domingo, 8 de janeiro de 2012

O Cachorrinho da Thiffany












Estava na sala escrevendo mais um conto para uma revista.
Ouvi um barulho de molho de chaves que logo fisgou minha atenção. Pelo horário era Thiffany. Fiquei olhando para a porta.
Era ela mesma, com as compras em uma mão e uma coisa estranha na outra.
Veio correndo em minha direção.
- Amor...Amor...veja isso.
Era um cachorro desesperado. Arregalei os olhos quando ele pulou pra cima de mim. Levei um puta susto.
-O que é isso, Thiffany? - Perguntava enquanto esquivava das lambidas daquele vira lata.
-O nome dele é  Boris, Jô. É da minha mãe. Deixou comigo enquanto ela foi ao mercado. - Thiffany dizia enquanto o pegava do meu colo.
O cachorro a lambia, abanava o rabo com total fervor e tudo o mais.

-Sua mãe? - Ela sempre arranja um jeito de me irritar. - Pensei.

O telefone tocou.

Thiffany atendeu mas o Boris não parava de jeito nenhum.
-Jô... é a mamãe no telefone, segura o Boris pra mim, por favor.
Era tarde demais.
O tal de Boris, aquela bola de pêlo já estava em meu colo, com toda aquela alegria sem razão, todo aquele fervor, mas o soltei logo em seguida.
Ele estava em minha frente. Me olhava sem piscar. Eu em pé sem saber o que fazer, resolvi voltar ao conto.

10 minutos depois

-Jô, advinha? Mamãe terá de viajar para a casa da minha tia, voltará só amanhã a noite.
O Boris vai ficar aqui. Ebaaa!!!
-Aqui? Ah, honey! Olhe para ele. Está mordendo meus sapatos. Olha aí. Destruindo a casa. Leve-o daqui vai.
-Ah, benzinho não faça isso. Ele é tão bonzinho. Olha como ele é lindo. -Thiffany o balançava no colo. - Mas honey... 
- Além disso, preciso dormir. Preciso trabalhar amanhã. Você sabe disso. Cuide dele.
-Thiffany, eu acho...
-Obrigado, Jô. Sabia que você me entenderia.
Me deu um beijo de boa noite e foi correndo com pulinhos até o quarto. A porta se fechou.
Ali, percebi que só era eu e o .... "como é seu nome mesmo, seu saco de pulga"? Perguntava apontando pra ele. Boris me observava sem entender nada.
Resolvi chamá-lo de Cheroso.
Fiquei o segurando no colo por alguns segundos.
-Hooooney?
Ela não abriu a porta.

30 minutos depois

O cachorro não parava quieto. Não conseguia terminar meu conto e nem fazer nada. Já passava da meia noite. Eu comecei a ficar puto da vida. Puta que pariu....onde desliga esse cachorro. Que merda!

Como era o cachorro daquela rampera, e precisava trabalhar arrumei um jeito.
Abri uma garrafa de Jack Daniels, coloquei o bocal perto da boca do cheroso, e ele lambeu e lambeu...

7 minutos depois

O Cheroso parecia um anjo. Dormia largado no tapete.
Graças à *Kentucky, pude terminar a porra do conto para a revista...


*Whisky Jack Daniels produzido em Kentucky, USA

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