segunda-feira, 2 de abril de 2012

Malditas Convenções Sociais










Depois te ter escrito alguns contos para uma outra revista de merda, fui comprar alguns drinks no mercado.
O dia estava bonito, passava das dez da manhã de uma quinta feira. Resolvi passear um pouco pelo bairro.
Pelo caminho, encontrei um velho amigo, um amigo de longa data. Fiquei surpreso ao vê-lo,  pensei que a cirrose já o tinha matado.
Ao lado de uma praça, começamos a conversar sobre diversos assuntos, quase todos inúteis e fúteis.
Aqueles assuntos sem peso e sem temperos.
Não o via já fazia um bom tempo. Ele falava de pessoas queridas como filhos, netos e sobrinhos com tal emoção que tive que fingir que estava interessado no assunto. Eu dizia, "Que ótimo!", enquanto ascendia o cigarro.
Eu não havia casado, não namorava sério, fiquei quieto sobre minha vida pessoal.
Ele falava, falava e falava sem parar, esava emocionado pela vida que Deus havia te dado. Ele o agradecia nos finais das frases. Ele parecia ser um afortunado, pensei.
-Mas voê aind abebe? - pergutei?
-Não, eu parei há anos. Estou sóbrio hoje em dia Jonas. Sou um novo homem.
Hummm, taí porque ele fala tanto, a falta de álcool o fez falar pelos cotovelos.- Pensei.
Ele era um garanhão de primeira, um "Ás no quesito noitadas". Agora, ele virou um homem sério, um homem a base de soja.

Mas em um certo momento, percebi que nem lembrava o nome dele.
Enquanto eu o ouvia, tentava lembrar seu nome, mas sem sucesso.
Ele mais parecia uma matraca, era impossível processar alguma coisa naquela conversa entre amigos estranhos. Ele falava muito.
Comecei a chamá-lo de "você", "cara", em começos e términos de novos assuntos e fazia aquela cara de surpreso aos seus comentários. Eu estava me saindo bem, ele nem ao menos desconfiou.
Ao contrário de mim, ele dizia meu nome em todas as frases. O puto lembrou do meu nome, o nome da Thiffany e até o nome da velha engolidora de pinto de macaco da minha sogra.
Ele deve ter pedido ao bom deus uma ótima memória ou a abstinência de álcool o fez relembrar das coisas.-Pensei.
Eu não lembrava de seu nome, com quem ele morava, muito menos de onde eu o conhecia.Estou muito a frente à essas convenções sociais. Desses vícios de linguagem. Essas...como diria,
ah, sim....educação e respeito ao próximo.
Quero que se foda essa merda! Limpe a merda do mundo com sua educação.
Eu não vou me propor à isso. Foda-se Marx e Hitler. Ninguém paga meu trago, minhas cuecas ou minhas camisinhas. Minha bebedeira é assunto meu. As convenções são lixo, algemas psicológicas para que você tema e reaja de uma certa forma. EU não reajo, eu ajo em base do momento.
Na real, se esse cara que fala pra caralho na minha frente agora, me devesse dinheiro ou fosse um fudido de um sortudo...daqueles que nascem com a bunda virada pra lua, com certeza, eu o chamaria por outro nome.
Eu senti que a conversa estava chegando ao fim, quando começamos a ficar em silêncio. E não havia mais o que dizer de nada. Um olhando para a cara do outro sem ter o que dizer. Esse silêncio é amendrontador, pois você deseja sair correndo por insatisfação ou não ter encontrado tal pessoa na rua naquele momento.Você se sente sem calças, se sente desprotegido.
Nos despedimos pela mesma forma que nos encontramos.
-Bom te ver, Jonas Green, Muito bom te rever. -Ele disse.
Eu só disse obrigado e acenei com a mão.
Virei as costas e continuei andando. Tentava lembrar o nome daquele "cara".

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