segunda-feira, 25 de julho de 2016

Kakaroto Parte 1






Devido a gama diversas, extensas e complexas, de detalhes nesta história, a mesma será dividida em três partes.

Irei relatar, nas próximas linhas, a amizade e grande aprendizado que tive com meus dois melhores amigos de infância e juventude, em destaque, à um deles.

Adamastor Durvalino Onofre, Hiroshi Yamauchi da Silva e eu, Jonas Green, éramos os três garotos mais chegados da rua. Éramos inseparáveis. Nascemos no mesmo ano, com diferença de meses entre nós. Hiroshi era o mais velho.
Eu, Jonas Green, era o mais sem vergonha, sem educação e explosivo dos três.
Era moreno e o mais magrinho dos três.
Tocava a campainha das velhas senhoras da vizinhança e saia correndo pela rua principal. Matava os frangos do senhor Miguel (o criador de frangos da rua) a pedradas.
Chegava em casa depois de ter anoitecido.
Saía na mão com os outros garotos toda vez, depois de uma partida de bolinha de gude à futebol de rua. Girava os gatos perdidos da rua pelo rabo. Montava arapucas para trancafiar as pombas em minúsculas gaiolas.
Adamastor Durvalino Onofre era o garoto mais pé no chão. Educado, calmo e sincero. Era loirinho e o mais forte dos três.
Ele nada fazia de errado para que sua mãe lhe castigasse. Era um garoto exemplar.
Sempre chegava depois do horário que sua mãe havia combinado, por minha causa.
Possuía os melhores pipas, as melhores bolinhas de gude e as melhores bolas de capotão.
Era o único que tinha vídeo game entre os três.
As vezes, nós três nos reuníamos em sua casa para jogar, mas sempre eu estragava tudo, por começar uma briga por ter perdido o jogo ou derrubar o suco de laranja no tapete da sala. A mãe de Adamastor não tinha muita paciência comigo.
Hiroshi Yamauchi da Silva, este....este, é o fator principal da minha história, caro leitor.
Hiroshi Yamauchi da Silva, era um japonesinho. Seu pai nascera no Japão, mas sua mãe no Brasil. Mais precisamente na zona leste, ela insistira em homenagear seu nome no garoto.
Hirosh , era o mais inteligente dos três. Ele desenhava qualquer coisa que pedissem. Aprendera a tocar gaita sozinho. Começou a ler aos quatro anos. Possuía diversos livros em seu quarto. Fazia o dever da escola na própria sexta feira. Ao pegar o dia pra brincar, chegava antes do horário que sua mãe havia dito.
Adorava filmes nerds da época, Acordava cedo aos sábados para treinar artes marciais chinesas, e sabia falar dois idiomas, além claro, a facilidade em lidar com garotas.
Na escola, estudávamos na mesma sala, porém, éramos diferentes em muitos aspectos.
Eu, sentava no fundo da sala. Levava um caderno de quatrocentas folhas, com dez matérias mas sempre estava vazio, sem nada escrito nele.
Em diversos momentos, meu lugar estava vazio. Eu, ou estava jogando bola na quadra de futebol, eu simplesmente tinha matado aula.
Adamastor, sentava na terceira fileira, na ponta da sala, próximo a porta. Copiava a matéria quando tinha vontade, sempre conversava sem explicação, mastigava papel de caderno e o jogava para o alto. Os papéis secos acima dele na sala, o incriminavam.
Hiroshi, sentava na primeira carteira, bem no meio da sala de aula. Era um exemplo para o professor.
Sempre tirava dez nas avaliações. Havia briga entre os alunos quando a professora sorteava quem faria a prova em dupla com Hiroshi.
Era um alvoroço.
No fim da rua principal, morava a bela Diane. Garota, esbelta, loirinha com franjas densas, sorriso perfeito, branquinha.
Adamastor e eu, ficávamos louco quando víamos Diane. Quando íamos para escola juntos, algumas vezes encontrávamos Diane com sua mãe no caminho. Acelerávamos o passo para chegar próximo a ela. Para...para, não sabemos porque fazíamos isso, a verdade seja dita. Nada iriamos fazer. Sempre falávamos dela para Hiroshi, porém ele dava de ombros. "Ela não é tudo aquilo", ele sempre dizia.
Aos finais de semana, a víamos com outras garotas da rua. Mas nós dois não tínhamos coragem de chegar nela e falar oi.
Uma vez, no recreio, ela disse "Olá, boa tarde" para Adamastor, foi o bastante para o garoto ficar olhando como bobo para o teto da sala de aula, sonhando com a bela Diane o resto do dia.
Mas tudo mudou em nossas vidas, quando vimos Hiroshi de mãos dadas com Diane, no recreio da escola.
Não podíamos acreditar. Aquele japonês pequenino, pálido, com bigodinhos ressaltados no rosto, estava de MÃOS DADAS COM A BELA DIANE?
Depois de Diane, sempre víamos Hiroshi com alguma garota ou em volta delas. Na rua, no recreio, nas festinhas. Hiroshi era um ninho de gatas.
Havia alguma coisa muito marota naquele japonesinho que nós, Adamastor e eu, nada sabíamos, e isso era só o começo.






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