Finquei o guarda sol na areia, pus a cadeira de praia em frente ao mar, sentei e respirei fundo para aquela vista.
Já passava das dez da manhã e mesmo assim, já havia bundas, biquínis para todos os lados.
Abri uma lata e dei uma golada. Estava estupenda. Ao final da golada dei aquela famosa expressão com um bom e alto "Nahhhhhh" em frente aquele mar maravilhoso.
Nas noites anteriores como estive em barracas, feirinhas, ateliês e afins com Thiffany e o pessoal, vi todo o tipo de pessoa perambulando pelas ruas estreitas do litoral. Mas uma em particular, ficou na minha cabeça. Uma bela moça. Que visitou quase todas as lojas que estive ontem. Usava óculos escuros e um boné da NY. Uma bela garota com seus vinte e poucos anos, cabelos castanhos longos até a cintura e um belo corpo, bem distribuído e torneado. Ela com certeza seria minha.
Na verdade, acho que é ela alí...alí na segunda ondinha da praia. Sim, é ela mesma.
Eu a reconheci de onde estava.
Levantei, me inspirei , estufei o peito e fui até ela.
Ela brincava com uma garotinha no rasinho. Poderia ser sua priminha ou até quem sabe sua filha.
Eu estava indo de encontro à ela.
-Olá, quero te conhecer belezinha!
-Eu te conheço? -Ela perguntou ríspida.
-Não...quer dizer, nos vimos ontem, não lembra? Eu olhava você sem parar, e você também.
-Não. Não sei quem você é. Me deixe em paz!
Sua resposta me deixou confuso. Pois no dia anterior ela simplesmente me fitava, e agora está com essa atitude.
-Quero ficar com você baby. Quero te conhecer.
-Tá, mas eu não quero te conhecer.
-Que isso gatinha, não se lembra de mim, de ontem? Na lojinha de gravar nomes nos arrozinhos?
-Não.
-Que isso. Te vi também no Ateliê de blusinhas coloridas, na loja bem em frente.
-Não, não me lembro de você...e além do mais, você está me irritando. Irei gritar para o meu namorado se não se afastar.
-Oww...que isso gatinha. Não precisa disso. Só vim aqui porque estava de olho em você. Fiquei interessado.
-Adeus escroto.
E lá se foi aquela mulher abençoada. Com tudo em cima e com nada faltando.
Dei tchiau àquela rabo de altas proporções e de perfeitos genes e o vi ir embora.
Voltei então para meu lugar, meio triste mas convicto que toda aquela situação embaraçosa que havia passado, logo passaria em talvez dois ou três minutos no máximo. O mundo está de cabeça pra baixo.
E não muito tempo depois, me surge do nada, uma moça feia de doer e sem perder tempo diz:
-Oi, vi você ontem na lojinha de gravar nomes em arroz e no ateliê das blusinhas coloridas. Gostaria de te conhecer.
-Hummm, desculpe, mas não vai rolar.
Merda. Ali, constatei que o mundo não estava de cabeça pra baixo só para mim.
Somos fantoches, e alguém está tirando uma com nossas caras, não é possível. - Pensei, ao dar mais uma golada e ver uma onda quebrar no meio das rochas....

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