
"Tenho um amigo que não posso expor seu nome, por motivos de vergonha alheia,
então o chamarei de Fujioka."
Fujioka era um rapaz franzino, baixinho, com cabelos longos até a altura do pescoço e de descendência japonesa.
Fujioka era bancário e fazia esta função já alguns anos. Trabalhava em agência, assim como eu, Jonas Green e All Larrium.
Trabalhávamos um ao lado do outro, separados pelas cabines de atendimento pelas estafantes e longas horas de trabalho.
Fujioka era um garoto tímido e tinha dificuldade de se expressar. Dificilmente se via ele com garotas, menos as tiazinhas da limpeza. Com elas, ele era engraçado e simpático.
Com as gostosas do prédio, ele praticamente se encolhia, e olhava para os próprios sapatos toda a vez que cruzavam com elas.
Fujioka sempre ia trabalhar com sua famosa gravata rosê. Seu apelido internamente, mais para os íntimos, era "O Japonga da Gravata Rosê".
Mesmo se Fujioka derramasse mostarda em sua gravata rosê no almoço, dia seguinte, lá estava ele com a gravata rosê meio amarelada, do dia anterior.
Ele talvez, imaginava que aquela gravata o fazia ficar mais autêntico, mais atraente para as gostosas do prédio, as mesmas que ele se dirigia aos pés quando passava ao lado.
Uma coisa que All Larrium e eu sempre percebíamos, era como Fujioka após atender um velhinho, sim, ele era responsável pelo atendimento preferencial. Fujioka, sempre ia ao banheiro, e lá ficava por um bom tempo.
Ele nem bebia tanta água assim para descarregar a bexiga. Porém seu celular, sempre vibrava quando recebia nudes no grupo que ele participava. All Larrium e eu sabíamos, porque também estávamos neste grupo.
Toda vez, quando recebíamos uma atualização no grupo, precisamente de videos, e sentíamos o vibrar do celular em nosso bolso, Fujioka, se dirigia ao banheiro.
Quando voltava, para seu posto de trabalho, Fujioka parecia mais "tranquilo", havia alguns pingos de água em sua camisa azul listrada e em sua gravata rosê, devido a um problema na torneira do banheiro dos homens. Seus cabelos semi molhados nas laterais, e suas mãos semi úmidas.
Fujioka, era bem incisivo com os velhinhos que iam para o banco reivindicar algum direito ou receber sua aposentadoria.
Fujioka, não havia pudores em poder confrontar qualquer velhinho que fosse. Era direto, ríspido e constante. Nem parecia aquele japonesinho de um metro e meio com sessenta quilos atrás daquele vidro.
Na hora do almoço, sempre íamos ao mesmo restaurante. Comida boa e barata, por quilo.
E as vezes sem perceber, nossos celulares vibravam novamente com atualizações de nudes.
Fujioka, largava seus talheres, pegava seu celular, e ficava olhando por um bom tempo o conteúdo recebido.
Esquecemos quantas vezes que Fujioka, teve que comer comida fria, pois estava entretido no celular.
E essa rotina, nos acompanhou por um longo tempo. Até Fujioka, ser promovido em sua função e ter sua própria sala.
As vezes, All Larrium e eu, íamos até sua sala para entregar documentos importantes para Fujioka assinar e carimbar e passar para nossos superiores, e lá, próximo das bebidas e taças de vinhos, havia dois potes já na metade de higienizador para as mãos. Sem contar, claro, os lenços de papel, guardados na gaveta, e diversas revistas de entretenimento adulto, escondidas entre outras por cima, sobre negócios, mercado financeiro, etc.
All Larrium, como eu, namorávamos, e depois do expediente, íamos nos encontrar com nossas namoradas, duas de umas das gostosas do prédio, porém Fujioka, sempre ficava até tarde em sua sala com as persianas fechadas....
Dedicado à: eles sabem quem são
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