segunda-feira, 18 de junho de 2012

Uma Grande Mulher



Em uma certa manhã do mês de junho, ao abrir a janela da sala, vi o sol surgindo atrás das montanhas. Reluzente como ouro, era vivo e onipotente. Passava das sete da manhã.
Resolvi dar um passeio para ter mais idéias para meus contos.
Dois quarteirões depois, encontrei um velho amigo que vinha pela direção contrária.
Nos reconhecemos e nos comprimentamos. Começamos a conversar.
-Velho Green....que surpresa!
-Bóris "Mad Dog" Spynisky. - Eu disse.
 -Siiiim, sou eu. Como você está, Jonas?
-Bem, estou....
-Tú está acabado heim? **A síndrome de Sharpei te pegou de jeito? - Bóris ria sem parar.
-Ahhhh, que isso Bóris, não diga essas coisas. Tenho trabalhado demais nos últimos tempos. Escrever sem parar cansa o corpo mas nutre a alma.
-E você, continua no vinho barato, Jonas?
-Sim, Bóris. Ele é meu combustível para continuar a escrever. Bem, vejo que você.... erhhh.... está cheio de desenhos nos braços, pescoço....
-Sim. Só fiz algumas tatuagens, nada demais.
-Sim, gostei delas. - Torci levemente o braço de Bóris. - Olha essa tatuagem aqui... é uma "baleia branca"....é aquela baleia do....como se chama?
-Moby Dick de escritor Herman Melville.
-Isso mesmo...Grande história, grande poeta americano.
-Sim. - Bóris sorriu pelo canto da boca.
-Veja, esse coração pulsante em seu antebraço, cara. Que bem feito.
-Obrigado Jonas.
-Olha essa tatuagem em seus punhos. Quem fez?
-Uma mulher.
-O que está escrito?
-"Be the cause, Be the cure. - Jonas respondeu.
-Ah sim, muito bom, chega ser poético, não? - respondi.
-E suas tatuagens Jonas?
-Não tenho, Boris. Estou velho pra essas coisas...e mesmo que quisesse, essa minha pele ressecada e enrrugada não ajudaria nem para tatuar um mapa arqueológico com suas fendas e caminhos.
Conversamos mais um pouco, marcamos um drink e nos despedimos.
No caminho pra casa, eu não parava de pensar quem seria aquela tal de Bete que ele tatuara em seus punhos. Como ele mesmo disse, "foi feito por uma mulher". Fazemos loucuras por elas, não?
Bóris era um bom rapaz, mas essa tal de Bete...coitado....o que foi feito à ele? 
Em seus punhos, ele havia escrito à tinta permanente, a frase de amor & ódio:
"Bete causa, Bete cura" - Eu pensava.
Essa mulher devia ser um furacão na cama ou uma barraquera de primeira.
Ela devia "causar" o puteiro mas também, podia "curar" as dores, qualquer coisa.
Grande Boris.....encontrou a mulher da sua vida.

**Síndrome de Sharpei = Rugas na pele

Dedicado à
Leandro, Carol, Ketty, Wlad, Robson e Bóris.

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