
Após acordar cedo para surfar, atravessei a cidade para chegar na rodoviária e pegar um ônibus.
Depois de uma hora de viagem desci na estação, desemboquei na avenida principal e olhei de um lado a outro.
Não conhecia nada por lá. Segui pela avenida e vi do outro lado da rua, um boteco com um toldo escrito "Bar do Teco".
Atravessei a rua e entrei.
- Um pingado e um pão na chapa, por favor. - Eu disse.
O lugar parecia bacana. Comecei a observá-lo.
O tiozinho, suposto Teco, lavava a louça, copos, garfos, pratinhos, com a própria mão, o balcão atrás dele, havia algumas moedas e notas de dois e cinco reais, eu até imaginei para o que era, mas quis não acreditar.
Quando um tipo caiçara pediu para cobrar seu café e a esfiha, Teco pegou os cinco reais com a mão que lavava a louça, deu uma secadinha naquele avental meio cinza, meio vermelho escuro e foi até as moedas e deu o troco ao caiçara.
No mercadinho inteiro, só havia ele e sua mulher.
Ela ficava entre os pães e o caixa. Sem luvas.
Então imagine.
Havia uma dispensa com diversas garrafas de refrigerante, daquelas marcas que não vemos há muito tempo. Deviam estar lá por décadas.
Na parte dos destilados, a caixa do único whisky Red Label disponível, estava amarelada pelo constante sol que batia até as três da tarde.
Havia algumas moscas varejeiras, "aquelas verdes", voando por cima dos pães doces, brioches e carolinas. Observei com repúdio.
Meu pingado e pão na chapa havia chegado.
E com um sorriso no rosto Teco disse: - Bom apetite!
*Baseado em uma história real
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