Depois te ter escrito alguns contos para a revista SexMachine na noite anterior até as três da matina e dormido esparramado no sofá da sala, acordei lá pelas nove, na verdade, até me surpreendi quando vi o horário no relógio pendurado na cozinha. Sempre desperto as duas da tarde.
Virei, dei aquela espreguiçada e permaneci de conchinha alguns segundos até levantar e por de pé essa carcaça velha.
Ao me encaminhar até o banheiro, bocejei profundamente como se quisesse tirar todas as tensões que sustentava nos dias anteriores e também uma certeza de tirar a moleza. Meu corpo sentiu uma breve arrepiada.
No banheiro, levantei a tampa, desci a braguilha, coloquei meu monstro pra fora e dei aquela mijada interminável que me fez arrepiar pela segunda vez. Um tranco involuntário senti, e com cuidado o direcionei para que o jato não molhasse fora do vaso, como também o lixinho ou até quem sabe talvez, o rolo de papel. Dei uma balançada e o guardei.
No espelho fui dar uma boa olhada nessa minha cara safada. Virei o rosto de um lado a outro. Testemunhei minhas rugas, minha barba de semanas por fazer, remelas, papada de pescoço e muitos pelos saindo da tal saliência da parte externa da orelha.
Cerrei os dentes, dei uma olhada de lado a lado e constatei que os mesmos estavam amarelados. Entre meus pré-molares estavam amarronzados, mas isso não me preocupou tanto. Claro, era devido a idade. Eu nem mais fumava tanto como antes. Hoje, eram só dois maços por dia e litros de café para aguentar minha rotina excitante. Era a idade, com certeza.
Enquanto mexia nas bochechas massageando-as, constatei que...aprendi massagem facial em uma vídeo-aula que assisti alguns meses atrás...era sobre massagens japonesas. Aquilo era para dar uma aliviada no stress, mas creio também que seja pela idade.
....Constatei marcas do sofá impressas em minha testa. - O sono foi bom! - pensei.
Averiguando um pouco mais, perto da maça do rosto, sobrancelhas, encontrei um cravo bem no canto do nariz. - "Hummm, então você está ai seu malandro, estava te procurando". - Sussurrei para mim mesmo ouvir.
O espremi de tal força, que vi pular pra fora da pele uma mini cobrinha amarelada toda retorcida. Fiz cara de pouca dor e observei em meu dedo indicador e com um sorriso maroto no rosto, disse "olá garotão, então você está ai!?". Limpei na camisa social amarela clara. Nela havia varias manchas, de diversas situações.
Enquanto procurava algo mais estranho em minha pele, soltei um peidinho prolongado sem som, que me fez ter a sensação que o odor logo se alastraria pelo banheiro inteiro chegando até minhas narinas, e desaprovando-me como autor de um péssimo hábito. Mas não, não havia cheiro! Chateei, pois um peidinho sem o mínimo de cheiro, não vale a pena sair.
Passando as mãos pelas costas, senti um pelo encravado, o arranquei com tal força que me fez chamá-lo de "filho da puta". Na verdade, não sei porque usei tal expressão, pois se trata de algo sem sentido, mas, bem, creio que pela dor que senti, dizer tais palavras fez-me sentir bem melhor. Como uma válvula de escape.
Terminada a higiene pessoal do dia, fui até meu quarto, abri o guarda-roupa, e ali, estavam duzias de calças e camisas. Os sapatos já estavam do lado do criado mudo esperando a serem calçados.
Escolhida a calça, a coloquei em cima da cama, sentei e levei as meias que estavam guardadas no fundo dos sapatos até meu nariz. Estavam um bom cheiro, dava pra usar mais uns dois dias.
Ah sim, escovar os dentes, limpar os ouvidos com cotonetes, assoar o nariz e lavar as mãos? Ahhh não. Não tenho mais tempo para inutilidades.
Ao colocar a calça social marrom, prendi o cortador de unhas junto à ela, sentei para amarrar os sapatos sem graxa, coloquei uma camisa branca com listras azuis meio surrada que encontrara em cima da cômoda, não podia esquecer meu pente e óculos no bolso da frente da camisa. A carteira enfiei no bolso esquerdo da calça. Estava pronto.
Ao trancar a porta com a chave, sai pelo corredor. Iria comprar umas garrafas e cigarros que estavam em falta, mas antes tinha uma reunião com meu editor.
Vi o elevador à minha espera, mas o dia estava tão bonito, já passava das dez da manhã de uma quinta feira e resolvi descer pelas escadas. Atravessei o hall principal do prédio, acenei ao porteiro ao dar bom dia, e me dirigi a padaria do bairro para tomar meu pingado que só o senhor Luiz sabia fazer..
O mundo já estava atrasado, como todos os dias....

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