordo, cheio de berébas no rosto, vivo sozinho em um apartamento alugado caindo aos pedaços, regado a Lucky Strike e Whisky baratos. As garotas vem e vão. Muitas delas são pagas.
Kakaroto estava certo.

Adamastor Durvalino Onofre, se tornou um bom advogado de sua cidade. Ele retirou Adamastor de seu nome, pois dizia que o mesmo o envelhecia.
Adamastor pode ter o que quiser! Com um belo terno tudo se pode ter.
Casou e hoje tem duas filhas. Se entregou a vida monogâmica.
Kakaroto estava certo.

Hiroshi Yamauchi da Silva, "Kakaroto", solteiro, não casou, sem filhos, virou um engenheiro de sucesso. Canta em karaokês aos finais de semana, e vai a shows de rock. Degustador de charutos cubanos e vinhos importados, e seu quarto, uma homenagem à geração Geek.
É dono de uma pequena empresa de vídeo game, acho. Chamada Nintendo.

Kakaroto, parece ser pacato e tímido....
...mas é um baita CACHORRÃO!!

Dedicado à Claudio e Aurélio.

Kakaroto Parte 2





Após alguns anos, depois do término do ensino médio. Nós, Adamastor Durvalino Onofre, Hiroshi Yamauchi da Silva e eu, Jonas Green, ainda morávamos na mesma rua.
Eu, Jonas Green, trabalhava em diversos bicos. Trabalhava com panfletagem, mecânico, repositor, animador de festas, etc.
Adamastor Durvalino Onofre, havia terminado o curso de direito em alguma faculdade da cidade. Trabalhava em um escritório e possuía um bom gosto ao trabalho.
Hiroshi Yamauchi da Silva, terminara a faculdade de engenharia química na universidade pública do estado. Além de falar fluentemente três idiomas.
Seu talento em desenhos, fez ser exposição principal na feira de arte da cidade. Era formado em duas artes marciais. Saía com diversas garotas toda a semana. Hiroshi passava o rodo, literalmente.
Quando nos encontramos para um almoço, todas essas informações foram conversadas entre nós. Perguntávamos, Adamastor e eu, como Hiroshi conseguia atrair tantas gatas.
Ele então, ao dobrar uma das pernas que com relevância em sua postura, nos disse:
Caros amigos, primeiro de tudo, me apelidaram de outro nome.
- Outro nome? - Perguntei curioso.
- Qual? - Adamastor disse.
Saí com uma garota nerd uma vez,  seu nome era Norma, (Grande Erro), e como ela, sempre gostei de desenhos, filmes star wars, cálculos, quebra cabeças, ela então me apelidou de Kakaroto.
- O que é isso? - Perguntei.
- É do Dragon Ball, seu burro! - Adamastor interpelou.
- Ahhh!... - eu continuava sem entender.
 -Deixa ele continuar. - Adamastor disse.
- Pois bem amigos, então sou conhecido mais como Kakaroto do que Hiroshi.
- Demais! - Adamastor concordou!
- Prefiro "Sai-Sang Duku, "Kikuka Bakana", "Sokaga Nakama". - eu disse.
Todos riram!!


Kakaroto Parte 1






Devido a gama diversas, extensas e complexas, de detalhes nesta história, a mesma será dividida em três partes.

Irei relatar, nas próximas linhas, a amizade e grande aprendizado que tive com meus dois melhores amigos de infância e juventude, em destaque, à um deles.

Adamastor Durvalino Onofre, Hiroshi Yamauchi da Silva e eu, Jonas Green, éramos os três garotos mais chegados da rua. Éramos inseparáveis. Nascemos no mesmo ano, com diferença de meses entre nós. Hiroshi era o mais velho.
Eu, Jonas Green, era o mais sem vergonha, sem educação e explosivo dos três.
Era moreno e o mais magrinho dos três.
Tocava a campainha das velhas senhoras da vizinhança e saia correndo pela rua principal. Matava os frangos do senhor Miguel (o criador de frangos da rua) a pedradas.
Chegava em casa depois de ter anoitecido.
Saía na mão com os outros garotos toda vez, depois de uma partida de bolinha de gude à futebol de rua. Girava os gatos perdidos da rua pelo rabo. Montava arapucas para trancafiar as pombas em minúsculas gaiolas.
Adamastor Durvalino Onofre era o garoto mais pé no chão. Educado, calmo e sincero. Era loirinho e o mais forte dos três.
Ele nada fazia de errado para que sua mãe lhe castigasse. Era um garoto exemplar.
Sempre chegava depois do horário que sua mãe havia combinado, por minha causa.
Possuía os melhores pipas, as melhores bolinhas de gude e as melhores bolas de capotão.
Era o único que tinha vídeo game entre os três.
As vezes, nós três nos reuníamos em sua casa para jogar, mas sempre eu estragava tudo, por começar uma briga por ter perdido o jogo ou derrubar o suco de laranja no tapete da sala. A mãe de Adamastor não tinha muita paciência comigo.
Hiroshi Yamauchi da Silva, este....este, é o fator principal da minha história, caro leitor.
Hiroshi Yamauchi da Silva, era um japonesinho. Seu pai nascera no Japão, mas sua mãe no Brasil. Mais precisamente na zona leste, ela insistira em homenagear seu nome no garoto.
Hirosh , era o mais inteligente dos três. Ele desenhava qualquer coisa que pedissem. Aprendera a tocar gaita sozinho. Começou a ler aos quatro anos. Possuía diversos livros em seu quarto. Fazia o dever da escola na própria sexta feira. Ao pegar o dia pra brincar, chegava antes do horário que sua mãe havia dito.
Adorava filmes nerds da época, Acordava cedo aos sábados para treinar artes marciais chinesas, e sabia falar dois idiomas, além claro, a facilidade em lidar com garotas.
Na escola, estudávamos na mesma sala, porém, éramos diferentes em muitos aspectos.
Eu, sentava no fundo da sala. Levava um caderno de quatrocentas folhas, com dez matérias mas sempre estava vazio, sem nada escrito nele.
Em diversos momentos, meu lugar estava vazio. Eu, ou estava jogando bola na quadra de futebol, eu simplesmente tinha matado aula.
Adamastor, sentava na terceira fileira, na ponta da sala, próximo a porta. Copiava a matéria quando tinha vontade, sempre conversava sem explicação, mastigava papel de caderno e o jogava para o alto. Os papéis secos acima dele na sala, o incriminavam.
Hiroshi, sentava na primeira carteira, bem no meio da sala de aula. Era um exemplo para o professor.
Sempre tirava dez nas avaliações. Havia briga entre os alunos quando a professora sorteava quem faria a prova em dupla com Hiroshi.
Era um alvoroço.
No fim da rua principal, morava a bela Diane. Garota, esbelta, loirinha com franjas densas, sorriso perfeito, branquinha.
Adamastor e eu, ficávamos louco quando víamos Diane. Quando íamos para escola juntos, algumas vezes encontrávamos Diane com sua mãe no caminho. Acelerávamos o passo para chegar próximo a ela. Para...para, não sabemos porque fazíamos isso, a verdade seja dita. Nada iriamos fazer. Sempre falávamos dela para Hiroshi, porém ele dava de ombros. "Ela não é tudo aquilo", ele sempre dizia.
Aos finais de semana, a víamos com outras garotas da rua. Mas nós dois não tínhamos coragem de chegar nela e falar oi.
Uma vez, no recreio, ela disse "Olá, boa tarde" para Adamastor, foi o bastante para o garoto ficar olhando como bobo para o teto da sala de aula, sonhando com a bela Diane o resto do dia.
Mas tudo mudou em nossas vidas, quando vimos Hiroshi de mãos dadas com Diane, no recreio da escola.
Não podíamos acreditar. Aquele japonês pequenino, pálido, com bigodinhos ressaltados no rosto, estava de MÃOS DADAS COM A BELA DIANE?
Depois de Diane, sempre víamos Hiroshi com alguma garota ou em volta delas. Na rua, no recreio, nas festinhas. Hiroshi era um ninho de gatas.
Havia alguma coisa muito marota naquele japonesinho que nós, Adamastor e eu, nada sabíamos, e isso era só o começo.






quarta-feira, 29 de junho de 2016

Rogério, Entre Uma Tocada e Outra, Uma Perguntinha


"Tenho um amigo que não posso expor seu nome, por motivos de vergonha alheia,
então o chamarei de Rogério."














Eu devia ter uns vinte e cinco anos. Rogério estava comigo. Amigo de longa data.
Resolvemos ir ao cabaré da cidade e nos sentir mais homens. O engraçado é que Rogério nunca tinha ido a um desses. Não conhecia essa vida barata.
Chegando lá, fitei uma loirinha gatinha, belos melões, um quadril estruturado, uma boquinha com traços sensuais.
-Cara, eu preciso me embebedar! - disse Rogério.
-Por que, cara? - Perguntei.
-Veja essas minas? Uma pior que outra. Uma da terrinha, outra com 120 quilos e uma grávida com vestidinho justo cor verde-água.
-Éhh cara, tá uma merda esse lugar!
-Vamos lá fazer o que viemos aqui pra fazer.
-Tudo bem, vamos lá.
Sentamos e pedimos uma gelada.
Havia duas loiras do nosso lado, conversavam entre si mas estavam de costas para nós.
Hesitamos por alguns minutos, até que uma das loiras, a mais peituda veio até nós e disse:
-Oi meninos. Sou a morango.
-Oi Morango. - eu disse.
Olá, tudo bem? - Rogério disse.
Rogério mais que depressa agarrou o quadril da loira com os belos melões e começou a conversar.
Eu fiquei ali, entre um casal a prestes a dar umazinha e as únicas três acompanhantes que estavam naquele beco. A acompanhante grávida com o vestidinho justinho verde-água, a gorda de 120kg e uma loirinha, toda jeitosinha, com a boquinha com traços sensuais.
Morango veio até mim e perguntou.
-Qual você se interessou, hein gato?
Eu, como não tinha muita escolha,  resolvi apontar para a loira. "ela, eu quero ela".
Ahh, ela é minha irmã! - Morango disse.
Morango mais que depressa chamou a loirinha, pelo nome de Shirley.
A loirinha, chamada Shirley veio até nós, Morango nos apresentou e conversamos por um bom tempo.
Após um tempo de papo furado, resolvemos subir. E lá foi, o que aconteceu!!
--
Meia hora depois, ao descer, encontrei Rogério já na porta, com a blusa na mão e olhando para o relógio.
Fitei com estranheza pois parecia q ele estava com presa, me despedi da loirinha, e fui de encontro à ele.
-Vamô caraiu? - Ele perguntou.
-Vamos nessa. - Respondi prontamente.
Ao sair do cabaré, o ponto de ônibus que fica em frente, estava totalmente cheio. Olhares desaprovadores nos fitavam por todos os lados.
Eu não estava nem aí. Saia rindo por cima. Já Rogério, estava com o cú na mão, de alguém conhecido como a própria mãe, o reconhecer naquela situação, pervertida.
Ao cruzarmos a esquina, perguntei a Rogério como tinha sido "a primeira vez".
-Cara, foi estranho:
"Eu já estava no quarto com ela.
O ventilador faltava uma haste. O reboco estava quebrado. A tevê não ligava, não havia janela, havia goteira no teto no canto da porta.
Nos despimos, e me deitei. Eu lá deitado para conseguir ter um pouco de satisfação dentre aquela adversidade toda, Morango enquanto batia umazinha, me perguntava absurdos como: Que carro eu tinha...que filme eu mais gostava....onde eu trabalhava...
"Tenho um Gol benzinho"... mas eu não entendia aquela situação.
Em determinado momento da punhetinha, deu-me um pico de prazer, que com certeza chegaria ao ápice logo, se a Morango mandasse ver, mas não! NÃO!!!
Na hora em que meus olhinhos estavam fechados e um sorriso fácil saia do meu rosto, Morango me perguntou "com quantos anos eu tinha perdido a virgindade", Um súbito de inquietação tomou conta de mim. Mais que depressa, assumi o controle da situação, empurrando sua cabeça pra cima e para baixo, dizendo: "isso, assim benzinho...tô quase lá baby, quase".
E foi assim que gozei.
- Caramba Roger, a Morango não parava de falar, então?
- Sim, isso é normal? - Roger perguntou indeciso.
- NÃO. - Foi uma só? O da punhetinha?
-Sim, o resto do tempo ela só falou.
-Acho que ela te gambelou!
- Da próxima vez, enquanto estivermos no Hall, vou conversar e deixar ela fazer qualquer porra de pergunta que quiser, pra quê na hora H não acabe com a minha festa. Paguei caro pra essa merda, caraí. - Rogério dizia enquanto descíamos a rua principal...


quinta-feira, 19 de maio de 2016

Meu Café Da Manhã Misturado Com Seu Estilo Sujo de Vida

















Após acordar cedo para surfar, atravessei a cidade para chegar na rodoviária e pegar um ônibus.
Depois de uma hora de viagem desci na estação, desemboquei na avenida principal e olhei de um lado a outro.
Não conhecia nada por lá. Segui pela avenida e vi do outro lado da rua, um boteco com um toldo escrito "Bar do Teco".
Atravessei a rua e entrei.

- Um pingado e um pão na chapa, por favor. - Eu disse.
O lugar parecia bacana. Comecei a observá-lo.

O tiozinho, suposto Teco, lavava a louça, copos, garfos, pratinhos, com a própria mão, o balcão atrás dele, havia algumas moedas e notas de dois e cinco reais, eu até imaginei para o que era, mas quis não acreditar.
Quando um tipo caiçara pediu para cobrar seu café e a esfiha, Teco pegou os cinco reais com a mão que lavava a louça, deu uma secadinha naquele avental meio cinza, meio vermelho escuro e foi até as moedas e deu o troco ao caiçara.
No mercadinho inteiro, só havia ele e sua mulher.
Ela ficava entre os pães e o caixa. Sem luvas.
Então imagine.

Havia uma dispensa com diversas garrafas de refrigerante, daquelas marcas que não vemos há muito tempo. Deviam estar lá por décadas.
Na parte dos destilados, a caixa do único whisky Red Label disponível, estava amarelada pelo constante sol que batia até as três da tarde.

Havia algumas moscas varejeiras, "aquelas verdes", voando por cima dos pães doces, brioches e carolinas. Observei com repúdio.

Meu pingado e pão na chapa havia chegado.
E com um sorriso no rosto Teco disse: - Bom apetite!


*Baseado em uma história real

O Espirro
















Já passava das onze e meia da manhã e o tempo estava nublado. Não havia nada na geladeira e nem na dispensa. Estava com fome.
Resolvi ir ao mercado comprar algumas coisas. Cerveja, bacon, vinho, etc.
Já retornando pra casa, segurava duas sacolas em cada mão.
Quando deu vontade de espirrar, levantei a sobrancelha e espirrei no contra vento, banhando uma
senhora que vinha atrás de mim.
Foi constrangedor vê-la limpando o próprio braço olhando para mim com asco.
-Desculpe-me senhora. - Eu disse. Ainda fungando o nariz.

Depois de duas quadras, senti necessidade novamente, mas dessa vez fui ligeiro. Olhei para os lados para averiguar se havia pessoas em volta.
Então espirrei no peito protegido pela braço esquerdo, só que a gripe já havia me pegado. Um fio pegajoso, flexível e verde começava a ir e vir sendo preso pelo meu nariz.
Além de uma mancha de catarro verde que brilhava em minha camiseta preta.

Vizinhos, porteiro, amigos do elevador, todos haviam constatado que eu estava com uma duma bela gripe...



Fede à Galinha de Panela





Estava sozinho em casa.
Passava das onze da noite, nevava lá fora.
Havia saído do banho quente as pressas pois estávamos no inverno.
Quis permanecer no banho por um bom tempo, divagando em meus pensamentos, e de tão quente, o chuveiro queimou.
Corri para a cozinha e acendi uma das bocas do fogão e comecei a me esquentar por ali mesmo. Meus dedos dos pés estavam congelando, mas a parte de cima estava ótima.
Aproximava e distanciava.
O problema, foi que coloquei o braço muito próximo da chama, e o cheirinho de queimado começou afetar minhas narinas.
Os pelinhos do meu braço se retorciam e tinham cheiro de galinha depenada com as pernas pra cima numa panela pronta para serem cozidas. Desliguei o fogão e dei de ombros.
Fui para o quarto.
Vesti uma blusa de moletom e fui pra sala assistir tevê. Estava sem sono.
O cheiro de galinha depenada já impregnada na blusa,  pairava no ar...


Qual Sua Boa Ação no Mundo?





"Qual sua boa ação no mundo? Aquela que é muito nobre, que chega ser uma benção!?"

Você, Cris?
- Cuido de animais. Os bichinhos precisam de salvadores e protetores.

Você, Doug?
- Sou jardineiro. Planto árvores para a posteridade. Crio a sombra e o fruto.
Ela falava com um semi-deus!
-Uau, que atitude mais nobre.

-E você, Jonas?
- Sou urologista. Previno a saúde dos homens. -Boto no rááábo deles a toda hora.


Você Sufoca...

















Você chora ao telefone,
Você me cobra atenção,
Você reclama das minhas ações,
Você me insulta com suas insatisfações.

Você faz eu devorar meu fígado e criar uma úlcera
Devido as suas manias de manipulação e controle
Me acabo então, numa garrafa de vodka para esquecer essa vida amarga.
Você sufoca...

....Porque você faz cair lágrimas de alguém que você diz que ama?