quarta-feira, 2 de maio de 2012
O Tiozinho do Guarda-Chuva
Thiffany e eu, estávamos no mercado da cidade. Iríamos comprar umas porcarias como desinfetante para a pia da cozinha, amaciante de roupas, essas coisas que julgo desnecessárias.
Eu, vou lá, na verdade, somente por um só motivo...bebidas!
Thiffany enchia o carrinho de compras, enquanto passávamos entre as gôndolas do supermercado.
Minha função, era somente, empurrar aquele carrinho.
Chegamos ao setor de bebidas. Hummm... Meu sorriso se estampou no rosto.
Imagine ai, um rosto de uma criança em uma loja de doces...Imaginou? Então, esse era meu rosto.
Bem, um rosto muito mais enrugado, sujo e com barba por fazer.... mas em essência, era o mesmo rosto.
São só 70 anos de distância que me separam da inocência, juventude e beleza.
Estamos todos no mesmo saco, só que em níveis diferentes. Esperamos com fé que a salvação venha dos céus nublados de hoje em dia, e nos tire das armadilhas que nós próprios criamos.
Fui direto na gôndola pegar minhas três garotas.
Uma morena escocesa, uma loira russa e uma ruiva portuguesa.
Thiffany pegou uma garrafa de vinho e sucos de soja. Não entendi o porquê. Acho que ela pensa em regime.
Fomos até o caixa. Thiffany pôs as compras para pagarmos.
Ao pagarmos as compras, já estávamos saindo, quando, Thiffany lembrou de comprar veneno para ratos.
Nossa casa estava infestada desses espertinhos de esgoto.
-Jonas, espere aqui enquanto vou comprar.- Ela disse ao me entregar as compras.
-Ok, baby. - Eu disse.
Eu a aguardava na entarda do supermercado.
--
Após alguns minutos, Thiffany retornou com o veneno de rato.
-Vamos embora Jon...
Eu conversava com um senhor. Um vendedor de guarda-chuvas.
-Leve esse meu senhor, ótimo para o verão. Sua patroa irá se proteger dos raios solares....
O velhinho sabia vender. Ele estava me persuadindo..e eu só fui comprar bebidas....
Só que Thiffany entrou no meio da "venda" e disse:
-Jonas vamos embora. Não precisamos de guarda-chuva.
-Ah moça, deixa ele me ajudar?- O tiozinho com um rosto triste e cansado dizia.
-Não, não...ele não precisa.-Thiffany disse.
-Mas é útil para a chuva...o sol forte que está fazendo...se proteger....
-Não, não. Já temos guarda-chuva.
-Por favor senhora, deixa ele me ajudar, só vendi um até agora.
Era visível o sofrimentro no rosto do tiozinho.
-Não senhor, já disse que não. - Thiffany respondeu com certa dose de impaciência.
Ele tinha vendido somente um, até aquele momento? Olhei para o relógio em meu pulso, já passava das dezoito horas. Se ele estava naquele ponto desde as 8 da manhã e vendeu somente um guarda-chuva, isso quer dizer que todos do bairro já possuem um guarda-chuva, no mínimo.
Ele estava no negócio errado. Alguém deveria dizer isso à ele.
Na verdade, ele deveria se especializar em consertar os guarda-chuvas, em vez de vendê-los.
-Eu seria um puta empresário de sucesso. - Pensei.
-Desculpe cara, mas essa, não será sua segunda venda do dia! - Eu disse ao ser puxado por Thiffany.
Fomos embora do supermercado, já estávamos alguns quarteirões de casa, quando do céu, ouvia sons estranhos. Eu começava a sentir pingos em minha cabeça.
-Thiffany realmente fudeu com a venda do tiozinho e também, nos fudeu! - Eu não parava de pensar...
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