terça-feira, 2 de julho de 2013
Uma Cagada Daquelas
Quando eu era mais garoto, uns cinquenta anos atrás, eu e meus amigos frequentávamos um boteco do bairro chamado O Pescador.
O nome desse boteco se dava pelo simples fato que havia diversas coisas que lembrava o mar.
Remos velhos e caindo aos pedaços pregados na parede, quadros em referência aos mares, uma foto em preto e branco de um velho barbudo que nem imaginava de quem seria, um quadro de uma baleia branca e um pôster bem em frente a sala de sinuca de o Lobo do Mar de Jack London, um romance sobre um ditador dos mares, temido até pelo seus piratas. Um grande clássico da literatura mundial.
Além claro, do senhor Maresia. O dono do boteco, que sempre estava com seu gorro verde.
O ambiente era agradável, bacana e fervia a partir das dez da noite. Mas uma coisa que ninguém aceitava e fazia jus ao nome que tinha, era a sua limpeza, ou melhor dizendo, a falta dela.
Parece que fedia a bacalhau aquele lugar. Dificilmente se usava o banheiro daquele lugar. Somente se tivesse que usar para o número dois. E esse era o grande problema.
Havia mendigos que usavam o banheiro do boteco em altas horas e faziam uma grande obra de arte por ali. Os bêbados de plantão também faziam sua arte.
Uma noite, um de meus amigos, chamado Dinho já um pouco alto, disse pra todos na mesa que iria usar o banheiro para fazer o número dois. Começamos a rir, mas logo paramos quando ele se levantou e foi para o fundo do bar à porta a esquerda.
Eu mesmo já visitei aquele lugar sombrio uma vez. Era um lugar que você tem de ser literalmente um ninja. Pois você precisa de destreza e coordenação para segurar a camisa para nao sujar de bosta,
segurar a calça para não se rastejar naquele chão imundo e pela lateral da privada, permanecer agachado sem encostar a parte posterior da coxa na na orla do vaso, segurar a porta quase em pedaços sem trinco com a cabeça e prender a respiração para aguentar todo aquele cheiro de merda no ar.
Minutos depois, aquele mesmo mendigo que sempre batia ponto no banheiro do boteco, se encaminhou até lá onde Dinho estava. Começamos a rir, pois sabíamos que daria merda.
Um de nossos amigos que estava do lado de fora, veio até nós e disse:
-Caras, o mendigo veio fazer o número dois. Falou para todo mundo lá fora. Disse que tá apertado.
De onde estávamos dava pra ver o mendingo tentando abrir a porta. A porta batia e voltava, batia e voltava.... e o mendigo tentava abrir com o ombro também... e dizia, "abre aê....abre aê..."
Eu sabia que Dinho de lá de dentro, recebia várias portadas na molera. Ele alí devia estar em apuros.
Ele tentou denovo, a porta batia e voltava, olhou para os lados sem entender nada, e não parava de dizer, "abre aê....abre aê...quero cagar".
Logo depois, só podíamos ouvir Dinho gritando de lá do banheiro,
"EU TÔ CAGANDO, POOOORAAA"
O mendigo logo foi pra trás com o susto que recebeu.
Ríamos sem parar.
Quando Dinho saiu, o mendigo entrou no banheiro sem perder tempo.
Logo veio até nós e disse com a maior cara de pau:
-Cagaram feio naquele banheiro heim, caras!
Eu podia ver um rastro na camiseta dele quando sentou conosco, mas nem disse nada...na verdade, nem precisei , o cheiro logo começava a estalar.
Um minuto depois, já estávamos descendo a rua em busca de outro boteco, Dinho já estava sem a camiseta.
Dedicado à mudo
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kkkkkkkkkkkkkkk
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