quarta-feira, 4 de abril de 2012

Querida, achei lindo seus óculos escuros









 Eu estava no bar mais uma vez. Pedi mais um bourbon para relaxar e fui até a jukebox.
Eu estava animado, queria tocar uma música que pudesse transpor em melodias o que sentia naquele momento.
Cheguei até a jukebox, coloquei a ficha no buraco e comecei a escolher com o dedo indicador uma música para o ambiente. Mas antes, olhei em volta.
Havia garotas passeando com seus traseiros maravilhosos de lá pra cá, alguns operários solitários nos cantos do bar, o garçon labutava intensamente sem parar, um grupo de amigos rindo á toa do lado de cá.
Havia também, uns alguns, uma garota de óculos escuros, e eu.
Ao testemunhar tal situação, só havia uma música que eu pudesse escolher entre todas aquelas.
A música escolhida foi, Suzie Q, da banda Creedence Clearwater Revival.
Se não a conhece, escute-a agora mesmo enquanto me lê....eu te aguardo enquanto você a procura.
Irá se sentir como se estivesse em meu lugar. Aproveite a carona. Aperte o play agora.

(Aguardo)



Aperto o play e o repeat da jukebox.
Então, pego meu copo que deixei encima da jukebox, começo a voltar para minha mesa.
Ao balançar da música, devagar, remexo o quadril com traquejo. Dois pra direita, dois pra esquerda, isso que chamo de uma ótima música.
Há sintonia no ar, harmonia acontece aqui.
Tudo está no lugar.
Dou mais uma golada enquanto sinto a garganta queimar. As pessoas me olham dançar, mas logo, começam a se soltar e a curtir a pura música do êxtase.
O cheiro do tabaco no ar, as luzes coloridas que piscam no ambiente escuro, o piso quadriculado que me lembra um tabuleiro de jogo de reis.
Há liberdade no recinto, emoção de estar aqui.
Volto à minha mesa, e o curtir da música, começo a encarar aquela bela garota de óculos escuros.
Não sei se ela está me olhando, se está dormindo, se está atordoada.
A cada minuto da música, fico mais forte, parece que fico mais soberano. Me sinto com três metros de altura. Dou mais uma golada.
O garçon ainda continua seu trabalho árduo. Ele não pode chegar na bela garota de óculos escuros e se dar bem, mas eu posso. Isso me deixa mais forte ainda.
Eu então, levanto da cadeira, pego meu bourbon e o traquejar da música, vou de encontro a ela.
TUDO eu posso. Sou o Rei dessa noite.
-Olá garota posso sentar ao seu lado?- Perguntei com um rosto de vencedor.
-Claro. - Ela disse.
Sentei ao seu lado e começamos a conversar. O papo foi longe.
Eu estava interessado naquela garota. Aquela boca me fazia ter fantasias alucinógenas.
-Ah, benzinho, me faça um favor, vai.- eu disse.
-O quê?- ela respondeu com classe.
-Tire seus óculos, vai.
-Nãão. - Ela respondeu com um sorriso no rosto.
-Ah, que isso gatinha. Quero ver seus olhos. Não irei me apaixonar mais por você, eu prometo.- Eu disse.
Ela riu.
Que risada linda. Aquela boca cheia de dentes me fazia ter certeza de ser o campeão da noite.
A música continuava a rolar no ar.
Depois de muita insistência, ela deixou eu tirar seus óculos. Ela com certeza estava afim de mim.
Eu olhei em seus olhos através daquelas lentes escuras, e devagar, tirei seus óculos, eu estava em êxtase.
Ganhei a noite. - Pensei.
Mas ao tirar seus óculos, dei um tranco para trás. A mesma garota, aquela garota dos lindos óculos escuros, que eu já a tinha na mão, estava com conjuntivite. Meu Deus.
Seus olhos estavam totalmente inchados e vermelhos. Parecia que a garota havia chapado um grande antes de chegar no bar.
Ela se assustou com a minha reação.
-Tudo bem? -Ela perguntou ao tocar em minha mão. -Eu disse que não queria que você visse meus olhos.
Ela parecia se auto-reprovar.
Eu ri e disse:
-Você tem um pouco de erva para eu ficar doidão, também? - Perguntei com um sorrisinho safado no canto do rosto.
Ela riu novamente e disse que não usava essas coisas.
Nada, absolutamente nada, poderia acabar com minha noite.

Para Will

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