sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A Benzedeira













Thiffany me veio com uns papos estranhos e medonhos enquanto eu assistia televisão.
Disse que a energia da nossa casa estava ruim. Trouxe para casa, cristais, ba Gua, ying yang...aquele círculo de duas cores pintadas de preto e branco com duas bolinhas.
-Preciso defumar esta casa, Jonas.
-Defumar? - Eu estava bêbado não conseguia nem enxergá-la direito. - Ok, ok, o que houve?
-Vamos agora para a casa da Dona Miguelina. Tenho hora marcada.
-Está bem, benzinho. - Concordei.
Ao chegarmos na casa, toquei a campanhia. Parecia uma casa de um biólogo ou de estudos sobre a botânica, de tantas plantas que haviam naquele lugar.
Toquei a campanhia novamente, e lá atrás avistei uma velha com um vestido florido e um lenço na cabeça dizendo, "JÁ VOOU".
O que aquela velha fará conosco honey. - Perguntei apreensivo.
-Irá nos ajudar Jonas. - Thiffany respondeu.
-Ajudar no quê?
-Nossa casa está com a energia bloqueada por isso não flui.
-Não, flui o quê?
-Silêncio. Depois falamos.
A velha estava se aproximando. Chegou até o portão, o abriu, e nos convidou a entrar.
-Entrem. Você deve ser a Thiffany, certo?
-Sim. - Thiffany sorriu.
-Sou Jonas! - Pazer em conhecê-la.
Ela disse um "oi" seco. Eu fedia a vinho barato.
A casa da velha fedia a mofo, o piso era de tacos velhos, o sofá marrom fedia a naftalina, quadros de pessoas estranhas na parede já descascada, os quartos escuros.
Havia um papagaio na cozinha que não parava de falar, "Miguelina", "Miguelina"...
...e eu começava a ficar sóbrio.
Sentei no sofá fedorento e esperei e esperei.
Dona Miguelina levou Thiffany até uma mesinha afastada da sala de estar. A mesinha tinha umas pedrinhas e uns cristais, as duas não paravam de conversar.
A velha tinha o péssimo hábito de deixar tudo fechado. Eu não aguentava mais aquele cheiro de mofo.
-Vai impregnar essa merda de cheiro de naftalina nas minhas calças. -Pensei.
O papagaio continuava a falar "Miguelina", Miguelina"...
Dormi um pouco no sofá, acordei, cantarolei e as duas ainda conversavam como se já se conheciam a anos.
O papagaio continuava a falar "Miguelina", Miguelina"...
O tempo não passava. A porta para sair estava trancada, minha briza passava, e eu com a cabeça nos joelhos pensava:
- Pelos poderes da dona Miguelina, queime este maldito papagaio em brasa...

Um comentário:

  1. Jonas,
    Conheci uma benzedeira chamada Miguelina "Que Deus a tenha" .Uma senhora sábia, cheirosinha e humanitária. Por coincidencia em sua casa havia muitas plantas e um papagaio... kkkk
    Adorei a historia quase veridica...
    Sonia

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