quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
No Banco da Igreja
Eu estava mal. Estranho pra burro. Andava meio perturbado com meus sentimentos. Não sabia o que poderia ser. Isso me afetava de várias maneiras. Me deixava estressado.
Thiffany disse diversas vezes para eu ir até a igreja, rezar para o rapaz da sunga e me libertar.
Ela dizia que seus braços abertos na cruz simbolizavam "o amor pelo mundo, "o abraçar o mundo", o seu amor" e blá blá blá....que ele me salvaria e blá blá....mas eu não conseguia ver assim.
Como abraçar o mundo, se o mundo o matou? -Eu pensava. -Ele deve ter feito algo. Só há punição para aqueles que infringim leis. Acho que ele infringiu uma grande lei, a lei das leis.
Ele tentou mudar o homem a sair da punição, e isso o punidor não pode aceitar.
Eu recentemente tinha fechado acordo com uma grande revista com abordagem na vida social.
O acordo era escrever em uma coluna semanal. Não parecia, mas era muito cansativo, pois escrever em um coluna semanal sobre assuntos do cotidiano, era deprimente. Um dos assuntos que eu abordava em minhas dissertações eram: "Mulher assassina guaxinim em extinção por pensar de se tratar de um gambá", Assalto a mão armada em um estabelecimento, leva guarda de guarita fingir estar dormindo para não ser refém", "Direitos femininos na ala norte da prisão x, "Confronto entre heterossexuais acaba mal em balada GLS".
Era bem dinâmico e cruel este trabalho. O mundo nos dá boas vindas e nos mostra tudo o que ele tem a oferecer. Entre um trabalho e outro, decidi dar um passeio na cidade para estabelecer uma conexão com o mundo cru e truculento. Passeava pela rua e ao observar os acontecimentos, meu senso crítico ficava mais e mais apurado.
Eu continuava mal, muito mal.
Nessa hora passei por perto de uma igreja, lembrei o que Thiffany havia dito:
"Seus braços abertos na cruz simbolizavam "o amor pelo mundo, "o abraçar o mundo"...
Achei aquilo de tal poesia e humano para um morimbundo prestes a morrer que decidi entrar na igreja e pedir seu auxílio.
Entrei, vi o hall imenso na minha frente, o grande senhor pregado de sungas sujas, estava ali bem na minha frente. Escolhi um lugar reservado do lado direito e sentei no banco.
Sentei, cruzei os braços e comecei a conversar comigo mesmo olhando para os lados, para o senhor da sunga suja, para as pinturas no teto, para um lustre sem lâmpada, para o senhorzinho que limpava as estátuas, etc...
Conversava, perguntava, respondia, criava vínculo com o grande senhor da sunga suja em meus pensamentos.
Descansei os joelhos no assento, fechei os olhos e comecei a conversar com o grande senhor. Eu pedia uma resposta, eu queria que o grande senhor da sunga suja pudesse me tirar esse mal estar de mim. Eu sentia algumas coisas, mas não sabia se ele podia me responder. Eu até olhava em volta se alguma luz pudesse pairar sobre minha cabeça, mas não. Nada acontecia.
Sentei novamente e esperei....
Comecei a me sentir melhor depois de alguns instantes, aquele lugar, aquela energia me fez ficar leve, tranquilo, me deixou caaaaalmo.
Era uma sensação maravilhosa poder estar ali. Finalmente minha conversa comigo mesmo, tinha chego até o grande senhor da sunga suja.
Amorosamente, sem eu nem ao menos perceber, fui tocado pelo ombro. Era uma mão suave que pedia pela minha atenção. Quando me virei, para ver de quem era aquela mão abençoada, percebi que era a mão do tiozinho da limpeza. Carinhosamente ele disse à mim:
-Senhor, o senhor poderia se levantar, não se pode dormir nos assentos desta igreja.
Pisquei os olhos diversas vezes, me sentei no banco de madeira, esfreguei as mãos em minha cara
e só disse ok, levantei e fui embora.
Obrigado grande senhor...O senhor "tirou " o meu mal estar, tirou a minha intranquilidade.
Que bom ter dormido em um lugar como aquele, era tudo que eu precisava....descansar!
Cheguei em casa, dei um beijo de agradecimento à Thiffany e mais motivado do que nunca, comecei a escrever como um louco. Escrevia sobre qualquer assunto. Motivação total.
Escrever sobre a merda do cotidiano, faz você perder muitas noites de sono....
Baseado um um fato real
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário